terça-feira, 20 de dezembro de 2016

N’Zonzi, o guardião de Sampaoli

Um dos times que mais inspirou curiosidade nos amantes do futebol quando se avizinhou o início da corrente temporada do futebol europeu foi o Sevilla. Tricampeão da Europa League, o time se preparou para uma nova vida, sem o técnico Unai Emery e grandes referências, como Ever Banega e Grzegorz Krychowiak, mas com a chegada do badalado treinador Jorge Sampaoli. Desde então, muita coisa mudou, em especial para um jogador, que hoje tem sido instrumental às pretensões do clube, o volante francês Steven N’Zonzi.


Grandalhão estiloso, de pernas longas e esguias, cabeça erguida e futebol tático, o meio-campista hoje é peça fundamental para o bom andamento do jogo andaluz. Se engana quem vê nele um jogador limitado à marcação, seu jogo é construtivo na mesma medida em que é destrutivo. Sua função é, todavia, bem determinada: dar consistência ao jogo da equipe, como Sergio Busquets faz no Barcelona ou Casemiro no Real Madrid.

Se o controverso, porém indubitavelmente talentoso, Samir Nasri assumiu as rédeas da criação e fez com que a ausência de Banega fosse pouco sentida, com poucas responsabilidades defensivas e muita liberdade, N’Zonzi faz com perfeição as vezes de seu antecessor - e ocasionalmente parceiro - polaco. Além de tudo, com seu respeitável 1,96m agrega muita qualidade no jogo aéreo da equipe.

Contratado em 2015, após fazer temporada sólida com a camisa do Stoke City, o francês disputou muitas partidas em sua primeira temporada, mas viu sua qualidade ser ofuscada. Muito se falou sobre seus citados companheiros, além do talentoso Vitolo e do goleador Kévin Gameiro, relegando N’Zonzi ao papel de ilustre coadjuvante, tarefa que muito bem exerceu e lhe deu as condições para assumir o protagonismo sob a batuta de Sampaoli.

É bom dizer que o estilo aplicado pelo argentino colabora muito para o sucesso da evolução do francês na contenção Sevillista. A opção por maior controle das ações, sempre privilegiando a manutenção da bola e a construção bem estruturada das jogadas, entregou ao volante as condições ideais para ver seu futebol desabrochar. Muito físico, o estilo do Stoke City lhe limitava nesse sentido, assim como a necessidade de jogar exclusivamente em prol do coletivo em sua chegada à Espanha.

“Nos últimos meses, trabalhamos duro, tentando assimilar as ideias de Sampaoli. Ficamos trabalhando todos os mecanismos. Hoje em dia somos mais conscientes de nossas possibilidades. Sampaoli é ambicioso, tem ideias que são bonitas e grandiosas, e sabe como transmiti-las”, disse N’Zonzi à Gazzetta dello Sport, em novembro último.

As estatísticas do jogador não nos deixam mentir, sua evolução é notória e notável. Atrás do Barcelona, o Sevilla é o time que mais posse de bola tem no Campeonato Espanhol (com média de 56% por partida) e N’Zonzi tem papel fundamental nisso.

89% das bolas que saem de seus pés atingem alvo, sendo o jogador, de longe, quem mais passa a bola na equipe, com até o momento 950 toques, em 14 partidas (o segundo maior passador é Nasri, com 91% de acerto, em 556 tentativas e 10 jogos). Além disso, 73% dos duelos aéreos que disputa o francês vence e 67% das bolas que tenta interceptar obtêm êxito. Como comparação, em 2015/16 N'Zonzi deu um total de 736 passes, com 80% de aproveitamento, em 28 partidas.



Isso tudo tem rendido muitos elogios e, inclusive, alguma controvérsia. No início da temporada, Sam Allardyce, então treinador da Seleção Inglesa e ex-comandante de N’Zonzi no Blackburn, cogitou chamá-lo ao English Team, mas a FIFA vetou a possibilidade. Pouco tempo depois, foi a vez de Didier Deschamps, técnico da França, especular um chamado do jogador:

“(N’Zonzi) é potente, um jogador muito interessante. O vi em partidas de campeonato, para ver se segue fazendo uma boa temporada e isso se confirma. Temos muita qualidade no meio-campo, mas ele é parte dos jogadores que fazem bem esse setor”, disse ao Estadio Deportivo.

A forma de N’Zonzi nessa temporada é verdadeiramente surpreendente. Quanto as suas qualidades e potencial, nunca houve muita dúvida, mas é certo que o francês demorou a dar o retorno esperado. Hoje, contudo, com Sampaoli é um volante completíssimo, com muita força física, bom passe, chegada à frente e capacidade para gerenciar o jogo coletivo andaluz. Steven N’Zonzi é um jogador extremamente fiável, um verdadeiro guardião para o Sevilla.

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