segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O especial momento de Dries Mertens

Nos últimos anos, o torcedor do Napoli se acostumou com a presença de um centroavante goleador no comando de seu ataque. Com Edinson Cavani e Gonzalo Higuaín, presenciou uma verdadeira avalanche de gols. Enquanto o primeiro balançou as redes 104 vezes em 138 jogos, o segundo anotou 91 tentos em 146 encontros – números mais que respeitáveis. Para a temporada 2016/17, contudo, com a venda de Higuaín à Juventus, o clube apostou suas fichas no jovem polonês Arkadiusz Milik, ex-Ajax. Seu início foi promissor, mas uma lesão grave o afastou dos gramados. Sem muitas alternativas, o treinador Maurizio Sarri arriscou uma novidade e colhe bons frutos. Como referência de ataque, o belga Dries Mertens vai vivendo dias mais que especiais.



O camisa 14 napolitano sempre demonstrou qualidades com a bola nos pés. Habilidoso, dotado de boa movimentação e com aptidão para marcar gols, é um ótimo exemplar de ponta esquerda. Não que seja um craque, longe disso, mas é indiscutivelmente um jogador útil. Ocorre, no entanto, que no Napoli sua posição originária tem como dono um dos jogadores mais talentosos do grupo e queridos pelo torcedor Partenopei: Lorenzo Insigne. Tal fato ocasionava uma disputa dura por posições no ataque da equipe e muitas vezes significava a presença de Mertens no banco de reservas.

A despeito disso, hoje Insigne e Mertens têm jogado juntos – a eles se juntando o espanhol José Callejón, pela ponta direita. Sem centroavante disponível, Sarri escolheu o belga para a função.

Primeiro, no entanto, o treinador italiano tentou utilizar Manolo Gabbiadini (que acabaria vendido ao Southampton) pelo setor. Porém, rapidamente o preteriu em favor de Mertens, que, logo em seu início no novo posicionamento, correspondeu com gols contra Besiktas, na UEFA Champions League, e Empoli, pelo Campeonato Italiano.

Todavia, uma seca de três rodadas no campeonato nacional levou o jogador de volta à reserva e Gabbiadini ao time titular, situação que não durou muito. Na última partida da primeira fase da competição continental, vindo do banco, Mertens foi vital para a vitória napolitana contra o Benfica, com um gol e uma assistência. Retornou ao onze inicial de Sarri para não mais sair.

A partir de então, sempre como titular, o belga marcou 13 tentos em oito jogos. Na 16ª rodada, em partida contra o Cagliari, três bolas foram às redes adversárias assinadas pelo atacante; na rodada seguinte, frente o Torino, mais quatro, com direito a hat-trick em apenas nove minutos e uma pintura de cobertura.



Recentemente, entre a 16ª rodada e a 23ª, além dos treze tentos que marcou, Mertens só não teve participação em gols na 19ª, vitória por 2x1 contra a Sampdoria. Aliás, nesse interregno, o Napoli não perdeu nenhum jogo, registrando seis vitórias e dois empates, sendo que na mencionada 23ª jornada o belga voltou a anotar um hat-trick, no massacre do Napoli contra o Bologna, 7x1. Na temporada completa, já são 20 tentos e cinco assistências em 28 jogos; o jogador é o artilheiro do Campeonato Italiano.

“Mertens é um ótimo jogador, que pode fazer a diferença como um ponta ou um centroavante, então, francamente, ele é ótimo, independentemente de seu papel. Nesse momento, prefiro falar sobre sua forma, porque movê-lo 10 metros não mudará tanta coisa”, disse Sarri em entrevista coletiva após o triunfo contra o Torino, em meados de dezembro de 2016.

Extremamente elogiado nos últimos tempos pelo estilo de jogo que busca traduzir e pelas alternativas e variáveis que tenta criar, o treinador Maurizio Sarri parece ter conseguido mais um acerto importante em sua trajetória no Napoli.

A aposta em Dries Mertens como centroavante, ou “falso 9” devido à sua grande movimentação, vem se provando cirúrgica e preciosa. Ademais, aumentou a coesão existente em seu elenco, uma vez que deu ao talentoso belga mais minutos de jogo. Para se ter uma ideia mais exata do que representa esse fato, em 2016/17, o camisa 14 já esteve presente em mais minutos de jogo do que na temporada 2015/16 completa.

Hoje, não há qualquer dúvida quanto ao trio que compõe melhor o ataque do Napoli: pela esquerda, Insigne; pela direita, Callejón; e, mais centralizado, Mertens. Embora tenha se recuperado da lesão que o acometeu, Milik terá que lutar muito para retomar o papel que recebeu no início da temporada – na sua falta, Mertens brilhou intensamente e vive momento especial, possivelmente o melhor de sua carreira. No momento, não há margem para dúvida: a escalação do Napoli tem o belga e mais dez.

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