sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O que explica a instabilidade do Everton?

Terceiro melhor ataque da Premier League e sexta pior defesa, o Everton de Roberto Martínez tem se afirmado como uma das equipes mais instáveis da presente temporada na Terra da Rainha. Com muitas dificuldades na marcação do meio-campo, o time tem deixado muitos espaços, o que só não traz maiores consequências em razão do excelente desempenho ofensivo de algumas peças como Romelu Lukaku, Gerard Deulofeu e Ross Barkley. Não obstante, os jogos do Everton são um prato cheio para o amante do futebol que não tem envolvimento emocional com o clube.



O meio-campo cria muito, mas marca mal

Desde o início da temporada inglesa algo tem sido tendência no jogo do Everton: a concessão de muita liberdade para o setor de criação dos adversários. Gareth Barry (foto) dá, a cada novo dia, mais sinais de envelhecimento e de que não mais é capaz de encarar uma longa sequência de jogos. Isso poderia ter sido atenuado pela contratação de Tom Cleverley, mas o ex-jogador do Manchester United machucou-se e passou um período entre as rodadas 5 e 13 de fora do time.

Aos 34 anos, Barry esteve em campo em todos os jogos dos Toffees na Premier League até o momento, em má forma, no entanto. Apesar de os 45% de aproveitamento nos desarmes não indicarem um desempenho tão ruim, o jogador está no rol dos que mais cometem faltas na Premier League, sendo o 11º jogador de meio com mais infrações na competição. É necessário dizer ainda que muitas vezes o jogador não se coloca em condições de desarmar o adversário ou pará-lo com faltas porque simplesmente não o alcança.

Usado com parcimônia, Barry ainda deve mostrar bom nível, mas o jogador vem mostrando que atuar tão assiduamente está levando seu futebol a uma decadência assustadora. Por outro lado, seu companheiro habitual no setor, James McCarthy, também não vem em boa sequência. Com mais desenvoltura para sair para o jogo, muitas vezes não tem feito a recomposição como deveria, apresentando estatísticas semelhantes às de Barry. Embora tenha um papel que não se restringe à marcação, o irlandês precisa marcar mais, dando segurança ao time e auxiliando Barry, que muitas vezes sobra só na contenção.

Outro jogador que poderia auxiliar no setor, Muhamed Besic ainda não encontrou o futebol que levou o time de Liverpool a tirá-lo do futebol húngaro. Embora demonstre talento em algumas ocasiões, o bósnio é demasiadamente instável e tem sofrido com problemas físicos.

Por outro lado, a criação do time tem ido bem, o que é representado mormente pela figura de Ross Barkley. Jogador mais criativo do time, tem 88% de aproveitamento de passes, já proveu sete assistências – apenas Mesut Özil e Kevin De Bruyne tem números superiores – e outros 27 passes para gol, algo que tem sido fundamental para o bom desempenho dos talentosos jogadores de ataque e evitado que uma hecatombe se abata sobre Goodison Park.

A defesa vive exposta e desfalcada

Como consequência da primeira explanação, é indiscutível que, pouco protegido pela contenção, o setor defensivo do Everton passa a falhar mais. Na Premier League, os Toffees são a quinta equipe que mais erros defensivos cometeu até o momento – com 12 –, tendo três destas falhas sido convertidas em gols.

Falta de suporte do meio-campo defensivo é uma das grandes razões para esta instabilidade, até mesmo porque Seamus Coleman e Leighton Baines, os habituais titulares pelos flancos da defesa, são laterais de conhecida vocação ofensiva e precisam de uma cobertura mais eficiente. Apesar disso, a deficiente marcação dos volantes não é a única justificativa para os problemas na retaguarda do Everton.

A bruxa tem estado solta quando o assunto é o setor defensivo e não há clube que passe imune a isso. Dentre todas as opções para as quatro posições na retaguarda apenas o argentino Ramiro Funes Mori – um novato na Premier League – não sofreu qualquer contusão até o momento na temporada. Embora algumas peças tenham tido apenas problemas sem grande importância, casos de Stones (foto), Brendan Galloway e Coleman, outros vem frequentando mais o departamento médico do que o gramado do estádio Goodison Park.

Jogadores vitais como o capitão Phil Jagielka e o lateral Baines, além do garoto polivalente Tyias Browning e do costarriquenho Bryan Oviedo, têm sido baixas constantes, o que prejudica assustadoramente o andamento do setor, que não só não consegue se entrosar (o que aumenta a propensão a erros), como muitas vezes tem que recorrer às improvisações. Embora individualmente jogadores como Stones e Funes Mori venham apresentando bom desempenho, o coletivo está mal. 

Além de marcação no meio-campo, falta sorte ao Everton.

O desempenho ofensivo tem sido a salvação do Everton

Apesar de toda a celeuma que tem se abatido na defesa dos Toffees, há notas muito positivas no desempenho ofensivo do time. Com as excelentes fases de Barkley, Romelu Lukaku, Gerard Deulofeu, Arouna Koné as deficiências defensivas têm sido atenuadas e causado menos danos. Para se ter uma ideia do quão entrosado no setor de ataque o Everton está, o clube é, além de o terceiro melhor ataque, o segundo time que mais assistências criou na competição e o quarto com o melhor aproveitamento nas finalizações na Premier League.

Além do já citado Barkley, Deulofeu passou a ser menos individualista e aparece como quinto maior assistente da competição, com sete passes para gols e Lukaku (foto) vem sendo um dos melhores jogadores dentre todos. Além de ser o artilheiro ao lado de Jamie Vardy, com 15 tentos, também destaca-se com cinco assistências, o que revela um jogador cada dia mais maduro e preparado para o mais alto nível. Além de apresentar tranquilidade para bater os goleiros, o belga está cada dia melhor no jogo coletivo, como importantes atuações como pivô e movimentações.

Assim, mesmo que jogadores outrora destacados como Kevin Mirallas e Steven Naismith tenham perdido muito espaço, outras figuras como Koné e até mesmo o pouco produtivo Aaron Lennon têm melhorado seus desempenhos individuais e levado o clube de Liverpool adiante.

O estilo de jogo ofensivo e ousado que tem caracterizado Roberto Martínez e o colocado como um dos mais promissores treinadores do mundo tem sido visto e mantendo o Everton como um dos times mais interessantes de acompanhar na Premier League. No entanto, para ir mais longe, o clube terá que corrigir falhas graves no meio-campo e torcer pelo fim de uma fúnebre senda de lesões que há tempos assola-o.

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