segunda-feira, 25 de julho de 2016

Com ou sem título, Independiente Del Valle é vencedor

“Futuro campeão do Equador”. É diante destes dizeres que os jogadores do Independiente Del Valle, pequeno clube equatoriano, atuam quando em seus domínios. Com pouco menos de 60 anos de vida, os Negriazules somente conheceram a divisão de elite de seu país em 2010, tudo em função da forma como se estruturaram, o que lhes permitiu chegar à final da Copa Libertadores da América sem nunca ter alcançado o lugar mais alto do pódio em seu país.



A despeito de outro de seus lemas ser “nunca deixe de sonhar”, o clube equatoriano vem fazendo ao longo dos últimos anos muito mais do que aquilo que cabe em um sonho. Tudo começou com sua venda a um grupo de empresários, em 2006.

Contando com um centro de treinamentos de causar inveja a grande parte dos clubes do continente e adotando conduta voltada para o desenvolvimento de jovens prospectos, o clube definiu com precisão sua diretriz e já colhe frutos. Ao contrário de outras surpreendentes campanhas que a América já viu em sua maior competição continental, a chegada do clube equatoriano à final do certame não é obra do acaso.

Comandado pelo uruguaio Pablo Repetto (foto) desde 2012, o clube aposta todas as suas fichas no trabalho a longo prazo feito em seu centro de formação de atletas e, igualmente, na descoberta de jogadores de potencial que ainda não despontaram. Com uma estrutura de reconhecida qualidade, o clube vem conseguindo solidificar sua proposta. De suas instalações saíram alguns dos jogadores de maior destaque do país, casos por exemplo de Jefferson Montero e Juan Cazares. Um terço do orçamento total da equipe é destinado à base, que começa a receber seus jovens aos 12 anos.

Outra prova do sucesso da equipe é vista quando observamos a Seleção Equatoriana. Nos últimos tempos, muitos atletas foram lembrados, casos de Arturo Mina, Librado Azcona, Luis Caicedo, Bryan Cabezas, Junior Sornoza, Jefferson Orejuela, Jonathan González e José Angulo – isso sem citar outras peças formadas no clube e que integram os planteis de outras equipes atualmente.

No campo, ofensivamente o time equatoriano atua em um 4-2-3-1, que se transforma em 4-4-2 na fase defensiva. Com muita compactação, o time baseia seu sucesso na consciência coletiva, contando com a constante movimentação e aproximação de quem não tem a bola, dando opções a quem a domina e se recompondo com rapidez quando atacado.

Há também destaques individuais. Fortíssimo fisicamente, rápido e imponente na bola aérea, o zagueiro Mina (foto) é um deles. Outros são o meia Sornoza, grande referência de criação, e os pontas Cabezas e Angulo, que aliam habilidade, velocidade e muita movimentação.

Atuando assim, o time passou a surpreender e ganhar a admiração do mundo. Não é tarefa para qualquer um eliminar River Plate, atual campeão, e seu rival, Boca Juniors, no caminho à final. Vale ressaltar que, a despeito do natural respeito que existe quando se defronta equipes do tamanho de seus rivais argentinos, o time não se intimidou em momento algum. O Independiente Del Valle mostrou uma confiança que só aqueles que estão certos de que estão no melhor caminho são capazes de revelar.

Recentemente, os Negriazules também deram mais um exemplo: após presenciar a ocorrência de um terremoto que vitimou mais de 600 pessoas no Equador, o Independiente, ciente de que não poderia atuar em seu modesto estádio conforme avançava na Libertadores, convocou o público de toda a nação a apoiá-lo a partir da partida contra o River Plate. Mas como? Propondo-se a doar toda a renda às famílias vitimadas.

Se antes seria difícil encher o Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, o clube conseguiu não só lotá-lo como ganhar a simpatia de todo o país. Repetiu a ação contra Pumas, Boca e na primeira partida da final, contra o Atlético Nacional, e as cifras se aproximaram de um milhão de dólares.

Terceiro clube de seu país a chegar à final da Copa Libertadores da América, o time pode conquistar um feito impensável. Apesar disso, mesmo se o título não vier, é impossível pensar em fracasso. Equipe modesta, com princípios e ideias bem definidos e seguidos, o Independiente Del Valle, agora também chamado de El Mata Gigantes, mostra ao futebol sul-americano, carente de boas ideias e modelos, que é possível obter êxito mantendo os pés no chão.

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