quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A solitária estrela de Payet

Na temporada 2015/16, o West Ham surpreendeu. A equipe do leste londrino só não conseguiu mais holofotes porque, no mesmo ano, um certo Leicester City subverteu a ordem do futebol bretão e conqusitou a Premier League, subjugando os milhões de libras de equipes como Arsenal, Manchester United, City, Liverpool e Chelsea. Voltando o foco ao clube da capital inglesa, naquela campanha, ficou claro o quão talentoso é o francês Dimitri Payet, que segue brilhando com a camisa dos Hammers, mas, desta vez, só. 



É difícil entender com precisão o que se passa no West Ham. O treinador, o croata Slaven Bilic, foi mantido, assim como a base da equipe (de maior importância deixaram o clube apenas o zagueiro James Tomkins e o atacante Enner Valencia). Por outro lado, chegaram reforços de renome e comprovada qualidade, casos, por exemplo, de André Ayew, Sofiane Feghouli, Jonathan Calleri e do italiano Simone Zaza. Nenhum desses se acertou até o momento e a temporada do clube é um desastre, que só não é maior em razão da presença de Payet.

É claro que a mudança de casa pode ter influência importante – o West Ham deixou de atuar em Upton Park e seguiu para o Estádio Olímpico de Londres –, no entanto, esse argumento não parece ter força capaz de sustentar toda a queda que se abateu sobre o clube. Hoje na 13ª posição, a equipe vem flertando com as últimas colocações, sofre para marcar gols e os toma em grandes proporções (seu saldo atual é -12, o quarto pior do certame).

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Em 17 partidas, os Hammers acumulam oito derrotas, quatro empates e cinco vitórias, todas pela margem mínima, 1x0. Dos 19 gols que a equipe marcou, Payet participou diretamente de sete, com cinco assistências e dois tentos. O francês é o jogador da Premier League que mais cria ocasiões de gol, a despeito da concorrência de grandes talentos, como Kevin De Bruyne, Christian Eriksen e Mesut Özil, com 56 em 15 jogos, média de 3,86 por partida (somadas as assistências). 

Como parâmetro de comparação, em 2015/16 o atleta foi o segundo colocado nesse quesito, atrás de Özil, com 104 e 12 assistências, média de 3,3. A questão crucial que se impõe é o mau aproveitamento das mesmas por seus companheiros nessa temporada. Payet segue mostrando um desempenho de qualidade extremamente elevada, mas não vê o restante da equipe acompanhar seu futebol. 

Diante disso, como não poderia ser diferente, muito tem se especulado sobre o futuro do meia, que já recusou os milhões chineses em prol de sua carreira. Apesar disso, no momento o Arsenal tem sido especulado como destino potencial para o atleta, que deixou no ar, recentemente, a possibilidade de deixar os Hammers.

“A situação do clube me afeta, mas eu sou uma pessoa ambiciosa. Estou lutando pelo meu clube e dando meu máximo por ele, para tirá-lo dessa situação, mas não estou fechando as portas para nada (...) Sinto saudades da Champions League... Tenho alguns bons anos pela frente e quero aproveitá-los jogando competições importantes”, disse no último dia 19 à RMC.

O impacto sob o clube de uma potencial saída de Payet não pode ser mensurado. O jogador é uma das grandes estrelas de toda a liga e um dos únicos jogadores em quem o torcedor do clube tem confiado (ao lado do inglês Michail Antonio). 

Nesse contexto, é bom que se diga, nada se pode dizer em relação à postura do jogador. É justo que alguém com o tamanho de seu talento tenha a possibilidade de disputar as competições do mais alto nível, até porque o atleta já tem 29 anos e tem entregado ao clube o que tem de melhor, sem forçar uma negociação ou agir mal perante à instituição. Seu contrato com o clube vige até 2021 e, certamente, uma negociação renderia muitos milhões aos cofres dos Hammers.

Embora tenha tido uma leve melhora nos resultados nas últimas rodadas (são duas vitórias, dois empates e uma derrota, nas cinco partidas mais recentes), o West Ham dificilmente brigará por algo que não seja um lugar no meio da tabela da Premier League, o que não é suficiente para os anseios de sua estrela maior. 

A individualidade de Payet deve estar sendo um sonho para o torcedor do West Ham, de tão poucos títulos e histórico recente de futebol nada vistoso. Todavia, a cada rodada em que os Hammers decepcionam, o sonho parece ficar mais próximo do fim. Para elevar o patamar de sua carreira, o francês precisa de melhor companhia; o que significa nesse momento deixar de ser uma estrela solitária.

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