segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Um alento chamado Wilfred Ndidi

A diferença entre as temporadas 2015/16 e 2016/17 do Leicester City não poderia ser maior. Do título da Premier League à luta contra o rebaixamento, hoje os Foxes vivem momento delicado e sofrem a dor lancinante da perda. A saída de N’Golo Kanté não foi reposta à altura e o clube não conseguiu se reequilibrar com a chegada de Nampalys Mendy e a frustrada tentativa de adaptação de Daniel Amartey. Ciente disso, a direção azul buscou na Bélgica uma nova alternativa e a encontrou. Wilfred Ndidi chegou do Genk e, ainda que esteja longe de mostrar o desempenho de Kanté, vem se destacando.



Com o frescor da juventude (20 anos), capacidade de, com suas pernas longas (que lhe rendem o apelido de “polvo”), trabalhar incansavelmente em prol do coletivo e confiança para desenvolver seu jogo, o volante nigeriano mal desembarcou no King Power Stadium e já começou a ser utilizado. Contudo, o momento para tanto dificilmente poderia ser pior.

Seu primeiro jogo no Campeonato Inglês foi contra o poderoso Chelsea, líder da competição, e com o Leicester na incômoda 15ª colocação. O inevitável aconteceu e os Blues bateram, facilmente, os Foxes, 3x0.

A este insucesso se seguiram mais quatro derrotas; Ndidi ainda não conheceu o sabor da vitória na Premier League. Diante disso, poder-se-ia pensar que é uma loucura dizer que o clube se tornou mais forte com o ingresso do jovem meio-campista.

Apesar disso, é facilmente perceptível a melhora do jogo da equipe com a presença de seu novo contratado. Bons exemplos disso vêm da FA Cup, competição em que Ndidi foi peça importante nas vitórias contra Everton (sua estreia pelo clube) e Derby County (em que anotou um tento), sendo válido mencionar que o nigeriano não esteve em campo na eliminação do clube do certame, contra o Millwall.

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Com Ndidi, o meio-campo do Leicester ganhou maior consistência e o “buraco” deixado pela ausência de Kanté diminuiu sensivelmente. A circulação da bola e dinâmica do time também melhoraram, uma vez que, com a imponente presença do garoto, Danny Drinkwater – certamente o jogador que mais sofreu com a venda do francês – passou a ter um pouco mais de liberdade para construir o jogo.

Embora o seu percentual médio de acerto de passes não chame atenção, 72%, tal número somente reflete uma situação maior do que o próprio jogador. O Leicester não gere bem a bola (tem média de 71% de acerto na Premier League, sendo superior apenas ao Burnley) e essa já era a realidade da temporada passada. Seu jogo é direto, com muitos passes longos, e, consequentemente, muitos erros. Portanto, não é justo julgar o jogador pelo seu índice de acerto de passes, o qual, diga-se, era muito superior no seu tempo no Genk (79,5%).

“Ele se adaptou muito bem. Todos os seus companheiros estão muito felizes com seu desempenho. Eu estou feliz. Ele é jovem, mas tem uma personalidade muito boa”, disse o treinador Claudio Ranieri em entrevista coletiva.

Ademais disso, Ndidi é muito voluntarioso e não se omite do jogo; mostra clara disso é o fato de que finaliza 1,8 vezes por partida, em média. Na parte defensiva, também tem agregado muito valor. Com média de 3,2 desarmes por jogo, duas interceptações e 3,8 cortes, tem sido o principal destaque do time nesses quesitos.

Seu jogo aéreo também é muito forte, com o atleta vencendo 56% das disputas pelo ar, ajudando a neutralizar as ofensivas adversárias nesse tipo de ocasião e ganhando muitas segundas bolas. Isto é fundamental para o início rápido dos contragolpes que o Leicester tanto busca durante as partidas e que são a base fundamental de seu estilo. Tem-se, pois, mais um predicado utilíssimo que o atleta possui e que contribui para o desenvolvimento do jogo coletivo do clube.

Ndidi chegou ao clube em péssima fase, vestiu a camisa, foi ao campo e mostrou desempenho. É certo que sua contratação é um alento para o torcedor do Leicester, tão acostumado ao sofrimento e que viveu os melhores dias de sua vida na temporada passada, num verdadeiro conto de fadas. 

Com juventude, espírito de luta e proatividade, tem ajudado a dar esperança de recuperação, mesmo diante das enormes dificuldades vividas pelo clube. Ainda há 13 batalhas por disputar na Premier League, além da UEFA Champions League e mesmo diante desse contexto, hoje, é fácil dizer que qualquer sucesso dos Foxes passa pelo bom desempenho e impacto coletivo da incorporação de Ndidi ao time.

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