quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Draxler no PSG: novas possibilidades para Emery

Não é de hoje que o Paris Saint-Germain tem se mostrado megalomaníaco. Após gastar €75,6 milhões na janela de transferências do último verão europeu, o clube da capital francesa acaba de despender outros €42 milhões em sua nova contratação. Trata-se do excelente meia alemão Julian Draxler, criado no Schalke 04 e proveniente do Wolfsburg. Em um time que já conta com valores como Lucas, Ángel Di Maria, Hatem Bem Arfa ou Javier Pastore, o que pode mudar com a chegada do garoto germânico?



Di María no meio-campo

Primeiramente, é preciso considerar um rol de jogadores cuja titularidade é considerada absoluta na equipe – seja por seus talentos e/ou pelo peso dos nomes que carregam. Ao lado de figuras como Thiago Silva, Marco Verrati e Edinson Cavani, certamente Ángel Di Maria é uma dessas peças e dificilmente a chegada de Draxler imporá a reserva ao argentino.

Nesse contexto, podemos retroceder ao histórico ano de 2014, em que, por fim, o Real Madrid conquistou a famigerada La Décima, seu 10º título da UEFA Champions League. Naquela oportunidade, Carlo Ancelotti se encontrou em situação semelhante à que se apresenta a Unai Emery, atual comandante do PSG. Na ocasião, chegara ao Madrid a estrela de Gareth Bale, o que levou o treinador italiano a pensar uma alternativa que permitisse a coabitação de sua estrela maior, Cristiano Ronaldo, de seu novo contratado, Bale, e de Di María.

Mantendo o trivote que, a despeito da impressão da marca individual de cada um de seus treinadores, caracteriza o meio-campo Real Madrid desde os tempos de José Mourinho, Ancelotti deslocou Di María para a faixa central e encontrou uma solução brilhante para seu problema. Muitas vezes criticado pelo desperdício de boas oportunidades e o excesso de individualismo, o argentino passou a participar mais vezes do jogo e com maior utilidade para a equipe. 

Pelo meio, não pôde reter a bola por tanto tempo e seu talento como meio-campo ficou evidente. Em 52 jogos, distribuiu 26 assistências e marcou 11 gols. Embora tenha ficado mais longe da meta adversária, passou a colocar seus companheiros nessas condições em muito mais ocasiões, em relação a anos anteriores.

O mesmo pode se dar no Paris Saint-Germain. Isso porque o clube parisiense é habituado ao 4-3-3, em esquema semelhante ao tão utilizado pelo Real Madrid. 

Sempre postado com um trio no meio-campo, o PSG aposta suas fichas no hibridismo de peças como Grzegorz Krychowiak, Thiago Motta, Marco Verratti, Blaise Matuidi, Adrien Rabiot e, mais recentemente, do jovem Christopher Nkunku, atletas de características defensivas, mas que possuem bom passe e, não raro, apresentam-se à frente.

Como Di María já exerceu papel semelhante no Real Madrid, não seria estranho seu uso mais recuado, na linha de três meio-campistas. Esta é, sem dúvidas, uma alternativa que Emery possui.

Mudança para o 4-2-3-1

Outra possibilidade, esta preservando a função de Di Maria, mudaria a formatação tática da equipe. O 4-3-3 pode dar lugar ao esquema 4-2-3-1, com a formação de uma linha de três meias ofensivos. Manter-se-ia Ángel Di María pelo flanco esquerdo e o brasileiro Lucas pelo direito, com a inclusão de Draxler pela faixa central.

Essa alternativa é válida, mas cria duas condições potencialmente problemáticas: a necessidade de todo o coletivo se adaptar a uma nova forma de jogar e a obrigação de Draxler se transformar em camisa 10. Embora o alemão tenha exercido esse papel em muitas ocasiões, é pelo flanco esquerdo que seu melhor futebol sempre se mostrou e sua técnica apuradíssima se evidenciou. É aberto pelo lado esquerdo também que se apresenta quando veste a camisa da Seleção Alemã.

Como a temporada 2016/17 se encontra em curso, a adaptação de uma equipe que há muitos anos joga no 4-3-3, sem a presença de um meio-campista puramente criativo, pode ser difícil e representar um risco; Principalmente, porque no momento o esquadrão de Paris é apenas o terceiro colocado na Ligue 1, atrás de Monaco e Nice e precisando correr atrás de um prejuízo imensurável, mormente perceptível quando se compara o vulto dos investimentos dessas três agremiações.

Lucas pode perder espaço

Outra possibilidade factível é o saque de Lucas. Embora faça temporada superior à de Di María, o jogador ainda não ostenta um nome tão imponente quanto o do argentino e, no mundo da bola, isso ainda conta muito. Essa opção manteria inalterado o esquema tático da equipe, traria o argentino de volta ao flanco direito, sua posição original, e incluiria Draxler no posicionamento que sempre se mostrou ideal para o alemão.

Essa alternativa, no entanto, permitiria o cometimento de uma injustiça. Lucas tem se mostrado um jogador muito efetivo e dado ótima resposta sempre que exigido. Além disso, esperou pacientemente a chegada de sua oportunidade ao time titular, tendo sido uma espécie de “12º jogador” durante bom tempo, em momento em que o jogo da equipe buscava potencializar a individualidade de Zlatan Ibrahimovic.


Nessa temporada, o brasileiro já tem 10 gols marcados e três assistências em 26 jogos na temporada. Como comparação, Di María tem três tentos e seis assistências em 23 partidas.

A contratação de Draxler é um plus importante para o treinador Unai Emery. Dá ao comandante basco um leque de possibilidades interessantíssimo e uma peça individualmente utilíssima; é a famosa “dor de cabeça boa”. Para o alemão, que chega para ser titular, é um salto em sua carreira, pois embora deixe a Bundesliga, competição mais forte que a Ligue 1, passa a atuar em uma equipe de nível muito mais elevado do que as suas antecessoras. O negócio é bom para ambos os lados e, em breve, poderemos analisar concretamente os impactos da contratação.

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