terça-feira, 8 de novembro de 2016

A sábia escolha de Moussa Dembélé

Acumulam-se os anos de más campanhas do Fulham em solo inglês. A despeito disso, algo que tem sido atribuído positivamente ao clube nos últimos tempos é a capacidade para formar jovens jogadores de qualidade. Contratado junto ao Paris Saint-Germain com apenas 16 anos, Moussa Dembélé era mais um desses expoentes - um atacante rápido, de grande movimentação e boa finalização à frente das balizas adversárias. A despeito disso, os Cottagers viram seu prospecto partir sem custos para uma empreitada no futebol escocês; Hoje acompanham a adaptação meteórica do jogador ao uniforme alviverde do tradicionalíssimo Celtic.


Se, por um lado, o Fulham vinha sofrendo na Championship, a segunda divisão inglesa, tendo flertado com o descenso ao terceiro escalão nas últimas duas temporadas, por outro, o Celtic tem sido hegemônico em seu país. Sobretudo desde a falência de seu grande rival, o igualmente tradicional Rangers, os Celts empilham glórias – atualmente, o clube acumula cinco títulos escoceses consecutivos. Embora a competitividade da Scottish Premiership esteja longe de ser grande, o cenário tem se mostrado muito favorável ao desenvolvimento de Dembélé, que já havia se destacado na temporada passada.

Em seu último ano com a camisa do Fulham, Dembélé foi instrumental para evitar a queda do clube à League One. O time do simpático estádio Craven Cottage foi apenas o 20º colocado na Championship. Dos 66 gols anotados pelo clube, 22 tiveram a contribuição do atacante francês (15 gols e sete assistências). Foi esse recorde que abriu os olhos do Celtic para o jogador, que se apresentou como o negócio perfeito: poderia sair a custo zero, era jovem e buscava um clube de maior estatuto e onde tivesse oportunidades.

A Escócia pode até não ser o país dos sonhos para um atleta, mas, bem ou mal, o Celtic é vencedor e disputa a UEFA Champions League. Sua entrevista ao chegar ao clube foi nesse sentido:

“Como um jogador jovem, tenho que conseguir tanta experiência quanto for possível para chegar ao próximo nível. No Celtic, eu sei que posso conquistar troféus e jogar em nível continental. É também um clube enorme, então me sinto bem”.

Aliás, foi na competição continental que o jogador deixou claro para o mundo seu potencial. Em quatro jogos, marcou três tentos, dois deles no poderoso Manchester City, de Pep Guardiola. Sob o comando de Brendan Rodgers, ex-técnico do Liverpool, o garoto tem estado em forma fantástica, assim como o time.

Se em 11 partidas do Campeonato Escocês o Celtic tem 10 vitórias e um empate, Dembélé balançou as redes sete vezes, três delas em uma ocasião mais que especial: o primeiro encontro, desde 2011/12, entre seu clube e o rival Rangers na elite do futebol do país – goleada histórica, 5x1. Ao todo, em 24 partidas já acumula 16 bolas nas redes. Seu repertório é vasto; conta com gols em velocidade, tentos típicos de centroavante e outros derivados de puro talento para se livrar das marcações adversárias.

Curiosamente, no clube de Glasgow voltou a encontrar um velho companheiro da base do Fulham, o talentoso Patrick Roberts, vendido ao Manchester City em 2015 e outro destaque da equipe. Aliás, há mais um ex-Citizen dando o que falar. Tido por muitos como eterna promessa, Scott Sinclair vive excelente momento, com 10 tentos em 20 partidas. Nota-se, com clareza que o time, à Rodgers, é moldado para o ataque e abusa da velocidade, apoiado também na técnica do meia australiano Tom Rogic.

Se trocar a Inglaterra pela Escócia pode não ser uma mudança futebolística muito interessante, deixar o Fulham e se mudar para o Celtic vai se mostrando um grande acerto de Dembélé.

“Ele sabe que é um jogador jovem excelente, mas aos 19 anos também sabe que precisa ir a um clube em que possa desenvolver seu talento, fazer dele um vencedor”, disse Brendan Rodgers em setembro último.

Antes de se mudar para os Hoops, Dembélé esteve ligado a uma transferência ao Arsenal e ao Tottenham, clubes evidentemente mais relevantes no cenário internacional, atualmente. No entanto, o atacante francês, que tem representado o time sub-21 dos Bleus, fez uma opção clara: quis garantir que jogaria.

Até o momento, não há qualquer dúvida de que sua escolha foi acertada. Em um universo que potencialmente incluiria jogadores da estirpe de Alexis Sánchez, Theo Walcott, e Olivier Giroud ou em outro, com Harry Kane, Heung-Min Son ou Vincent Janssen, teria o garoto as mesmas chances de atuar?

Evidentemente, a oportunidade de representar Gunners ou Spurs certamente deve ter sido tentadora. Não obstante, com os pés no chão, Dembélé tomou sábia decisão e fez um movimento bom para o futuro de sua carreira, para o Celtic e até mesmo para o treinador Brendan Rodgers, em uma verdadeira situação ganha-ganha.

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