segunda-feira, 16 de maio de 2016

Euro 2016: chance para uma zebra?

Há 12 anos, a Grécia venceu a Eurocopa; há 24 foi a vez da Dinamarca. O que isso significa? Nada, para o torcedor alheio às superstições. No entanto, a Euro de 2016, inchada com o acréscimo de oito equipes, pode trazer a zebra de volta à competição europeia de seleções; a razão é bem simples, exceção feita à favorita e sede França, outras seleções com grandes êxitos históricos ou vivem períodos de reformulação ou de instabilidade.



A Alemanha campeã do mundo em 2014 não tem mais o capitão Philipp Lahm, o zagueiro Per Metersacker e o artilheiro Miroslav Klose. Além disso, embora não tenha se aposentado da Nationalelf, Bastian Schweinsteiger hoje não é sombra do que foi em um passado recente. É claro que ainda tem jogadores de grande valor e novas promessas de muito potencial, mas, até mesmo os resultados recentes, mostram que a equipe ainda não encontrou o nível demonstrado no Brasil.

A Espanha, por sua vez, passa por período semelhante, com a transição de gerações. Dos times que venceram duas Eurocopas e o Mundial de 2010, a Fúria não conta mais com Xavi, Xabi Alonso, Fernando Torres ou David Villa. O peso da idade destes jogadores já havia sido verificado na Copa do Mundo de 2014, com o retumbante fracasso hispânico. Novas figuras como Koke, Thiago, Isco ou Álvaro Morata são grandes esperanças, mas ainda não atingiram seus ápices com a seleção.

Confira: A diversidade inglesa

Por sua vez, a Seleção Italiana reflete o futebol de seu país, pouco criativo e vistoso e muito burocrático, escorado na espinha dorsal da Juventus. Nunca é muito inteligente duvidar da Squadra Azzurra, mas anda difícil apostar no sucesso da equipe. Lado outro, a Inglaterra promete fazer uma ótima competição. Com 100% de aproveitamento das Eliminatórias para a Euro e uma nova geração de jogadores, dentre os quais destacam-se Ross Barkley, Dele Alli, Harry Kane e Eric Dier, o técnico Roy Hodgson vem conseguindo marcas interessantíssimas com o English Team. Todavia, problemas na defesa e a inexperiência de seu elenco podem pesar.

A França acaba sendo a grande favorita ao título da competição e fatores para fazer tal afirmação não faltam. Les Bleus têm uma geração de jovens jogadores excepcional, com atletas da qualidade de Paul Pogba, Raphäel Varane e Antoine Griezmann, descobriram em N’Golo Kanté (foto), destaque do Leicester City, uma nova grande peça, e possuem jogadores mais experientes, casos de Blaise Matuidi e do goleiro Hugo Lloris, por exemplo. Há muito equilíbrio e alternativas no elenco de Didier Deschamps, como já foi ressaltado aqui no blog. Dentre as equipes que disputarão a competição continental, nenhuma parece mais pronta do que a França.

Leia mais: Deschamps e a variedade de opções para o meio francês

Diante disso, como não imaginar um quadro em que se possa vislumbrar a ascensão de uma zebra? Equipes como a Bélgica de Kevin de Bruyne e Eden Hazard, a Polônia de Robert Lewandowski e Grzegorz Krychowiak, a Suíça de Xherdan Shaqiri e Granit Xhaka, a Croácia que tem em Luka Modric, Ivan Rakitic e Mateo Kovacic um meio-campo excelente, e a brilhante Áustria de David Alaba, segunda equipe que mais pontos somou nas eliminatórias, mostraram potencial para incomodar os tradicionais favoritos.

Além delas, pode-se pensar em Portugal, que conseguiu descobrir novos talentos nos últimos anos, casos de William Carvalho, Renato Sanches (foto), Rúben Neves, João Mário e Bernardo Silva, e tem em Cristiano Ronaldo um importante ponto de destaque, e na Suécia, que vive panorama semelhante (tendo vencido justamente os lusos na final da última Euro sub-21) e tem em Zlatan Ibrahimovic um grande fator de desequilíbrio.

Confira também: Liderada por Alaba, Áustria renasce

No papel, a França é sim a favorita, mas desde a Copa do Mundo de 2014 não disputou partidas oficiais, o que deixa algumas dúvidas a respeito de sua real forma. Vale registrar que os franceses acumularam derrotas recentes em amistosos contra Brasil, Bélgica, Albânia e Inglaterra.

Aliás, já que falamos em zebras, estas já passearam pela competição, ainda nas eliminatórias. Na disputa da Euro teremos cinco estreantes: Irlanda do Norte, Islândia, País de Gales, Eslováquia e Albânia. Equipes tradicionais e teoricamente mais fortes como Holanda, Sérvia e Grécia ficaram pelo caminho, mesmo com o aumento do número de disputantes.

Além disso, tivemos jogos que mostraram com impressionante precisão que as tradicionais potências não estão tão bem assim. A derrota da Espanha para a Eslováquia (2x1), a da Alemanha perante a Polônia (2x0), bem como o empate germânico, em casa, contra a Irlanda (1x1), e a sequente derrota para a mesma Irlanda (1x0), e a derrota de Portugal para a Albânia (1x0) são exemplos muito adequados para ilustrar essa afirmação.

Leia ainda: O que a Islândia tem?

Se fosse possível prever o aparecimento de uma zebra em uma competição tão importante com a Euro 2016, simplesmente não se trataria de uma surpresa. É claro que é muito difícil fazer este tipo de previsão, mas, diante do momento das mais tradicionais forças europeias, seus recentes resultados e a forma de equipes ascendentes, não fazê-lo também traz consigo um grande risco. 

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