sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Uma boa chance para Erik

Eleito a Revelação do Campeonato Brasileiro de 2014, o atacante Erik, cria do Goiás, viveu um 2015 de altos e baixos, cercado por problemas extracampo, envolvendo possíveis transferências, a má fase do time – sua própria queda de rendimento – e até conflitos com seus próprios companheiros e com o treinador Hélio dos Anjos. Para 2016, o garoto já tem novo destino e com ele uma excelente opção para deslanchar em sua carreira e alcançar o ótimo nível que dele se espera desde 2014: o Palmeiras. Mas por que o alviverde paulista é uma opção tão boa?



É treinado por Marcelo Oliveira

Desde que deixou os gramados, Marcelo Oliveira sempre esteve ligado ao futebol de alguma forma. Primeiro foi comentarista da Rede Minas e, por anos, trabalhou nas categorias de base do Atlético Mineiro, ajudando a formar várias das revelações mais recentes do clube. Quando, por fim, decidiu deixar o Galo, em 2009, trabalhou em Ipatinga e Paraná Clube até ser contratado pelo Coritiba, clube que o projetou.

No Coxa, foi peça importante no trabalho de afirmação de alguns jogadores jovens, casos de Lucas Mendes, Luccas Claro, Everton Ribeiro e William Farias, e, após um período ruim do Vasco, voltou a mostrar sua capacidade de desenvolver promessas no Cruzeiro, clube em que foi bicampeão brasileiro. De volta a Belo Horizonte, Marcelo Oliveira deu muitas oportunidades a jogadores como Mayke, Alisson, Lucas Silva e Vinícius Araújo e também foi importantíssimo na lapidação de Ricardo Goulart.

Já no atual Palmeiras, tem tido como uma de suas grandes missões o desenvolvimento das pratas da casa do alviverde. Jogadores como Nathan, João Pedro, Matheus Sales e Gabriel Jesus – estes dois últimos terminaram o ano como titulares – devem ganhar cada vez mais espaço e ser trabalhados por Marcelo Oliveira, comandante que mostra desde o início de sua carreira boa capacidade para trabalhar com atletas de pouca idade. Para um jogador com o histórico recente de Erik, isso pode ser fundamental.

Tem histórico de lidar bem com jogadores polêmicos

A torcida do Palmeiras vem criando ao longo dos anos a fama de ser uma das mais exigentes do Brasil – senão a mais. Isso tudo vem dentro de um contexto de anos ruins, rebaixamentos e diminuição no número de títulos. Algo que, no entanto, não se pode acusá-la é de não abraçar o time em vários momentos (como revela a média de público do Brasileirão de 2015 – 29.633 – a terceira maior do torneio) e ter um peculiar apreço por jogadores polêmicos, problemáticos, atletas conhecidos por conturbar o ambiente.

Não restam dúvidas de que esse foi o caso de Erik em 2015, ainda que não se possa rotular um atleta tão jovem como “problemático”. Isso fica evidenciado pelo afastamento que sofreu e pelas várias críticas recebidas durante a última temporada, vindas desde o ex-goleiro e ex-diretor de futebol Harlei, passando pelo treinador Hélio dos Anjos e chegando ao presidente Sérgio Rassi.

"O grupo não gosta da maneira como ele se comporta, como não se doa nos treinos e jogos. Ele tem de resgatar a confiança dos companheiros, harmonia no convívio”, revelou Harlei, então diretor de futebol do clube.

“Nesta faixa etária, é o pior que peguei na minha vida, em todos os sentidos. Como ser humano, profissionalismo, entra tudo. O pior em tudo, só isso. Olha que eu peguei muitos jogadores, até no próprio Goiás”, falou Hélio dos Anjos, um de seus treinadores durante o ano.

“O motivo do afastamento foi o seu não comprometimento. São vários fatores. Não estava com bom relacionamento com os colegas, vinha chegando em cima da hora nos treinamentos, sem envolvimento com o grupo... Isso foi minando, minando, até que chega na situação em que o treinador fala: "Presidente, vou ter que tomar algumas medidas e quero saber se a diretoria acata". Obviamente acatamos o que for melhor para o grupo”, pontuou o Presidente Sérgio Rassi.

No Palmeiras, todavia, não faltam casos de jogadores que foram bem-sucedidos a despeito de uma peculiar tendência a trazer problemas. Sem fazer quaisquer comparações entre a grandeza de suas histórias e futebol, obviamente, foi assim com Edmundo, Paulo Nunes, Jorge Valdívia, Diego Souza e tem sido assim atualmente com Dudu.

Tem jogadores experientes para orientá-lo

Além de treinador e torcedores, outro fator que pode auxiliar muito o crescimento de Erik é a presença de jogadores experientes no elenco. Representado principalmente pelas figuras de Fernando Prass (37 anos), Edu Dracena (33) e Zé Roberto (41), este seleto grupo tem um passado e é reconhecido pela boa índole que demonstrou durante todos os anos de suas carreiras.

Todos passaram pelo futebol europeu, Dracena chegou a atuar pela Seleção Brasileira e Zé Roberto disputou duas Copas do Mundo. Além de serem figuras imponentes e respeitadas, sabem transmitir uma mensagem, o que pode ser muito importante para Erik reencontrar os trilhos de sua carreira e fazê-la melhor a cada dia.

Além dos três, o elenco também possui outras figuras que a despeito de terem menos idade são muito experientes, como Arouca, Cleiton Xavier e o paraguaio Lucas Barrios, jogadores vividos e vitoriosos.

Pessoas com algo a acrescentar à carreira de Erik, com algo a dizer e um longo histórico que fala por si, não faltam no Palmeiras, outra razão que coloca o clube paulista como uma boa alternativa de carreira para o ex-atacante do Goiás.

Disputará a Copa Libertadores da América

Além de contar com uma atmosfera favorável, chegando a um clube que recentemente conquistou a Copa do Brasil, e que conta com uma torcida que tem enchido a Arena Allianz Parque, um treinador conhecido como um profissional compreensivo e que possui grande capacidade de trabalhar com garotos e um grupo de jogadores de indiscutível profissionalismo e dedicação, resta um último e igualmente importante ponto a considerar: a exposição que o jogador terá no Palmeiras.

Com o clube classificado para a disputa da Copa Libertadores da América, competição em que dividirá grupo com Nacional de Montevidéu, Rosário Central e River Plate-URU ou Universidad de Chile, Erik terá a chance de jogar sob muitos holofotes. Se for bem na competição estará exposto em uma das melhores vitrines do futebol mundial e se valorizará. Como plano de carreira, é fundamental para um jogador com o seu potencial passar por esta competição.


Futebol, Erik já mostrou que tem – e muito. Mesmo não sendo um goleador nato, um jogador de área, o famigerado centroavante, o veloz atacante tem números expressivos e marca muitos gols. Nos Brasileirões de 2014 e 2015, disputou 60 jogos e balançou as redes 22 vezes.

Em 2014, com 12 gols, deixou nomes como Diego Tardelli, Luis Fabiano, Alexandre Pato e Leandro Damião comendo poeira na artilharia e em 2015, com 10 e mesmo com muitos problemas, foi mais eficiente que Fred, Walter, novamente que Luis Fabiano e Damião, Lisandro López, dentre outros.

Com a cabeça no lugar e focado, Erik tem tudo para deslanchar no Palmeiras: ambiente, comando, companhia e palco.

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