sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O heroico início de temporada do Hull City

A temporada 2015-2016 da Championship, segunda divisão do futebol inglês, ficou marcada pelos retornos de Middlesbrough, Burnley e do Hull City à Premier League. No entanto, a despeito da alegria pelo acesso, no caso do último se instalou perigosa crise e, rapidamente, os Tigers passaram a ser apontados como candidatos fortíssimos ao rebaixamento. Contra tudo isso, o clube começou bem a temporada atual.



Atualmente, há problemas graves de relacionamento entre torcida e os proprietários do clube. Em primeiro momento, a família Allam, que controla-o, tentou mudar o nome do mesmo para Hull Tigers, mas, não conseguiu, tendo a modificação sido recusada pela FA, entidade que controla o futebol na Inglaterra; pouco tempo depois, modificou sua política com relação aos sócios-torcedores, gerando ainda mais a ira dos torcedores. O ponto máximo da crise foi o pedido de demissão do treinador Steve Bruce, extremamente popular entre os adeptos, às vésperas do início da Premier League.

No momento em que se iniciou a competição, o clube era o único que não havia feito qualquer contratação para a temporada, tendo perdido um de seus destaques, Mohamed Diamé, para o Newcastle. Na partida inaugural, contra o Leicester City, atual campeão da EPL, com muitos lesionados, o clube seguiu com técnico interino e sequer conseguiu compor o banco de reservas, levando apenas dois jogadores profissionais e um grupo de juniores. Foi aí que a esquadra começou a mostrar brio.

Contra os comandados de Claudio Ranieri, os Tigers lutaram bravamente e conseguiram vencer, 2x1, com gols de Adama Diomandé e Robert Snodgrass, dois de seus melhores jogadores. Passadas quatro rodadas, ocupa a oitava colocação, tendo vencido ainda o Swansea City, fora de casa, perdido pela margem mínima para o Manchester United (somente sofrendo o gol da derrota aos 92 minutos) e empatado com o Burnley, fora de casa.

“Créditos aos meus jogadores, eles foram heroicos. É preciso estar comprometido com o que se trabalha e ter algum tipo de identidade. Penso que os jogadores do Hull City atuaram magnificamente em todos os setores”, disse em entrevista coletiva um orgulhoso Mike Phelan, treinador interino do clube, após a derrota para os Red Devils.

Acabaram chegando novas e úteis contratações e a crise vem sendo mitigada. Para o gol, desembarcou David Marshall, ex-Cardiff e um dos melhores arqueiros da temporada 2013-2014 na Inglaterra, os meio-campistas Markus Henriksen, um dos pilares da Seleção Norueguesa, e Ryan Mason (foto), ex-Tottenham, com passagem pelo English Team e contratação mais cara da história do clube, além do forte centroavante Dieumerci Mbokani, ex-Norwich. Bons nomes para um clube que não conta com grande orçamento e elenco enxuto. 

No campo, vê-se um time impressionantemente aplicado. Os destaques individuais são os citados Snodgrass e Diomandé, além do centroavante uruguaio Abel Hernández e do goleiro Eldin Jakupovic. Entretanto, impressiona a forte marcação que o clube imprime e nesse sentido Tom Huddlestone e Jack Livermore têm sido vitais. O esquema tático aproxima-se de um 4-5-1 e, na prática, apenas Hernández (foto) permanece mais à frente quando o clube é atacado. 

Somente contra o Burnley o clube teve mais posse de bola que o adversário, tendo chegado a apenas 33% contra o United e obrigando o Leicester City, equipe habitualmente reativa, a permanecer mais tempo com a pelota. Não à toa concedeu apenas três gols na competição até o momento, marca que só é superada por Everton e Tottenham, que concederam dois . 

O time tem mostrado total consciência do que precisa fazer para permanecer na elite do futebol inglês e muita grandeza, superando aos poucos a crise e trazendo o torcedor, que reconhece tudo isso, para seu lado. Outra mostra de que é fortíssimo enquanto coletivo é o fato de que já marcou três gols em bolas paradas (todos em cobranças de escanteios). Isso é vital, sobretudo diante de um quadro em que o clube enfrenta dificuldades para criar chances de gols; é apenas o quarto que menos as construiu.

De mais a mais, segue sendo treinado por seu interino e não há sinalização quanto à possibilidade contratação de outro comandante. Até onde vai o Hull City?

Com um início de temporada muito bom e totalmente inesperado, o clube vai dando passos importantes para afastar os prognósticos que garantiam seu rebaixamento ao final da temporada e tem conseguido reconquistar seu torcedor, totalmente descrente em relação à direção, mas identificado com o poder de luta que a equipe tem demonstrado. Por isso, é impossível não considerar heroico o início de temporada dos Tigers.

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