segunda-feira, 27 de junho de 2016

Sóbis e Ábila podem ser fundamentais ao Cruzeiro

Desde a eliminação da Copa Libertadores da América de 2015, o Cruzeiro vem tendo problemas para encontrar seu melhor futebol. Saiu o técnico Marcelo Oliveira, passou Vanderlei Luxemburgo e o ano terminou com Mano Menezes, dando sinais de que 2016 poderia ser um bom ano. No entanto, Mano saiu, Deivid, seu auxiliar, foi efetivado e o clube sequer alcançou as finais do Campeonato Mineiro. Chegou, por fim, o português Paulo Bento e embora a adaptação às ideias do novo comandante não venha sendo fácil, coletivamente o time dá sinais de evolução. Diante disso, as chegadas simultâneas de Rafael Sóbis e Ramon Ábila podem ser determinantes para o crescimento do clube.



Ex-treinador do Sporting CP e da Seleção Portuguesa, Paulo Bento vem trabalhando para, primeiramente, dar solidez defensiva à Raposa. Quem acompanha o clube vem percebendo sinais de evolução nessa parte. Ofensivamente, todavia, a equipe muito oscila e uma das razões assinaláveis para justificar tal fato é a juventude do setor. Há talento. Ninguém duvida do potencial de jogadores como Alisson, Élber ou Giorgian De Arrascaeta, mas tais figuras mostram dificuldades para manter o alto nível em sequência.

Até o momento, o Cruzeiro não conseguiu definir uma referência técnica e moral no elenco. Até há jogadores com maior experiência, casos, por exemplo, dos criticados Willian e Henrique, mas a despeito disso estes não são atletas conhecidos por “chamar a responsabilidade” nos momentos de dificuldades.

No vitorioso biênio em que levantou duas taças do Brasileirão, o clube contava com jogadores capazes de decidir por sua própria técnica e que se confirmaram referências. Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro são os melhores exemplos, mas é inegável o fato de que outros atletas em momentos diversos também foram decisivos, peças como Dagoberto ou Marcelo Moreno. Desde o desmanche ocorrido no final de 2014, o time vem sofrendo com a falta de peças com tal perfil.

Por seus históricos e reconhecida técnica, tanto Sóbis quanto Ábila podem assumir tal posto no clube celeste.

Não é preciso pensar muito para trazer à memória momentos em que o atacante brasileiro mostrou poder de decisão. Com a camisa do Internacional, na Copa Libertadores de 2006 marcou duas vezes no jogo de ida da final; e na edição de 2010 voltou a marcar na finalíssima, desta vez no jogo de volta. Pelo Fluminense conquistou o Brasileirão em 2012 e marcou gols importantes em distintos momentos, mesmo sem ser a maior referência do time. E pelo Tigres, seu último time, foi vital na campanha que levou os mexicanos à final da Copa Libertadores da América de 2015, somando quatro tentos.

Sua carreira tem sido muito estável e ainda que não seja um goleador, Sóbis, hoje com 31 anos, mostra uma predileção especial para as decisões, caraterística em falta no elenco Cruzeiro.



Ábila, por seu turno, vivia grande momento com a camisa do Huracán. Em 2016, disputou 25 jogos e balançou as redes 17 vezes, média de 0,68 gol por jogo. Mais do que estatísticas, é importante destacar o que seu estilo traz para os mineiros. Embora não seja nenhum gigante, o atacante tem muita facilidade para usar seu corpo e fazer o trabalho de pivô, algo interessantíssimo para uma equipe que sempre alinha meias com muito talento e movimentação.

Além disso, o jogador tem muita técnica e já mostrou em diferentes momentos facilidade para marcar belos gols em situações difíceis. Sua carteira de gols mostra verdadeiras pinturas. Embora não tenha sido tão testado quanto Sóbis durante sua carreira, Ábila vem mostrando desempenho muito sólido nos últimos tempos.



É, ainda, necessário observar que os dois contratados, por suas características, tendem a se entender, como, ainda que superficialmente, observou Paulo Bento:

“São jogadores que podem atuar à frente. O Sóbis pode ser centroavante ou atrás do centroavante. Ele tem maior conhecimento do Campeonato Brasileiro. O Ábila, com outras qualidades, incluindo o ponto de vista técnico, atua mais centralizado. Ambos podem se complementar, disse o português em entrevista coletiva.

Enquanto Rafael Sóbis tem mais facilidade para se movimentar e dialogar com os meias cruzeirenses, Ábila se faz uma grande referência à frente, um jogador que pode ser procurado nos momentos de dificuldades nas partidas e que oferece alternativa de desafogo a seus companheiros. Os atacantes trazem características de um perfil que o clube não dispunha. Se faltava técnica e personalidade às peças mais agudas do ataque do Cruzeiro, a dupla de recém-contratados promete resolver tais problemas. Caso isso se confirme, a Raposa deverá ter importante evolução na temporada.

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