sexta-feira, 8 de julho de 2016

Que cara podemos imaginar para o PSG de Emery?

2016-2017 será um ano de muitas mudanças no Paris Saint-Germain. Após construir hegemonia na França, mas falhar sucessivas vezes na UEFA Champions League, o clube parisiense trocou de comando e perdeu sua maior estrela. Isso, por si só, já nos permitiria imaginar o fluxo de novos ares nos Parisiens, mas além disso as escolhas que vêm sendo feitas também dão margem para tal análise. Ex-Sevilla, o atual tricampeão da Europa League, Unai Emery, terá a missão de construir um time que busca ser campeão continental e não conta mais com seu grande astro, Zlatan Ibrahimovic.



De início é possível dizer que a filosofia de trabalho do treinador basco muito bem se amolda aos predicados técnicos e características de seus comandados. Emery sempre gostou de ter um time organizado taticamente e liderado por peças com boa técnica e passe. Por isso, trouxe seu mais fiel escudeiro no Sevilla, o polonês Grzegorz Krychowiak (foto), a antiga espinha dorsal dos Rojiblancos

Provavelmente, caberá a ele a função anteriormente exercida por Thiago Motta, que aos 33 anos dificilmente conseguirá ser figura tão presente durante a temporada. O polaco recém-chegado foi brilhante no período em que representou o Sevilla, sendo muito seguro, capaz de manter o restante da equipe organizado e apto a fazer excelente saída de bola.

Aliás, é bom dizer que em uma primeira análise, o esquema tático de Laurent Blanc, ex-comandante do PSG, deve ser mantido, uma vez que se encaixa na proposta que Unai vem desenvolvendo ao longo de sua carreira.

Leia também: Krychowiak, a espinha dorsal do Sevilla

Ainda no meio-campo, Marco Verratti provavelmente fará função semelhante à exercida por Ever Banega no Sevilla de Emery. O meio-campista italiano é a peça mais talentosa da meia-cancha e capaz de fazer a ligação entre todos os setores da equipe. Difícil é também imaginar que Blaise Matuidi não mais será titular absoluto, uma vez que embora goste de jogadores de bom trato da bola, Emery jamais desprezou jogadores de forte marcação – basta trazer à memória figuras com Steve N’Zonzi, Gary Medel ou Stéphane Mbia. 

Com isso, um jogador de grande talento e que ao longo dos anos vem lutando para encontrar seu lugar no PSG, Javier Pastore, pode continuar tendo dificuldades. Embora seja habilidoso, não é regular, não tem a consistência de seus competidores e também se diferencia muito do estilo de jogo de Banega, um bom esteriótipo do meia mais ofensivo do tridente habitual de Emery no Sevilla. Se formos mais longe, lembraremo-nos também de Tino Costa, referência do técnico espanhol no Valencia e outra figura que demonstra o que o treinador gosta em seu meio-campo.

No ataque, há uma certeza: finalmente Edinson Cavani será o centroavante e a principal referência ofensiva do time. Opção pelos lados do ataque nos anos em que os parisienses contavam com Ibrahimovic, o uruguaio finalmente terá as oportunidades que tanto clama desde que chegou à França. Uma incógnita, no entanto, fica no ar: quem será o companheiro de ataque de Cavani e Ángel Di María? Há poucos dias haveria poucas dúvidas de que finalmente o brasileiro Lucas Moura ganharia a vaga absoluta com o deslocamento de Cavani, mas o clube fez uma contratação que mudou este quadro: Hatem Ben Arfa (foto).

Tirado do esquecimento na última temporada e disposto a mostrar o que sempre prometeu, o habilidoso jogador brilhou intensamente com a camisa do Nice. Principal referência do time, jogou 34 partidas na Ligue 1, anotou 17 gols e criou seis assistências. Seus números foram brilhantes, mas em uma equipe que concentrava todo o jogo em sua figura. Aparentemente, o atleta deixou seu passado conturbado para trás, mas, de volta aos holofotes, fica no ar dúvida com relação ao que apresentará no PSG. Pela técnica, é concorrente fortíssimo à titularidade
Na defesa, especificamente na lateral esquerda, Maxwell renovou seu contrato, mas poderá ter forte concorrência. O contrato de empréstimo de Lucas Digne com a Roma se encerrou e ainda não há definição quanto ao seu futuro. Certo é que seu desempenho com a camisa Giallorossi foi ótimo, lhe rendeu um lugar na Euro 2016 e o credencia a retornar.

As únicas posições que devem permanecer inalteradas são a zaga e o gol. Kevin Trapp dificilmente perderá a titularidade na meta (somente se o clube der seguimento a alguns interesses que existiram, mas esfriaram, como em cima do goleiro Thibaut Courtois) e a dobradinha Thiago Silva-David Luiz também. 

Pela ala direita também há novidade. Emery gosta de laterais ofensivos, como ficou evidenciado por suas escolhas durante a carreira – Jordi Alba, Benoit Tremoulinas, Mariano, Coke ou Alberto Moreno refletem bem tal fato – e talvez por isso o clube tenha trazido o belga Thomas Meunier (foto).

O jovem foi o titular de seu país na Euro e não fez mau papel, destacando-se sobretudo em seus avanços. Deve ser dele a titularidade, até mesmo porque Gregory van der Wiel, que nunca entregou o futebol dele esperado, partiu para o Fenerbahçe e Serge Aurier perdeu espaço no elenco após protagonizar polêmica em que criticou companheiros e seu ex-treinador.

No campo, acredito que o Paris Saint-Germain de Unai Emery será mais organizado em relação ao de Laurent Blanc, trabalhará melhor a bola e será mais ofensivo. Cavani não deverá buscar tanto o jogo quanto Ibrahimovic, portanto os meias terão mais trabalho ofensivo. Apesar disso, a grande velocidade do uruguaio certamente será explorada em enfiadas de bola nas costas das defesas adversárias, o que muito se viu em Sevilla, com Kévin Gameiro e Carlos Bacca. Di María e o outro jogador que atuar mais avançado provavelmente serão acionados a todo momento, sempre ajudados pelos avanços dos laterais, outro aspecto peculiar do jogo do Sevilla de Emery – Coke e Aleix Vidal, por exemplo, não nos deixam mentir.

O time ainda busca um astro no mercado. Os rumores mais recentes apontam duas figuras como as mais pretendidas: Paul Pogba e Antoine Griezmann. No entanto, ambos são negócios difíceis de ser concretizados. O meio-campista da Juventus é desejado por uma infinidade de clubes e o atacante do Atlético de Madrid acaba de renovar seu contrato com os Colchoneros. É claro que se vierem serão titulares, mas não alterarão muito a estrutura tática de Emery.

O treinador recentemente disse inclusive que suas necessidades estavam supridas com as recentes contratações:

“Hoje, todas as necessidades estão cobertas. O clube precisa ajudar os jovens a crescer, e para mim todos devem ter chances”, revelou em entrevista coletiva.

Será Unai Emery o comandante do tão sonhado título europeu? Impossível dizer. A única certeza é que o Paris Saint-Germain fez excelente aposta. Poucos treinadores demonstraram tanta consistência e evolução em solo europeu nos últimos anos. Mesmo perdendo peças importantes ano após ano em seu tempo no Sevilla, o basco nunca abriu mão de sua proposta de jogo ofensiva e de seus princípios. Sem ter mais que se preocupar com dinheiro, o treinador pode dar o salto de qualidade que precisa e, de quebra, conduzir o PSG ao sonho continental.

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