quarta-feira, 30 de março de 2016

Seleções de que Gostamos: Polônia 1982

No primeiro texto desta seção, lembramos o excelente time da Bulgária da Copa do Mundo de 1994. Naquela ocasião, comandada por Hristo Stoichkov, a equipe alcançou o quarto lugar na competição e um posto eterno na lista das grandes seleções. Agora, é tempo de rememorar outra ótima equipe europeia: a Polônia, do Mundial de 1982.


Em pé: Buncol. Majewski, Janas, Mlynarczyk, Zmuda, Lato;
Agachados: Palasz, Smolarek, Boniek, Jalocha, Iwan


Seleção: Polônia

Período: 1982

Time base: Mlynarczyk; Dziuba, Janas, Zmuda, Majewski; Matysik, Buncol, Kupcewicz; Lato, Smolarek, Boniek. Téc.: Antoni Piechniczek

Conquista: Terceiro lugar na Copa do Mundo de 1982

Mais experiente do que nunca, após uma exitosa década de 70 que terminou com uma boa campanha na Copa do Mundo de 1978, a Polônia comunista chegou com apenas jogadores que atuavam no país e grande força à Espanha, para a disputa do Mundial de 1982.

Líder de seu grupo nas Eliminatórias – com 100% de aproveitamento e superiorizando-se à Alemanha Oriental e à fraca Seleção de Malta – a esquadra liderada pelo talento de Grzegorz Lato e Zbigniew Boniek fez bonito quando, por fim, a competição começou. Membro do Grupo A, teve pela frente três escolas totalmente distintas de futebol: o tradicional ferrolho defensivo de uma Itália que nada prometia no início da competição, o estilo despreocupado de Camarões e a veia sul-americana da Seleção do Peru.

Na primeira fase, tudo correu como planejado para os polacos. O empate com a Itália não causou surpresa, assim como a vitória contra o Peru. Os camaroneses, valentemente, conseguiram um empate ante os poloneses; nada que tenha evitado a liderança do grupo por parte da esquadra comandada por Antoni Piechniczek.

Na segunda fase, novamente no Grupo 1, o sucesso persistiu. Inapelavelmente, a Polônia destroçou a Bélgica, 3x0, e, no jogo seguinte, um empate sem gols contra a União Soviética levou a equipe às semifinais. O adversário, a Itália, não era mais aquela equipe da primeira fase, mas outra que, comandada pelos gols de Paolo Rossi despertou contra a então Campeã Argentina e aquele que é considerado um dos mais talentosos times brasileiros de todos os tempos. Boniek, suspenso, assistiu de longe a derrota. Ironias das Copas.

Foram de Rossi os dois gols que condenaram os poloneses à disputa do terceiro lugar do Mundial. Contra a França de Jean Tigana, Boniek e companhia voltaram a brilhar, deixando a Espanha com um honroso terceiro lugar na mala. Findava-se ali a última boa campanha da Polônia em um campeonato.

Protegendo a baliza polaca, Jósef Mlynarczyk (foto) era uma das principais referências da esquadra. Com mais de 40 partidas por seu país, o goleiro chegou à seleção em 1979, já aos 26 anos. Titular absoluto no mundial de 1982, era um dos jogadores mais experientes e foi importantíssimo para os êxitos do time. Então, defendia as cores do Widzew Lódz, de seu país, mas, tardiamente, faria sucesso com a camisa do Porto, conquistando a Champions League em 1986 (antes, em 1983, já havia sido semifinalista pelo Lódz, tendo eliminado o Liverpool e sido eliminado pela Juventus). É muito lembrado por sua liderança, frieza e por seu peculiar bigode. 

Pela defesa da ala direita respondia Marek Dziuba, outra importante influência para a equipe e ocasionalmente capitão das Biale Orly. Teve uma carreira inteira ligada à cidade de Lódz, onde nasceu, defendeu por mais de uma década o LKS Lódz e, na sequência, em 1984, mudou-se para o rival Widzen, no qual, por breve período, foi companheiro de Mlynarczyk. Pelo outro flanco, o dono da posição era Stefan Majewski, jogador que marcou história com a camisa do Légia Varsóvia e passou, posteriormente, pelo futebol alemão vestindo, com maior notoriedade, a camisa do Kaiserslautern. Ao final de sua carreira, tornou-se treinador e chegou a dirigir, interinamente, a Seleção Polonesa.

Como possuía um jogador extremamente técnico na defesa, muitas vezes a formação polonesa parecia apresentar-se com um zagueiro e um líbero. Wladyslaw Zmuda (foto) era a peça que levava os polacos a apresentarem-se dessa forma. Remanescente da geração que brilhou na década de 70, e provavelmente o melhor defensor que o futebol de seu país já viu, o capitão Bialo-czerwoni é o sexto atleta que mais vezes representou seu país e, em 1974, foi eleito o melhor jogador jovem da Copa do Mundo. Seu companheiro era Pawel Janas, outro defensor de ótima qualidade, forte no jogo aéreo e nos desarmes. É lembrado também por uma boa passagem pelo Auxerre, da França.

No meio-campo, um trio provia sustentação para os defensores e auxílio aos atacantes. Garoto, Waldemar Matysik chegou ao Mundial da Espanha pouco antes de completar 21 anos e era o maior responsável pelo trabalho sujo da equipe, com forte marcação e muita disposição. Sua excessiva entrega inclusive o deixou muito doente após a Copa. Há época, atuava no Górnik Zabrze, mas, na sequência de sua carreira teve destaque na França e na Alemanha, vestindo, dentre outras, as camisas de Auxerre e Hamburgo. Mais tarde, seria também o capitão da equipe.

Além dele, Janusz Kupcewicz e Andrzej Buncol completavam o meio-campo. O primeiro era o grande responsável pelo controle e organização do jogo polonês, ditando seu ritmo e distribuindo com grande qualidade as bolas. Seu talento era tanto que suas primeiras convocações vieram quando o jogador ainda disputava a segunda divisão polonesa. Buncol, por sua vez, era mais criativo e habilidoso, um meia-atacante que tinha o recurso do drible e muita técnica. Após brilhar em seu país, sobretudo com a camisa do Legia Varsóvia, fez ótimo papel na Alemanha, por Bayer Leverkusen e Fortuna Düsseldorf. 

Mais avançado estava um dos grandes craques da esquadra polaca: Grzegorz Lato (foto), um dos maiores artilheiros da história das Copas do Mundo, com 10 gols – apenas um em 1982. Habilidoso, criativo e letal, Lato já tinha muita experiência quando chegou à Espanha. Aos 32 anos, não era tão veloz quanto outrora, mas ainda conservava seu talento, sobretudo criando oportunidades para seus companheiros. Com 100 partidas pela Polônia e 45 gols marcados é o segundo que mais vezes representou a seleção e também o segundo que mais tentos anotou.

Também no ataque atuava Wlodzimierz Smolarek (pai de Eusebiuz Smolarek, que fez sucesso nos anos 2000 por Feyenoord e Borussia Dortmund). Este não era um jogador dotado de grande técnica. O que o tornava importantíssimo era sua capacidade de doação pelo coletivo e sua incapacidade para se entregar. Isso explica, em grande medida, a razão de ter sido na maior parte do tempo o titular, relegando o implacável Andrzej Szarmach, que possuía 31 anos, ao banco.

Por fim, havia a estrela da companhia: Zbigniew Boniek (foto). Goleador máximo da Polônia na Copa, com quatro tentos, e que marcaria sua carreira internacional com as camisas de Juventus e Roma, é considerado por muitos o maior polonês de todos os tempos (disputa o posto com Kazimierz Denya). Destacava-se pela velocidade, grande determinação, trabalho duro e constante e bom faro de gol. Possuía também muita inteligência tática, o que justificou seu uso, em fim de carreira, até mesmo como líbero.

Comandando a equipe, Antoni Piechniczek, que assumiu a seleção em 1981, teve a missão de fazer a renovação da equipe, mantendo velhas referências e trazendo sangue novo. Além dos titulares, o treinador tinha peças úteis no banco de reservas. Além do já citado Szarmach, os defensores Jan Jalocha e Roman Wójcicki, e o meia Wlodzimierz Ciolek foram algumas peças importantes na campanha polaca.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Segunda fase da Copa do Mundo de 1982, Grupo 1: Polônia 3x0 Bélgica

Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Luís Siles

Público 65.000

Gols: ‘4, ’26 e ’53 Boniek (Polônia)

Polônia: Mlynarczyk; Dziuba, Janas, Zmuda, Majewski; Matysik, Buncol, Kupcewicz (Ciolek); Lato, Smolarek, Boniek. Téc.: Antoni Piechniczek

Bélgica: Custers; Plessers (Baecke), Meeuws, Millecamps, Renquin; Van Moer (van der Elst), Caulemans, Coeck, Vercauteren; Vandenbergh, Czerniatynski. Téc.: Guy Thys

Semifinais da Copa do Mundo de 1982: Polônia 0x2 Itália

Camp Nou, Barcelona

Árbitro: Juan Cardellino

Público 50.000

Gols: ’22 e ’72 Paolo Rossi (Itália)

Polônia: Mlynarczyk; Dziuba, Janas, Zmuda, Majewski; Matysik, Buncol, Kupcewicz; Lato, Smolarek (Kusto), Ciolek (Palasz). Té.: Antoni Piechniczek

Itália: Zoff; Bergomi, Collovati, Scirea, Cabrini; Tardelli, Oriali, Antognoni (Marini); Conti, Paolo Rossi, Graziani (Altobelli). Téc.: Enzo Bearzot

Decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo de 1982: Polônia 3x2 França

Estádio José Rico Pérez, Alicante

Árbitro: António Garrido

Público 28.000

Gols: ’41 Szarmach, ’44 Majewski, ’46 Kupcewicz (Polônia); ’13 Girard e ’73 Couriol (França)

Polônia: Mlynarczyk; Dziuba, Janas, Zmuda, Majewski; Matysik (Wojcicki), Buncol, Kupcewicz; Lato, Szarmach, Boniek. Té.: Antoni Piechniczek

França: Castaneda; Amoros, Janvion (López), Tresor, Mahut; Girard, Tigana (Six), Larios; Couriol, Soler, Bellone. Téc.: Michel Hidalgo

2 comentários :

  1. Ah, se o Boniek joga contra a Itália...

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  2. Pois é... Teria sido a nossa pequena "vinganca". Hehehe

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