quarta-feira, 29 de março de 2017

O acerto do Fluminense com Orejuela e Sornoza

O ano de 2016 consagrou algumas equipes. Em solo sul-americano, é indiscutível o fato de que uma delas foi o modesto Independiente Del Valle, do Equador. De forma surpreendente e jogando futebol de ótima qualidade, os Negriazules foram finalistas da Copa Libertadores da América e seus jogadores ficaram em evidência. Diante disso, o Fluminense não perdeu tempo e acertou a contratação de dois de seus destaques, o volante Jefferson Orejuela e o meia Junior Sornoza, jogadores que, desde que desembarcaram no Tricolor, vêm sendo importantíssimos.



Se no Independiente Del Valle os meio-campistas equatorianos já exerciam papel fundamental, sendo algumas das peças estruturantes do clube, no Flu seu impacto tem sido ainda maior. Após viver um ano de 2016 marcado pelo desequilíbrio, com bons e maus momentos e o término do Campeonato Brasileiro na decepcionante 13ª posição, o clube carioca vai se remontando em 2017 e já mostra evolução; grande parte disso se deve aos papéis bem desempenhados por Orejuela e Sornoza – contratados em 2016, mas que só se integraram à equipe no presente ano.

Na contenção, silencioso, o primeiro tem atuado sempre postado à frente da defesa do Tricolor. Com qualidade na saída de bola, muita velocidade e dinâmica de jogo, tem função crucial para a equipe.

Sua importância vai além de desarmes e marcação, pois é por meio de seus pés que parte significativa das jogadas do time são iniciadas. Seu aproveitamento em passes tem sido excelente e mesmo a marcação mais apertada eficaz. Embora ainda se precipite em algumas ocasiões, tomando a decisão errada, é um jogador inteligente e sua contratação já se mostra um acerto do clube.

Segundo o site Footstats, no Campeonato Carioca, seu índice de êxito nos passes beira os 95%, na Copa do Brasil é de 94,5% e na Primeira Liga é de 93,3%; a bola passa constantemente por seus pés e, via de regra, tem encontrado boa destinação.

É interessante perceber também, analisando seus mapas de calor, a grande área do meio-campo que o jogador consegue cobrir, não ficando restrito ao posicionamento à frente da defesa e circulando por todo o setor. 

Reprodução: Footstats.net

“O professor está muito contente com meu trabalho e função no clube. O clube tem jogadores de grande nível e ganhar o posto de titular é satisfatório. Com trabalho vamos ganhando o carinho da grande torcida do Fluminense”, disse Orejuela no final de fevereiro à Rádio La Deportiva, do Equador.


Orejuela já tem 13 jogos pelo Fluminense e a cada jogo fica mais evidente o acerto em sua contratação, garantindo equilíbrio à equipe e ajudando na evolução de jovens valores como Douglas e Wendel, garotos vindos da base do clube e com grande potencial.



Por outro lado, mais avançado, Sornoza é quem dita o ritmo das ações ofensivas do Flu. Se Orejuela inicia a construção das jogadas do Tricolor Carioca, cabe à Sornoza a função de dar destino final às mesmas. Habilidoso, bom finalizador e detentor de muita visão de jogo, o meio-campista baixinho é quem centraliza o jogo ofensivo do time, movimentando-se por grande faixa do relvado e sendo referência para receber bolas e pensar o jogo.

Em apenas 13 partidas pelo Fluminense, o criativo meia já anotou quatro tentos e distribuiu cinco assistências, o que evidencia que seu encaixe na equipe treinada por Abel Braga foi imediato. Como Orejuela, também se destaca pelo alto índice de acerto médio de passes: 92,8% de média no Campeonato Estadual, 91,8% na Copa do Brasil e 94,2% na Primeira Liga.

"Me sinto tranquilo, o professor me dá muita confiança. A verdade é que me sinto muito bem. A equipe toda confia em mim. Temos de seguir trabalhando. A equipe está muito bem. Estamos trabalhando da melhor maneira e queremos seguir assim", disse Sornoza após ser o grande destaque da vitória de seu clube contra o Macaé, 3x0.

Sobre o camisa 20 do Tricolor é importante ressaltar também sua aptidão para finalizar de média distância, tanto com a bola parada quanto com o esférico rolando, sempre com muita força.

Outra razão que explica o porquê de Sornoza ter se adaptado tão rápido ao estilo de jogo do Fluminense é a semelhança do que encontra no clube em relação ao que possuía no Independiente Del Valle.

Como no Equador, quando teve a referência dos velozes Bryan Cabezas e José Ângulo pelos flancos, para poder enfiar bolas, no Rio de Janeiro o equatoriano conta com jogadores como Wellington, outro que vem crescendo de produção e atuando em alto nível, Marcos Junior, Richarlison e Gustavo Scarpa, apontado como o melhor jogador do time em 2016. Ou seja, possui companheiros que o ajudam a potencializar seu desempenho.

Jovens e de rápida adaptação a novo clube e país, Orejuela e Sornoza têm sido vitais para a retomada do Fluminense, que ainda busca maior estabilidade desde o término de sua parceria com a empresa Unimed, mas mostra evolução (conquistou a Taça Guanabara). Sob o comando do treinador Abel Braga, outra figura cuja contribuição é facilmente perceptível, os equatorianos se encaixaram na equipe e jogam como se ainda estivessem no Independiente Del Valle. Ponto para a direção do clube, que pensou a médio prazo e colhe bons frutos.

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