quarta-feira, 1 de junho de 2016

Um Corinthians para Guilherme

Após a conquista do Campeonato Brasileiro de 2015, o Corinthians não resistiu ao assédio, sobretudo chinês, e perdeu grande parte do que compôs a espinha dorsal de seu vitorioso ano. Saíram Ralf, Renato Augusto, Gil, Jadson, Malcom e Vágner Love. Dentre os jogadores que desembarcaram no Itaquerão, um dos que mais expectativa gerou foi Guilherme, meia que a despeito dos altos e baixos que viveu no Atlético sempre demonstrou ter técnica acima da média. Seu início, no entanto, não foi positivo e para o jogador render mudanças vêm sendo feitas.


Com a cessão de Elias à Seleção Brasileira que disputa a Copa América, Tite teve que rearranjar seu time para a sequência inicial do Campeonato Brasileiro. Quem renasceu, com isso, foi Cristian, volante que a despeito da notória identificação com o torcedor do Timão não se apresentara bem desde seu retorno, após a saída do Fenerbahçe. Assim, o treinador do Timão consolidou uma marcação mais forte na contenção, alinhando-o com Bruno Henrique, o que dentre outros fatores vem permitindo que Guilherme tenha liberdade para criar.

Além disso, a chegada de Marquinhos Gabriel, que vem compondo o lado direito do meio-campo ofensivo alvinegro, ajudou a dar mobilidade ao setor, dando ao ex-meia do Galo opções para jogar e importante alternativa para receber seus preciosos lançamentos e passes açucarados.

Pelo outro flanco, há mais sacrifício sendo feito em prol de Guilherme. Contra sua preferência posicional, Giovanni Augusto, outro ex-atleticano, vem atuando aberto. Por não ser agudo e veloz como Marquinhos, o camisa 17 ajuda mais na recomposição defensiva quando o Corinthians é atacado, deixando Guilherme com poucas responsabilidades defensivas.

Mais à frente, a recente ausência de um centroavante de ofício, muito em razão da falta de acerto técnico de André, é mais um ponto que vem auxiliando Guilherme. Embora individualmente Luciano – opção que vem jogando – não esteja em seu melhor, o fato de se movimentar muito abre espaços nas retaguardas adversárias; tudo o que o criador corintiano precisa para prover seus passes especiais.

É bem provável que o Timão sofra a perda do bom zagueiro Felipe, ligado à transferência ao Porto, e outros jogadores, como o lateral Fagner, que faz excelente temporada, também são sondados por equipes estrangeiras. No entanto, com a aparente definição de um novo padrão tático por parte de Tite, a troca de uma ou outra peça já não deve afetar gravemente o acerto do Corinthians. Neste momento, as peças estão se encaixando e o time voltou a conseguir resultados, sem precisar repetir o estilo de 2015, que não dispunha de um atleta com a visão de jogo de Guilherme, mas mostrava empenho coletivo de todas as peças, regidas por Renato Augusto.

Com a bola nos pés, é indiscutível o talento de Guilherme, mas diante de uma realidade mundial do futebol, que exige dedicação integral e constante de todos os jogadores, é preciso pensar a melhor forma de encaixá-lo; Tite pensou-a. O camisa 10 do clube paulista não é jogador para ter bom aproveitamento nos passes, no cômputo geral, mas é aquele que com os toques que acerta garante a vitória a seu clube, como o próprio comentou no intervalo da última partida do alvinegro.

“Dei uma bola perfeita para o Marquinhos Gabriel, em outra o Luciano não chegou. Minha função é assim, erra cinco, acerta duas, mas chega ao gol”, disse.

Sem responsabilidades defensivas e com companheiros dando oportunidades e abrindo espaços nas defesas rivais, Guilherme vai desencantando e encantando o torcedor do Corinthians, que chegou a preocupar-se com uma incômoda sequência de cinco jogos sem vitórias que se apresentou ao atual campeão brasileiro. Longe das lesões que tanto o atrapalharam nos últimos anos, ganhando confiança e entrosamento com seus companheiros, o jogador vai mostrando porque vale a pena apostar em seu futebol e até mesmo criar uma forma de jogo que potencialize seu desempenho.

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