segunda-feira, 18 de julho de 2016

Kanté é a aposta em um novo Chelsea

Lá se vão mais de 10 anos desde que o Chelsea passou a ser comandado pelo magnata russo Roman Abramovich. Nesse tempo, muitas contratações trouxeram importante impacto e deram contributo de imensurável valia nas conquistas que se somaram. Uma delas, que muitas vezes não recebe a devida lembrança mas foi vital, foi a do volante francês Claude Makélélé, a “bateria do time” – como veio a ser chamado por Claudio Ranieri, seu primeiro técnico em Londres. Hoje, sob a tutela de outro italiano, Antonio Conte, o Chelsea aposta muitas fichas em sua nova bateria: N’Golo Kanté.



Críticas foram feitas aos Blues na temporada última. Dentre elas, disse-se que as peças capazes de desequilibrar estiveram adormecidas, faltou vibração, a confiança caiu e todos os setores da equipe se desequilibraram em relação ao vitorioso escrete da temporada 2014-2015. A crise foi pesada. José Mourinho, ídolo eterno do time, perdeu seu emprego e Guus Hiddink veio ao socorro de um grupo perdido, já sabendo que ficaria por pouco tempo. Antonio Conte logo foi anunciado o treinador para a temporada 2016-2017.

Renova-se agora a boa relação do clube londrino com italianos, algo que passa pelas figuras de Ranieri, Carlo Ancelotti, Roberto Di Matteo e, mormente, de Gianfranco Zola. Todavia, críticas foram feitas à escolha de Conte, sobretudo tendo por base a proposta de jogo que o consagrou na Juventus. Trocar Mou pelo italiano representou para muitos uma troca inócua. A despeito disso, o desempenho da Itália na Euro 2016, justamente comandada por Conte, calou parte da crítica e a contratação de Kanté vem na mesma direção.

Dizer que o time do Chelsea é fraco é um delírio. Por isso foi tão difícil entender a queda ocorrida de um ano para o outro. Repentinamente, Nemanja Matic deixou de ser o melhor volante da Premier League, Cesc Fàbregas o grande assistente e Diego Costa o goleador. Sobrou até para a “entidade” John Terry. Em contexto oposto, Kanté chega cheio de confiança; 2015-2016 foi inesquecível para o volante francês.

Um dos protagonistas do imenso feito do Leicester City, o meio-campo viu sua carreira subir vários patamares. Admirado pelo mundo e novo membro da Seleção da França, Kanté se viu iluminado pelos holofotes da bola. Não é para menos: seus feitos foram incríveis. Como poucas vezes o futebol pode acompanhar, “carregou o piano” da surpresa e nunca o deixou cair. Muito do que faltou ao Chelsea no último ano sobrou aos Foxes justamente em função da presença de Kanté.

Inesgotável, o francês do Leicester de Ranieri foi a bateria equivalente à que o mesmo italiano comandou há treze anos no Chelsea e que faltou ao time atual. É arriscado fazer comparações, mas neste caso elas são inevitáveis: Kanté chega para ser no presente o que Makélélé foi no passado, a formiguinha que, como na fábula em que contracena com a cigarra, trabalha duro para que sempre se encontre em boas condições, a todo tempo preparada para as adversidades. Os espaços que os Blues concederam na temporada passada foram justamente aqueles que Kanté tapou pelo lado dos Foxes. Sua contratação é um acerto.

Nunca é possível prever o impacto de uma contratação, mas a chegada do volante mostra os caminhos que Conte pretende para o clube, reconstruindo sua fundação, primeiramente. Kanté já conhece a Premier League e representa a procura inicial pelo alcance da estabilidade defensiva do time, algo que marcou os trabalhos do italiano na Juve e com a Squadra Azzurra. Na mesma proporção de sua ascensão em 2014-2015 o Chelsea caiu em 2015-2016. No entanto, boa parte das peças necessárias à reconstrução do time já estão lá. Kanté chega para ser a figura incumbida de reagrupá-las.

No Leicester, o jogador mostrou uma capacidade impressionante para estar sempre por perto das ações do jogo. Além de um marcador primoroso com uma capacidade de desarme soberba, o volante se mostrou uma engrenagem capaz de fazer o restante se mover com precisão, tudo porque conseguiu estar por perto de seus companheiros e se oferecer como alternativa a todo momento. Sua capacidade para estabilizar o time impressionou e foi mais um de seus diferenciais.

“A oportunidade de trabalhar com Antonio Conte, um treinador brilhante, e alguns dos melhores jogadores do mundo era simplesmente boa demais para recusar. Minha primeira temporada no futebol inglês foi muito especial e agora espero seguir e alcançar ainda mais em meu tempo como jogador do Chelsea”, disse o jogador ao site oficial do clube.

Como Makélélé (foto) fez outrora, Kanté promete garantir segurança a seus companheiros, seja como marcador ou enquanto peça capaz de coordenar a estrutura do coletivo. Não há ninguém no elenco azul com tais características e esta é a razão que nos permite aferir que a chegada do francês é a grande prova de que podemos esperar um novo Chelsea, provavelmente mais aguerrido e organizado com relação ao da última temporada, em que somente a estrela de Willian brilhou verdadeiramente.

Kanté é uma aposta em prol da melhora de marcação do time, mas, sobretudo, uma tentativa de recuperação do restante de um elenco de qualidade, mas sem confiança.

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