quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Times de que Gostamos: Mallorca 2002-2003

Depois de trazer à memória o equilibrado e vencedor time do Stuttgart da temporada 2006/07, falo do Mallorca de Samuel Eto’o, que, na campanha de 2002/03, obteve sua consagração, após viver alguns dos melhores anos de sua história.


Em pé: Nadal, Niño, Leo Franco, Lozano, Poli, Eto'o;
Agachados: Riera, Álvaro Novo, Ibagaza, Cortés e Pandiani.

Time: Mallorca

Período: 2002-2003

Time base: Leo Franco; David Cortés, Fernando Niño, Miguel Nadal (Lussenhoff), Poli; Harold Lozano; Álvaro Novo, Ariel Ibagaza, Albert Riera; Samuel Eto’o e Walter Pandiani. Téc.: Gregorio Manzano

Conquista: Copa Del Rey

O resultado de anos de bons trabalhos

Tudo começou na temporada 1997/98. Com o retorno à La Liga e a contratação do treinador argentino Héctor Cúper, a sorte do Mallorca mudou; quando se esperava que o clube meramente lutasse contra o descenso, esse se mostrou capaz de grandes feitos: foi o quinto colocado no Campeonato Espanhol, à frente de boas equipes como Atlético de Madrid, Celta de Vigo e Valencia e chegou à finalíssima da Copa Del Rey. O Barcelona precisou das penalidades para se confirmar campeão da competição, após empate por 1x1 no tempo normal. Na sequência, o Mallorca venceu o próprio escrete catalão na Supercopa da Espanha (foto). Estava claro que aquele time daria trabalho.

Exceção feita ao ano de 2001/02, os anos que se seguiram colocaram o Mallorca como uma das boas equipes do cenário espanhol. Em 1998/99, por exemplo, ocupou a terceira posição do campeonato nacional, atrás apenas da supremacia da dupla composta por Barcelona e Real Madrid. Nem a saída de Cúper para o Valencia foi capaz de frear o progresso do clube, que em 2000/01 voltou a ficar em terceiro lugar em La Liga, à frente do Barça.

É interessante notar que desde o início do período de liderança do comandante Hermano, muitos atletas argentinos desembargaram nas Ilhas Baleares. Do Lanús, com o treinador, veio o goleiro selecionável Carlos Roa, que mais tarde seria substituído por um compatriota: Leo Franco. Pelo clube passaram, ainda, o talentoso baixinho Ariel Ibagaza, outro ex-jogador Granate, e o atacante Leonardo Biagini, campeão espanhol com o Atlético de Madrid, dentre outros.

Some-se à chegada de atletas argentinos a contratação de jovens valores de outras equipes espanholas (Samuel Eto’o e Álvaro Novo) e a revelação de outros talentos imberbes (Albert Luque, que saiu para o Deportivo La Coruña em 2002, e Albert Riera). Por fim, havia também a presença de jogadores experientes como Miguel Ángel Nadal, ex-Barcelona, e, para a temporada vitoriosa de 2002/03, a referência de um goleador implacável: Walter Pandiani, ex-Deportivo.

O ano da consagração

O time de 2002/03 herdou uma base composta por ótimos jogadores e, sob o comando de Gregorio Manzano, mostrou um jeito de jogar de bela irresponsabilidade. Contando com a velocidade de seus meias, a criatividade de Ibagaza e a incrível proficiência da dupla formada por Eto’o e Pandiani, viveu dias de vitórias e derrotas impensáveis.

Com a presença de apenas um marcador de ofício no meio-campo, o Mallorca costumeiramente se expunha muito durante as partidas, mas pressionava seus adversários com impressionante ímpeto. O título da Copa Del Rey foi, evidentemente, o ponto mais alto da temporada 2002/03. No entanto, há partidas mais importantes no curso da campanha do que propriamente a final, contra o modesto Recreativo Huelva.

Após eliminar o modesto UDA Gramenet, e passar pelos tradicionais Hércules e Valladolid, Los Bermellones tiveram pela frente nada mais, nada menos, do que o Galáctico Real Madrid.

Na capital do país, o Mallorca safou-se com um empate por 1x1, já em seu território... O 4x0 que assegurou ao clube passagem para as semifinais da Copa não poderia ter sido imaginado nem pelo mais otimista dos torcedores da equipe, que viram Eto’o e Pandiani revelarem todo o seu poder de fogo no encontro.

Adiante, teve pela frente outra equipe muito forte: o Deportivo La Coruña, que, em 1999/00, havia sido campeão espanhol. Enfrentando jogadores da estirpe de Mauro Silva, Jorge Andrade, Diego Tristán, Roy Makaay e de seu velho conhecido Luque, o clube balear se superiorizou novamente. Venceu fora de casa por 3x2 e segurou um empate por 1x1, em casa.

No Campeonato Espanhol, todavia, fez uma campanha irregular, terminando na nona colocação. No certame, foi capaz de vencer o Barcelona por 2x1, no Camp Nou, e perder por 4x0, em casa; de golear o Real Madrid por 5x1, no Santiago Bernabeu, e ser derrotado pelos mesmos 5x1 no seu estádio, em verdadeira montanha-russa de emoções.

O importante, no entanto, foi o título da Copa Del Rey, o mais relevante de toda a história centenária do clube. Além dessa glória, a equipe somente venceu títulos da segunda e terceira divisões do país e uma Supercopa da Espanha. Não há dúvidas: a temporada 2002/03 consagrou um período muito bom do clube, que será sempre lembrado.

Após a conquista, entretanto, o Mallorca viu seu elenco começar a deixar o clube. Para a temporada 2003/04 perdeu Ibagaza e Álvaro Novo (Atlético de Madrid), Lozano (Pachuca), Pandiani (Deportivo) e Riera (Bordeaux); e em 2004/05 foi a vez de Eto’o (Barcelona) se despedir.

O time que fez história

Contratado pelo Mallorca com apenas 21 anos, o argentino Leo Franco (foto) foi o goleiro titular do time na temporada 2002/03. Sua chegada ao clube, contudo, aconteceu na campanha de 1998/99, em que somente representou a equipe B. Arqueiro seguro, sem grandes virtudes e, ao mesmo tempo, defeitos, cresceu com o clube, vivendo de perto todo o progresso da equipe, sua evolução e ápice. Franco permaneceu defendendo as cores do Mallorca até o final da temporada 2003/04, quando partiu para o Atlético de Madrid, e computa um total de 161 jogos pelos baleares.

Lateral com boa projeção ofensiva, David Cortés foi o responsável pela proteção do lado direito da defesa do clube. Contratado no início da temporada 2002/03, era ainda muito jovem e possuía invejável fôlego, o que o tornava figura importante na construção de jogo de Los Bermellones. Até sua saída, em 2006, foi sempre titular, alcançando a marca de 132 partidas.

Ex-companheiro de Cortés no modesto Extremadura, o lateral-esquerdo Poli também foi contratado no início da temporada 2002/03 e logo se tornou titular. Jogador de carreira menos notável, viveu seu melhor momento justamente no Mallorca, tendo o representado em 104 jogos, até 2005. Quem também atuou muitas vezes pelo setor foi o veterano Miquel Soler, ex-jogador de Barcelona, Atlético de Madrid e Real Madrid, com passagem pela Seleção Espanhola. Não obstante, a despeito de sua superior qualidade, aos 37 anos já não tinha fôlego para disputar todos os jogos e foi na maior parte do tempo importante reserva.

Por sua vez, o miolo de zaga contou com uma dupla experiente. De um lado, atuou o excelente beque e capitão da esquadra Miguel Nadal (foto), de extensa trajetória com as camisas de Mallorca, Barcelona e da Seleção Espanhola; do outro o seguro Fernando Niño. Dupla que carregava entrosamento de longa data, tendo a parceria começado em 1999, possuía muito entendimento e se destacava pela firmeza, seriedade e força no jogo aéreo. Em especial, Nadal, conhecido como El Loco, possuía qualidade para atuar em qualquer posição da defesa, mas, aos 36 anos, não conseguiu atuar em tantas partidas. Tal situação permitiu ao zagueiro argentino Federico Lussenhoff muitos minutos em campo.

Como volante solitário, o colombiano Harold Lozano foi um muro no meio-campo balear. Com 1,92m de muita força física, era peça vital na garantia de segurança aos zagueiros e organização do setor defensivo. A despeito disso, seu período no Mallorca foi muito curto, tendo durado apenas uma temporada. Contratado junto ao Valladolid (clube em que havia sido treinado por Gregorio Manzano), logo seguiu para o Pachuca. Quem também atuava pelo setor, entrando no decorrer de quase todas as partidas para reforçar a defesa, era o experiente espanhol Marcos, formado no clube e de longa estadia no Sevilla.

Logo adiante, uma linha de três meias exercia múltiplas funções. Abertos pelos flancos, Álvaro Novo (pela direita) e Albert Riera (pela esquerda), tinham missão importante na criação de jogadas para seus dois atacantes, mas também funções defensivas fundamentais, uma vez que precisavam retornar à defesa quando a equipe era atacada para auxiliar Lozano, os laterais e zagueiros a se proteger. Jovens à época, deram conta do recado com perfeição. Seu papel era também importante para garantir maior liberdade ao tridente ofensivo que tanto brilho revelou naquele ano.


Como seu principal criador, Manzano contou com a genialidade de um baixinho argentino. Há jogadores que, curiosamente, parecem ter nascido para defender algumas camisas. Essa situação se confirmou na figura de Ariel Ibagaza (foto), que brilhou intensamente pelos muitos anos em que representou as cores do Mallorca. Habilidoso, veloz, dono de visão de jogo privilegiada e ótimo cobrador de faltas, El Caño é um dos maiores ídolos da história do clube. 

Na ponta final do time, uma dupla de ataque extremamente goleadora era certeza de muita alegria para a torcida dos Bermellones. Com impressionante velocidade, imprevisibilidade e empilhando gols, o camaronês Samuel Eto’o (foto) se confirmava ali no Mallorca o grande craque que se consagraria posteriormente com as camisas de Barcelona e Inter de Milão.

Complementando-o, mais centralizado no comando do ataque, o uruguaio Walter Pandiani fez exatamente o que dele se esperava: marcou muitos tentos. Ameaça constante no jogo aéreo, El Rifle viveu em 2002/03 uma das melhores temporadas de sua carreira.

Enquanto o africano marcou 19 gols no vitorioso ano, o sul-americano foi às redes 18 vezes.

Por fim, como alternativa frequente para o ataque, o Mallorca contou com a velocidade do baixinho Carlitos, jogador que entrava em praticamente todas as partidas do clube e que marcou importantes seis gols na campanha em comento. Por mais que não tenha sido tão influente em 2002/03, é figura histórica do clube, tendo sido o autor do gol que confirmou o acesso do clube à primeira divisão em 1997, dando início a um dos melhores períodos da história do clube balear.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Quartas de finais da Copa Del Rey 2002-2003: Mallorca 4x0 Real Madrid

Estádio Son Moix, Mallorca

Árbitro: Jesús Téllez Sánchez

Público 20.000

Gols: ‘7 Niño, ’30 e ’35 Eto’o e ’48 Pandiani (Mallorca)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Niño, Lussenhoff, Soler; Harold Lozano (Robles); Álvaro Novo, Ariel Ibagaza (Marcos), Albert Riera; Samuel Eto’o (Carlitos) e Walter Pandiani. Téc.: Gregorio Manzano

Real Madrid: César Sánchez; Miñambres, Helguera, Pavón, Raúl Bravo; Cambiasso (Morientes), McManaman, Celades, Zidane (Solari); Raúl e Portillo. Téc.: Vicente Del Bosque

Semifinais da Copa Del Rey 2002-2003: Deportivo La Coruña 2x3 Mallorca

Estádio Riazor, La Coruña

Árbitro: Víctor Esquinas Torres

Público 17.800

Gols: ’38 e ’80 Pandiani e ’81 Eto’o (Mallorca); ’89 Tristán e ’90 Makaay (Deportivo)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Lussenhoff, Soler, Poli; Harold Lozano (Robles); Álvaro Novo, Ariel Ibagaza, Albert Riera; Samuel Eto’o (Carlitos) e Walter Pandiani (Marcos). Téc.: Gregorio Manzano

La Coruña: Juanmi; Manuel Pablo, Jorge Andrade, Donato, Capdevilla; Mauro Silva, Duscher (Acuña), Sergio (Scaloni), Amavisca (Makaay); Tristán e Luque. Téc.: Irureta

Final da Copa Del Rey 2002-2003: Mallorca 3x0 Recreativo Huelva

Estádio Marínez Valero, Elche

Árbitro: Eduardo Iturralde González

Público 38.800

Gols: ’20 Pandiani e ’73 e ’84 Eto’o (Mallorca)

Mallorca: Leo Franco; Cortés, Niño, Nadal, Poli; Harold Lozano; Álvaro Novo, Ariel Ibagaza (Marcos), Albert Riera; Samuel Eto’o (Campano) e Walter Pandiani (Carlitos). Téc.: Gregorio Manzano

Recreativo: Luque; Merino (Arpón), Pereira, Loren, Pernía; Camacho, Javi García, Bermejo (Xisco), Viqueira, Benítez (Joãozinho); Molina. Téc.: Lucas Alcaraz

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