sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Estilo de G. Jesus e ideias de Guardiola: haverá casamento?

Não é mistério para ninguém que acompanha o futebol internacional o fato de que o treinador Pep Guardiola, como poucos, preza pela colaboração de todos os seus jogadores para o bom funcionamento do coletivo. Nem Lionel Messi ficou livre de tal incumbência no período em que foi treinado pelo catalão. Esse fato nos ajuda a entender a razão pela qual o comandante não nutre grande apreço por centroavantes mais afeitos apenas à marcação de gols. Casos como os do sueco Zlatan Ibrahimovic e do croata Mario Mandzukic evidenciam a realidade citada.



Devido à grande eficiência, o treinador se rendeu a Robert Lewandowski, no Bayern de Munique, e vem passando por algo semelhante com Sergio Agüero, no Manchester City. Tudo bem: polonês e argentino têm poucas semelhanças de estilo, além do faro artilheiro, contudo, assemelham-se em um ponto essencial: precisam ficar perto do gol e, em grande parte do tempo, não oferecem seus préstimos ao restante da equipe como um “falso 9” o faz. É óbvio que compará-los com Messi é injusto e estúpido, mas o fato é que, embora sejam jogadores excelentes, suas funções táticas não fazem parte da predileção de Pep.

Outro indicativo da realidade que imputamos como ideal para o treinador do Manchester City foi a tentativa fracassada de transformar o francês Franck Ribery em “falso 9”, logo em sua chegada ao Bayern. Esse é o treinador que pediu a contratação de Gabriel Jesus e conversou pessoalmente com o promissor atacante brasileiro antes da conclusão do negócio.

“Já no primeiro treino falou com o atleta francês sobre jogar por dentro ocupando o espaço de falso 9, pois está convencido de que Ribery pode ser ainda mais perigoso se fizer no meio o que costuma fazer na ponta. No meio ele não tem a uma linha de cal limitando-o (...) Pep acredita piamente que o jogador pode fazer grande diferença atuando por dentro”, nos revela o jornalista Martí Perarnau, em Guardiola Confidencial.

Sobre o brasileiro, no entanto, em um primeiro momento Guardiola afirmou que projeta a presença de Gabriel Jesus pelas pontas, sem concorrer com Agüero e sem ser um autêntico ponta, aquela figura que frequentemente vai à linha de fundo e que é capaz de fazer, eficazmente, a recomposição defensiva, auxiliando laterais e meio-campistas.

“Ele pode jogar como ponta, fazendo o movimento de fora para dentro, mas é claro que tem que atuar próximo ao gol. Ele não é o ponta típico”, disse Guardiola em entrevista coletiva concedida no início desse mês.

A partir dessa fala do treinador espanhol, é possível, sem forçar a barra, imaginar que o atacante brasileiro é pensado como uma espécie de “falso 9” ou segundo atacante. No Barcelona, Messi apareceu como atleta como ponta direita, tendo qual característica central? “Fazendo o movimento de fora para dentro”. O que o Guardiola esperava ter sido capaz de fazer com Ribery? Dar mais espaço para o francês fazer “no meio o que costuma fazer na ponta”.

É óbvio que não existe meio e muito menos objetivo em fazer qualquer tipo de comparação entre argentino, francês e brasileiro, porém, é extremamente plausível imaginar, no longo prazo, Gabriel Jesus sendo adaptado a uma função mais adiantada, com muito diálogo com pontas e meias.

Tal empreitada não só daria ao técnico um jogador com as características que deseja, como permitiria o aperfeiçoamento de suas ideias no Manchester City. Para jogadores como David Silva, Kevin De Bruyne ou Leroy Sané, quanto maior for o diálogo e a proximidade com o atacante de referência, mais seu jogo de passes e constante movimentação pode se diferenciar.

A presença de alguém com capacidade para ser “falso 9” permite alternativas táticas interessantíssimas, pois cria a possibilidade de tipos de movimentações que não se tem com a presença de um matador de ofício. Em momento em que sai para jogar, o “falso 9” permite, por exemplo, que um ponta ou meia preencha o setor de ataque, confunda a marcação adversária e finalize.

Gabriel Jesus já mostrou, tanto no Palmeiras quanto na Seleção Brasileira, ter aptidão técnica para exercer tal função, entendendo-se perfeitamente com jogadores como Dudu e Róger Guedes, no Verdão, e Neymar e Philippe Coutinho, com a Canarinho.

Será essa figura no City? Adaptar-se-á ao clube e às exigências da Premier League? Ninguém pode garantir. Não se pode sequer afirmar serem esses os reais planos de Guardiola para Gabriel. No entanto, o coerente histórico do treinador, combinado com suas recentes declarações, permite-nos imaginar esse quadro ocorrendo em breve. Tudo isso poderá começar a ser visto em breve, com o camisa 33 vestindo, por fim, a camisa dos Citizens.

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