segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A importância dos alas no Chelsea

Após viver uma temporada de fracasso em 2015/16, o Chelsea precisava mudar rapidamente. Ainda com a aludida campanha em andamento, anunciou que seu treinador para o presente ano seria Antonio Conte e começou a juntar seus cacos. Contudo, mesmo diante da chegada do comandante italiano, as dúvidas quanto à qualidade do elenco dos Blues permaneceram; as chegadas de David Luiz, N’Golo Kanté, Marcos Alonso e Michy Batshuayi pareceram pouco diante das evidentes necessidades demonstradas durante a última temporada. No entanto, com pouco tempo tudo mudou. Com o esquema tático 3-4-3 implantado, o time cresceu e muito disso se deve à contribuição de seus alas.



Para qualquer pessoa que acompanha o futebol europeu ficou clara a impressão de que a escolha feita por Conte parecia um devaneio completo. A formação com três zagueiros, sendo eles o habitualmente amalucado David Luiz, o inseguro Gary Cahill e o improvisado Cesar Azpilicueta não inspirou nenhuma confiança. Além disso, é possível que a escolha dos alas tenha causado tanta estranheza quanto.

Quem era Marcos Alonso (foto), o escolhido para cobrir o lado esquerdo, até chegar ao Chelsea? Um simplório lateral de vocação ofensiva formado no Real Madrid, com passagens regulares por Bolton e Sunderland e algum destaque na Fiorentina. Apenas. Do outro lado, pela direita, as dúvidas não poderiam ser maiores, uma vez que o winger Victor Moses, no clube há um bom tempo e de saídas por empréstimo e retornos infrutíferos, confirmou-se a preferência do treinador italiano.

No entanto, Antonio Conte viu, com uma sequência enorme de bons resultados (15 vitórias nos últimos 16 jogos na Premier League), todos se renderem às suas ideias, que se confirmaram brilhantes. Muito disso, deve-se à qualidade do desempenho mostrado por seus alas.

Contando com a proteção de três zagueiros e, normalmente, de dois volantes (Kanté e Nemanja Matic), Moses e Alonso têm sido importantíssimos na construção das jogadas ofensivas do Chelsea e na forma como a equipe atua. Seu papel tem sido vital, inclusive, para a evolução da forma técnica de Eden Hazard e Pedro Rodríguez. Por quê?

Antes, belga e espanhol (que era reserva do brasileiro Willian até pouco tempo), precisavam atuar muito mais abertos pelos flancos, distantes do meio-campo e do centroavante Diego Costa. Com a presença dos alas, ambos podem avançar em constantes diagonais e circular com maior liberdade pelo ataque. A amplitude que precisavam dar ao jogo da equipe anteriormente não é mais necessária; essa tarefa cabe a Alonso e Moses (foto), que a tem desempenhado com perfeição.

Além disso, como têm vocação ofensiva natural, os alas do Chelsea constantemente procuram Hazard e Pedro, propondo tabelas, fazendo jogadas de ultrapassagem e chegando à linha de fundo, para, com calma, buscar Diego Costa na área dos adversários dos Blues. Evidente prova disso, é a quantidade de jogadas que ambos já criaram nas partidas que disputaram na Premier League, como demonstra o gráfico abaixo:

Tais dados confirmam a realidade aqui retratada. Demonstram a enorme evolução de Eden Hazard, a procura constante por Diego Costa e a participação efetiva de Moses e Alonso no ataque. Com uma equipe com jogadores de grande talento no setor ofensivo não é de se esperar que os alas participem tanto da construção de jogadas ofensivas, mas no Chelsea eles o fazem. Vale ressaltar que foi justamente em uma noite em que os alas não estiveram bem, contra o Tottenham, que o Chelsea perdeu extensa invencibilidade.

Leia mais: As metamorfoses de Azpilicueta

Além do trabalho ofensivo, os alas têm sido importantes para dar compactação à equipe, que pode variar seu esquema tático durante as partidas, conforme a necessidade. Eventualmente, Azpilicueta avança para a lateral direita e, com Alonso, fecha uma linha de quatro defensores, com Moses na segunda linha de marcação. Em outros turnos, com os retornos de Hazard e Pedro, é uma linha de seis meio-campistas que se impõe. Tudo isso favorece, enormemente, o desenvolvimento do jogo do Chelsea na hora da recuperação das bolas e depende do papel exercido por seus alas.

“Em muitas partidas ele (Moses) vai mais à frente e eu fico mais atrás, mas isso depende de como o outro time joga e é bom ter variação e diferentes opções. O Victor está fazendo um grande trabalho e espero que possamos continuar ajudando o time como temos feito nos últimos jogos”, disse Marcos Alonso após a recente vitória do Chelsea contra o Hull City, em entrevista veiculada no site oficial do clube.

Aliás, como já citado, é importante mencionar que, quando não apresentam bom nível, seja deixando a retaguarda muito vulnerável – permitindo que seus adversários se utilizem de eventuais espaços deixados em seus avanços – ou quando sua contribuição ofensiva é ineficiente, o time como um todo sente e tem perceptível queda no nível coletivo. Exemplo evidente foi visto na falada derrota para o Tottenham.



Seja como for, é impossível dissociar o sucesso recente do Chelsea da mudança de esquema tático adotada por Antonio Conte e, a seguir, da importante função exercida por seus alas. O treinador italiano enxergou além do que torcedores e analistas foram capazes e tirou dois coelhos da cartola; Deu confiança a Marcos Alonso e Victor Moses e, com isso, viu o futebol de seus comandados evoluir e o torcedor passar a olhar com outros olhos para suas alternativas.

No momento, o clube londrino tem uma equipe extremamente coesa e, assim, vê seus jogadores tecnicamente mais privilegiados se destacarem muito. No entanto, esse destaque só é possível em razão do entendimento coletivo das ideias de Conte, o que passa, acima de tudo, pela compreensão do jogo daqueles que participam do balanço defensivo. É aí que entram seus alas, jogadores que têm tido papel ofensivo importante e facilmente percebido e que, ademais, são importantes quando o time precisa se defender, o que muitas vezes não é tão fácil de notar.

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