sexta-feira, 22 de julho de 2016

As muitas questões acerca do novo Manchester United

Desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, o Manchester United vem sofrendo para mostrar identidade e um jogo capaz de competir no mais alto nível do futebol europeu. David Moyes fracassou retumbantemente nessa missão e, mesmo tendo feito boa Copa do Mundo em 2014, Louis van Gaal também. A ingrata tarefa agora está nas mãos de José Mourinho. Para isso, o português recebeu contratações interessantes, conta com a presença de alguns garotos com rodagem e velhas referências.



A primeira grande expectativa, não há como ser diferente, fica a cargo da forma como o Special One organizará seu time. Com ideias bem distintas das nutridas por van Gaal, notoriamente mais conservadoras, é possível imaginar previamente alguns quadros. É difícil vislumbrar, por exemplo, a continuidade de Daley Blind como zagueiro. Nesta função, o holandês simplesmente não se encaixa no estilo que o treinador sempre demonstrou ser sua preferência – é baixo e não se destaca nos atributos prevalentes para um jogo mais físico.

Além disso, após boa temporada, dificilmente Chris Smalling não terá seguro um lugar no onze inicial dos Red Devils e o clube acaba de gastar respeitável quantia na contratação de Eric Bailly, ex-beque do Villarreal, limitando o espaço do holandês.

Outro fato difícil de discutir é a presença de Zlatan Ibrahimovic e de Henrikh Mkhitaryan (foto) no time titular. Desde a queda de forma sofrida por Robin van Persie, o time tem sofrido com a ausência de uma referência confiável no ataque. Ibra chega para resolver esse problema até mesmo porque após a saída do holandês e da aposta fracassada em Falcao García, foi tentado um retorno de Wayne Rooney à posição do início de sua carreira, sem sucesso todavia.

A questão que se impõe é a necessidade de dar continuidade a Marcus Rashford (foto), garoto que terminou a temporada passada como titular, registrando sólidos números. Mesmo com quase 35 anos completados, Ibra deve tirar muito do espaço conquistado pelo jovem, algo que Mou terá que saber gerir.

Leia também: O meteoro Rashford

Por sua vez, o meio-campista armênio recém-chegado do Borussia Dortmund será o responsável por uma missão muito clara: quebrar o "gesso" que muitas vezes caracterizou o jogo do United em 2015-2016. Extremamente instável, Juan Mata (que deve deixar o clube) não conseguiu se transformar em ponto de desequilíbrio das marcações adversárias. Memphis Depay, aposta de van Gaal, igualmente não correspondeu e tudo aquilo que fugiu do esperado foi criado pela figura de Anthony Martial, geralmente pelo lado esquerdo do ataque. Muito pouco para uma equipe como os Red Devils.

Com isso, de antemão é possível visualizar um setor de criação com Mkhitaryan pela direita, Rooney pela faixa central e Martial pelo lado esquerdo. Sobre o inglês, especificamente, o português já indicou como pretende aproveitá-lo:

“Talvez ele não seja um atacante, não mais um número nove, mas para mim ele nunca será um número seis [volante], jogando 50 metros distante do gol”.

Apesar de tudo isso, há um ponto que pode ser crucial e quanto ao qual não há qualquer definição: Bastian Schweinsteiger faz, ou não, parte dos planos de José Mourinho? A qualidade do alemão não entra em discussão. Sua forma física, por outro lado, sim. O camisa 31 esteve irreconhecível na última temporada e tem saída fortemente especulada. Se ficar, é nome para assumir a titularidade.

Em outra análise, é preciso dizer que Mourinho sempre demonstrou apreço por volantes de contenção. Foi assim com Costinha no Porto, Claude Makélélé em sua primeira passagem pelo Chelsea, Esteban Cambiasso com a camisa da Internazionale, Sami Khedira no Real Madrid e Nemanja Matic no retorno ao Chelsea.

Há alguém com esse perfil no Manchester United? No momento, não. Esta é outra interrogação no que concerne à aplicação das ideias do português a seu novo clube. Todos os atletas dessa posição no elenco – Michael Carrick, Marouane Fellaini, Morgan Schneiderlin e até Ander Herrera – são mais reconhecidos pela qualidade na saída de bola, com bom passe, do que propriamente por uma marcação mais apertada e eficiência nos desarmes. Tentará o manager uma contratação para a função?

Outro questionamento fica a cargo da forma como os garotos do clube, alternativa recorrentemente usada por van Gaal, serão tratados por José Mourinho. Embora Rashford e Jessé Lingard tenham sido os únicos que realmente conquistaram espaço no time, outras peças, como Cameron Borthwick-Jackson, Guillermo Varela, Timothy Fosu-Mensah (foto), foram aproveitadas. O treinador português não tem um longo histórico no que concerne ao aproveitamento de garotos. Sobre isso, no entanto, Mourinho já deu resposta:

“Vocês sabem quantos jogadores das academias já promovi? 49”, disse em sua apresentação ao clube. Apesar disso, poucos são os nomes que realmente tiveram espaço em suas equipes e construíram carreiras sólidas.

Se há algumas “certezas” no que toca ao time que podemos esperar de Mourinho, com uma estrutura muito sólida e as presenças de Mkhitaryan, Ibrahimovic e Bailly, várias são as dúvidas em outras áreas. Até o início da temporada ficamos apenas com breves indicativos dados por suas contratações e falas. Um dos mais vitoriosos treinadores da história, Mou sabe e já afirmou que trabalhar no United é “um trabalho que todos querem e poucos tem a chance de ter”, estando ciente também da “responsabilidade e da expectativa”.

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