quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A ótima temporada do valente Hertha Berlim

É histórico: a capital da Alemanha, Berlim, nunca teve um clube de futebol à altura de sua importância. O melhor deles é, sem dúvidas, o Hertha, que na era prévia à criação da Bundesliga conquistou dois títulos nacionais. Na presente, disputada desde 1963-1964, o máximo que conseguiu foi um vice-campeonato em 1974-1975 – e este foi o maior êxito de um clube berlinense. Nesta temporada, no entanto, mesmo estando distante de Bayern de Munique e Borussia Dortmund, líder e vice, o Hertha vem ocupando a terceira colocação com méritos, orgulhando sua cidade, tão carente de sucessos futebolísticos.



A evolução do Hertha Berlim nesta temporada é impressionante. Na última temporada, o rebaixamento pairou sob a equipe, que nos últimos dez anos desceu à 2. Bundesliga duas vezes, e nesta a realidade mudou completamente – da água para o vinho. Jogadores que pouco produziram em 2014-2015 despertaram, jovens cresceram e ganharam confiança e a equipe como um todo subiu de produção.

Da última campanha para esta, não houve muitas mudanças no elenco treinado pelo jovem húngaro Pál Dárdai (foto), de 39 anos, que chegou como interino em fevereiro de 2015, salvou o clube do rebaixamento e foi efetivado.

A despeito disso, sua presença certamente exerce influência muito positiva, posto que o comandante foi jogador e teve sucesso com a camisa do Hertha – esteve presente no último terceiro lugar do clube, na temporada 1998-1999, e nos títulos da extinta DFB-Ligapokal, em 2001 e 2002. Além disso, também viveu dias de drama, na segunda divisão. Ou seja, poucos nomes conhecem com tamanha profundidade o que se passa no interior da Alte Dame quanto Dárdai.

Três aquisições foram fundamentais para o atual sucesso do clube, todavia: o ala direito Mitchell Weiser, ex-Bayern de Munique, o experiente centroavante Vedad Ibisevic e o meio-campista tcheco Vladimir Darida, ex-Freiburg. Muito talentoso, Weiser vai se revelando um grande assistente e uma excelente opção de saída de bola; forte e dono de grande imposição física, Ibisevic faz importante papel como pivô; e Darida tem importância vital na circulação da bola, criação de jogadas e aproximação do ataque.

Assim, alguns jogadores que já estavam no clube cresceram sobremaneira, destaque maior para o zagueiro norte-americano John Brooks, cria da casa, e para o experiente Salomon Kalou (foto), campeão europeu com o Chelsea. O primeiro tem 46% de aproveitamento nos desarmes e 51% no jogo aéreo e só não atuou mais em razão de lesões que o tiraram de combate no início do campeonato. Por sua vez, Kalou começou a fazer o que dele se esperava quando de sua contratação: gols. Se em 2014-2015 marcou apenas seis, em 31 jogos, em 2015-2016 já são 13 em 23 partidas.

Além disso, cumpre ressaltar a aptidão que o Hertha demonstra para fazer um jogo coletivo, seu grande trunfo na temporada. O clube da capital é o segundo que menos comete erros defensivos na Bundesliga, atrás apenas do Schalke 04 e empatado com o Werder Bremen, tem a terceira melhor média de aproveitamento na recuperação de bolas e a quinta maior média de acerto de passes, com 79%.

O time entende suas limitações e propõe um jogo que reage muito mais do que propõe, razão pela qual é o clube que menos cria ocasiões de gols na Bundesliga. Outro trunfo é o “fator casa”. Atuando no Olympiastadion, o Hertha venceu seis partidas, empatou três e perdeu apenas uma na competição. Em geral, atua no 4-2-3-1, com linhas muito compactas e pronto para sair em contragolpes.

Weiser vem jogando muito bem
Hoje, o time que contou com o talento dos brasileiros Raffael, Gilberto e Marcelinho Paraíba nos últimos anos, vem alegrando seu torcedor, que muito sofreu recentemente. Com o terceiro menor gasto em transferências dentre todas as equipes da Bundesliga, atrás apenas dos modestíssimos Ingolstadt e Darmstadt, o time vem mostrando postura guerreira e um jogo aguerrido, com muita consciência tática e em relação às próprias limitações.

Na temporada o time só perdeu cinco vezes e para adversários respeitáveis: Borussia Dortmund, Wolfsburg, Schalke 04, Borussia Mönchengladbach e Bayern de Munique. Assim, vai dirigindo-se para um final de temporada bom, vislumbrando a possível disputa de uma competição europeia e, além disso, o título da Copa da Alemanha, competição em que está na semifinal e enfrenta o Dortmund. No momento, sua luta é dura e tem adversários fortes, mas para quem não era sequer lembrado como possibilidade na parte de cima da tabela, os feitos do Hertha já são enormes e permitem sonhos altos.

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