sexta-feira, 31 de março de 2017

Marek Hamsik, um ídolo à moda antiga

A temporada do futebol italiano parece caminhar para um desfecho esperado e previsível: mais uma vez, o troféu de campeão nacional deverá ser entregue à Juventus, que vê, distantes, Roma e Napoli lutarem pela segunda posição do certame. No que concerne ao clube do sul da Itália, tem sido habitual o ver terminar o Campeonato Italiano entre os cinco melhores times do país; essa é a situação que se afigura desde a temporada 2010/11. Embora tenha sempre contado com jogadores que ganharam enorme destaque e acabaram deixando a equipe (figuras como Edinson Cavani, Ezequiel Lavezzi ou Gonzalo Higuaín), há um atleta que, discretamente, sempre esteve no Stadio San Paolo, sendo fundamental para os recentes êxitos napolitanos: Marek Hamsik.



Aos 29 anos, ostentando a faixa de capitão do time desde 2014 (já tendo a envergado esporadicamente em anos anteriores), Hamsik pode ser descrito como o Sr. Napoli. Seus recordes, dedicação e brilhante futebol acompanham o clube desde a temporada 2007/08, ano em que foi contratado junto ao Brescia e os Partenopei retornaram à elite do futebol italiano, após viver duros anos no ostracismo, com a falência em 2004 e o consequente rebaixamento à terceira divisão.

O clube que será eternamente lembrado pelos anos em que jogadores como Diego Maradona e Careca conquistaram o impensável título italiano é cada vez mais associado à figura de Hamsik. Se o ousado cabelo moicano chama atenção quando o jogador está em campo, os poucos holofotes colocados sobre seu futebol assustam. Não são muitos os meio-campistas que desempenham o papel do eslovaco com a perfeição que o camisa 17 do Napoli o faz.

Como armador ou meia ofensivo, o jogador sempre esteve perto do gol adversário. Só houve duas temporadas em que marcou menos de 10 gols pelo clube (2013/14, com sete, e 2015/16, oito), sempre tendo sido, igualmente, vital na distribuição de assistências.

Leia também: O especial momento de Dries Mertens

Hamsik é o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa do Napoli em toda a história da equipe (com 442 jogos até o momento) e o segundo maior artilheiro (com 110 tentos anotados). É questão de (pouco) tempo a superação de ambos os recordes, tendo Giuseppe Bruscolotti – quem mais atuou pelo clube – disputado 511 jogos e Maradona, o goleador máximo, marcado 115 gols.

A capacidade inata de organizar a equipe e distribuir o jogo napolitano, que tem sido vista mais uma vez nessa temporada, é impressionante. Atualmente, com percentual de aproveitamento de passes de 88,7% e média de criação de 2,2 ocasiões de gol por jogo, confirma-se mais uma vez o jogador mais completo da equipe.




“Não entendo porque a mídia não escreve mais sobre ele; ele é um ótimo jogador, um atleta admirável. Está certamente entre os melhores do mundo em sua posição e é realmente um prazer jogar com ele”, disse o brasileiro Allan, companheiro de Hamsik, sobre o eslovaco ao site da UEFA.

No número de assistências, oito até o momento, só é superado por José Callejón, que tem nove; e nos gols vê apenas Dries Mertens (20) e Lorenzo Insigne (12) à frente. É interessante perceber também como dá dinâmica à equipe, ataca os espaços em suas movimentações, o que lhe rende muitos gols, e possui enorme aptidão para finalizar de média distância.

Com isso, é evidente que, muitas vezes, Hamsik foi procurado por outras equipes; clubes com mais recursos financeiros, história e prestígio na Europa – como Arsenal, Liverpool e Bayern de Munique. No entanto, diferentemente de outros jogadores que se destacaram no clube, nunca viu motivo para deixar o Stadio San Paolo. Sempre que esteve próximo do fim de um contrato, manifestou sua intenção de permanecer e deixou a responsabilidade nas mãos da diretoria do clube. Hoje, seu vínculo com a esquadra Partenopei vige até 2020.


“Eu me sinto bem no Napoli. Consigo me imaginar terminando a carreira aqui”, disse o jogador em junho de 2016.

Líder técnico e moral do Napoli, Hamsik é um dos maiores ídolos de toda a história do time, um verdadeiro ícone. Amado incondicionalmente pelo clube e pela cidade, desfruta de um status que poucos alcançaram e vive uma trajetória que elenca feitos cada dia mais difíceis de se encontrar no contexto hodierno do futebol. Lealdade ainda é um valor que provoca enorme admiração no futebol e o camisa 17 é um dos atletas que o representam melhor na atualidade.

Próximo de completar 10 anos de clube, o jogador viu companheiros entrarem e saírem, treinadores obterem sucesso e deixarem a equipe, e participou ativamente do processo de renascimento do Napoli; conquistou pelo clube duas Copas da Itália (2011/12, marcando o gol do título; e 2013/14) e uma Supercopa, em 2014.

Pode soar saudosista, ou ainda nostálgico, exaltar tanto um jogador por sua fidelidade, mas o fato é que Hamsik é indiscutivelmente um caso singular na Europa. Ele não nasceu em Nápoles, contudo encontrou seu lar na atribulada cidade do sul italiano, não foi formado no Napoli, porém viu seu espírito se conectar com a atmosfera do clube. Em quase 10 anos de história, foram muitos gols, lances geniais e assistências; em uma trajetória que é digna de filme e não cabe nas linhas de um texto, somente no coração daqueles que há uma década pagam para vê-lo jogar semana após semana.

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