quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A fase artilheira de Robinho

Quando chegou ao Atlético, Robinho foi comparado a Ronaldinho Gaúcho, que, quatro anos antes, também desembarcou na Cidade do Galo em baixa. Embora a qualidade de ambos não tenha sido o alvo da citada comparação, as situações vividas pelos talentos o foram. Passados alguns meses desde sua chegada, como R10, Robinho vem correspondendo às expectativas com a camisa alvinegra, revelando algo que não se esperava, todavia: sua veia goleadora. As pedaladas tão peculiares ao camisa 7 vêm dando lugar aos gols.



Com 35 partidas disputadas na temporada, a cria do Santos foi às redes 20 vezes. Apenas uma a menos do que os maiores artilheiros do Brasil no ano – Rodrigão, atualmente no Santos, Kléber, do Coritiba e Anselmo, do Fortaleza. Em 2016, o jogador vai mostrando impressionante poder de decisão. Mesmo sem ter conseguido ser brilhante no Galo, Robinho vem mostrando importante qualidade à frente das balizas adversárias, com ótimo posicionamento e acuidade nas finalizações.

Para se ter uma ideia do que isso representa, de 2011 até o presente ano, apenas Lucas Pratto, em 2015, marcou mais gols que Robinho em um ano completo com a camisa do Galo – um total de 23. Magno Alves (2011 – 18 gols), Bernard (2012 – 15 gols), Jô (2013 – 19 gols) e Diego Tardelli (2014 – 19 gols) já ficaram para trás.

Algumas estatísticas corroboram o exposto. No Brasileirão de 2016, o atacante arriscou 24 chutes, acertando 16 no gol e computando nove tentos. Seu aproveitamento nesse fundamento é de 66,6%, um dos melhores de todo o campeonato. No drible, seu desempenho também é bom, com 63% de acerto, mas chama atenção o fato de que o atleta tentou apenas 11, deixando ainda mais evidente o fato de estarmos diante de um “novo Robinho”. Para completar, na competição tem quatro assistências. 

Normalmente, o atacante atua na faixa esquerda do ataque alvinegro, ladeado por Lucas Pratto, Fred e Maicosuel, usualmente postado mais à direita. Contudo, diante das necessidades por que passou o Atlético durante o ano, o atacante de 32 anos chegou a fazer as vezes de camisa 10, na criação, e de “falso 9”, circulando pelo ataque como referência.

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Diante disso, muito tem sido dito sobre uma possível volta do atacante à Seleção Brasileira. Pelos gols, é válido considerar, mas não se pode mais esperar explosão, dribles provocantes e arrancadas fulminantes do jogador. Hoje, Robinho é muito mais uma referência, um jogador útil para desafogar o jogo – até mesmo pelo fato de que conserva a ótima técnica no domínio de bola e passe – do que propriamente um atleta que desestabiliza as defesas rivais e constrói jogadas de intenso brilho.

É claro também que ainda provoca euforia no torcedor em alguns lances de grande imprevisibilidade em que demonstra muita destreza no comando da bola. Não obstante, estes têm sido raros. Sua realidade atual é outra e seu perfil muito menos individualista. O atacante dialoga com seus companheiros de ataque com muita propriedade nas ações ofensivas do Galo e isso tem ajudado sobremaneira no funcionamento do setor. Na recomposição, todavia, pouco auxilia.

Pelo exposto, não existe muita dúvida de que, ao menos desportivamente, a chegada de Robinho ao Atlético foi positiva.

Muito se diz que o jogador mostra dificuldade para ser decisivo em partidas importantes, como na disputa da Libertadores da América e nos confrontos diretos pelas primeiras posições no Brasileirão. De fato, é verdade que o jogador não é exemplo de regularidade, mas é preciso ressaltar que ele não é para o time o que Ronaldinho ou Diego Tardelli foram em um passado recente. Há divisão de tarefas e responsabilidades na criação e finalização das jogadas, não existindo a figura de uma grande estrela que se sobreponha aos demais atletas.

É nesse sentido que também tem entendido o treinador Marcelo Oliveira:

“Não podemos reclamar do nosso poder ofensivo. Estamos adaptando com esses dois jogadores (Fred e Pratto). Eles são dois atacantes e compensamos trazendo Robinho ou o Maicosuel para dentro. É uma nova forma de jogar. A parte ofensiva está boa, não precisa de modificações, precisamos de ajustes”, disse Marcelo Oliveira em entrevista coletiva após o jogo contra a Chapecoense.

Trocando o brilho dos dribles pela objetividade dos gols, Robinho vai fazendo bom ano com a camisa do Atlético. Se não se tornou o craque que muitos esperavam, segue sendo um jogador muito útil, ainda possuindo talento, proporcionando ocasiões de gol, balançando as redes e mostrando muito entendimento técnico-tático com seus companheiros de ataque. Seu melhor momento passou e suas características mudaram, o que não o impede de seguir desequilibrando partidas.

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