segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Balotelli e o sucesso do Nice

A temporada 2015/16 teve grande destaque para o modesto Nice. Embora não tenha conseguido lutar pelo título francês, alcançou um fantástico quarto lugar com um orçamento exíguo e relançou aos olhares do mundo a habilidade de Hatem Ben Arfa (que se transferiria ao PSG), outrora tido como jogador problemático, mas que se recuperou em seu retorno à França. No início da campanha atual, a situação tem se mostrado ainda melhor, com a liderança da Ligue 1 e a sinalização de que mais um jogador-problema pode ser recuperado: Mario Balotelli.



Ele tem apenas 26 anos, mas até pouco tempo já era dado por muitos como um caso perdido. Why always me? Perguntava-se o italiano ainda nos tempos de Manchester City, mencionando o fato de que sempre protagonizava páginas polêmicas nos jornais esportivos europeus. Após tanto tempo, a resposta poderia ser um simples “porque sim”, que tradicionalmente os pais usam em relação a seus filhos. Balotelli (foto) simplesmente não conseguiu se adaptar plenamente a nenhuma das agremiações em que atuou, sempre estando no centro de controvérsias.

É claro, houve bons momentos com as camisas de Inter de Milão, City e Milan, além da famosa veste azul da Seleção Italiana, mas o ônus de ter um atleta tão complicado e caro passou a superar o bônus de contar com seu talento e ninguém mais considerava o italiano boa opção. O Nice o fez e colhe bons frutos.

Em sete partidas com a camisa rubro-negra da agremiação do sul francês, Mario foi às redes sete vezes e não foram em partidas quaisquer, mas em vitórias significativas contra Olympique de Marselha e Monaco, por exemplo. Em encontros do Campeonato Francês, 86% de suas finalizações acertam o alvo.

“Sabemos que ainda há muito trabalho a ser feito com Mario em seus movimentos, para jogar com o time (...). Ele precisa continuar assim. Quando perceber isso, retomará seu melhor, se for profissional da cabeça aos pés. Após alguns anos difíceis, a recuperação será a chave para recolocá-lo no topo. Pouco a pouco, estamos tentando ajudá-lo a se tornar mais forte”, disse o treinador Lucien Favre em setembro último.

Mas nem só de Balotelli vive o sonho dos Aiglons. Outros atletas que haviam mostrado qualidades em algum momento de suas carreiras, mas já não viviam bom momento há tempos, voltaram a se destacar no Nice. Peça importante no Montpellier campeão francês em 2011/12, o meia Younès Belhanda voltou a revelar suas qualidades, esquecidas desde sua saída da esquadra francesa para o Dynamo Kyiv. Outro atleta com esse perfil é o zagueiro brasileiro Dante, titular absoluto desde que voltou ao futebol francês, após anos na Bélgica e, sobretudo, na Alemanha.

Há também jogadores jovens vivendo ótimo momento. Nesse sentido, é preciso citar a forma do atacante Alassane Pléa (foto abaixo), cria do Lyon, clube que nunca lhe deu chances de verdade. Versátil, podendo atuar como centroavante ou pelos lados, o francês, que tem passagens pelas equipes de base da França, já anotou oito tentos em 14 partidas nessa temporada.




Outro que tem se destacado é o voluntarioso meio-campista Wylan Cyprien, de 21 anos, recém-chegado do Lens. Na Ligue 1, o franco-guadalupense tem média de 88% de aproveitamento de passe, já marcou cinco vezes em 14 jogos, possui 54% de aproveitamento nos desarmes e consegue o absurdo percentual de 94% de sucesso nas recuperações de bola. Sua chegada foi excelente reposição à saída de Nampalys Mendy, que seguiu para o Leicester City.

O jogo da equipe é sólido na defesa, com três zagueiros, veloz pelas laterais, móvel no meio-campo e talentoso na frente. Em resumo, vale dizer que é agradável ver o Nice jogar. A mescla de experiência e juventude, imprevisibilidade e consciência tática, talento e vontade tem sido excelente.

Boa parte do sucesso vivido pelo clube nas últimas temporadas também se deve ao acerto na hora de escolher o treinador. Entre 2012-2016, Claude Puel, atualmente no Southampton, foi o responsável, criou uma base, definiu um estilo e ideia de jogo e construiu um sólido modelo. Aliás, o bom momento vivido pelos Saints na Premier League é só mais uma prova da capacidade do antigo comandante da equipe francesa.


Com sua saída para a Inglaterra, aliás, o Nice foi preciso novamente. Chegou Lucien Favre, o grande responsável pelo renascimento do Borussia Mönchengladbach, que em 2015/16 retornou à disputa da UEFA Champions League, após longo período adormecido. Igualmente adepto do jogo bem jogado, vem dando continuidade ao trabalho iniciado em 2012.

Fortíssimo no cenário francês da década de 50, o Nice é um time tradicional, mas há muito não mostrava força. Com 11 rodadas disputadas, os rubro-negros seguem invictos e seis pontos à frente de Monaco e PSG, segundo e terceiro colocados, respectivamente. Têm também o segundo melhor ataque da competição, com 24 tentos marcados, e a segunda melhor defesa, com apenas oito sofridos. 

Nos últimos tempos, Lille e Montpellier conquistaram o título francês sem serem favoritos. Terá chegado a vez de o Nice voltar ao topo? Virá a redenção de Balotelli no menos poderoso dos times que já representou? O caminho na Riviera Francesa vem sendo traçado nesse sentido.

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