sexta-feira, 17 de março de 2017

No Monaco, Fabinho é cada vez mais protagonista

Muitos no Brasil ainda não conhecem ou desconfiam do futebol do brasileiro Fabinho. É natural. O polivalente jogador do Monaco deixou o Brasil muito cedo e poucas foram até hoje suas oportunidades com a camisa da Seleção Brasileira. Contudo, a cada temporada que passa, o atleta comprova se tratar de um nome destinado aos grandes palcos do futebol europeu, com talento, consistência e muita personalidade. Absoluto no Principado, vem jogando futebol de primeira qualidade.



Formado na base do modesto Paulínia, clube em que se destacou na disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2011, e com rápida passagem pelos juniores do Fluminense, Fabinho nunca chegou a disputar uma partida como profissional no Brasil. Logo, em 2012, ganhou suas primeiras convocações à Seleção Brasileira Sub-20 e rapidamente foi vendido ao Rio Ave, de Portugal. Como no Flu, Fabinho não chegou a atuar em Portugal, partindo imediatamente para o Real Madrid Castilla.

Na Espanha, continuou chamando a atenção. Na temporada 2012/13 foi titular do Castilla e se destacou. Ao final da campanha, foi, inclusive, agraciado com alguns minutos com a camisa do time principal dos Merengues, lançado por José Mourinho, aos 19 anos. De cara, assistiu Ángel Di María, na goleada do Real por 6x2 frente ao Málaga. No entanto, o brasileiro não voltaria a vestir o uniforme alvo mais famoso do mundo.

De volta ao Rio Ave, Fabinho foi novamente emprestado, desta vez ao Monaco, clube em que de fato se afirmou no futebol europeu.

Comandado pelo italiano Claudio Ranieri, tornou-se titular da lateral direita imediatamente. Naquele momento, o clube monegasco vivia época de vacas gordas, tendo desembarcado no Principado nomes de peso como Falcao García, James Rodríguez, Jérémy Toulalan, João Moutinho, Eric Abidal e Ricardo Carvalho (além de promessas, como foram os casos de Geoffrey Kondogbia e Anthony Martial).

O fato é que o brasileiro nunca se intimidou diante de sua falta de experiência no futebol profissional e já em sua temporada inicial deu as primeiras mostras de sua versatilidade, sendo alternativa também para a meia-direita. Apesar disso, é ao treinador Leonardo Jardim que Fabinho deve os créditos de sua afirmação como jogador de ponta.

O ex-treinador do Sporting CP chegou ao clube em 2014/15 e logo teve que lidar com o final do sonho monegasco; James Rodríguez e Falcao García deixaram o clube e, como reforços, o português só pôde contar com jogadores inexperientes – mas de enorme qualidade, é bom que se diga. Já nessa temporada, Fabinho se tornou uma das grandes referências da equipe.

Leia também: Kylian Mbappé, o novo diamante monegasco

Com futebol consciente e taticamente evoluído, começou a ser redescoberto por Jardim. A forma como lê o jogo, suas qualidades técnicas (bom passe, visão de jogo, aptidão para os desarmes e interceptações) e atributos físicos (estatura, 1,88m, e resistência) poderiam ser igualmente bem aproveitados na condição de volante. Logo, Fabinho já estava atuando por esse setor, tendo a partida contra o Arsenal, em Londres (vitória monegasca por 3x1, válida pela UEFA Champions League), confirmado inapelavelmente a capacidade do brasileiro para atuar no meio-campo.

Em 2015/16 (temporada em que foi comprado em definitivo pelo Monaco junto ao Rio Ave), Fabinho seguiu alternando entre a lateral e a contenção e viveu sua temporada mais goleadora da carreira até então: em 47 partidas, marcou oito gols e criou cinco assistências. Estava ficando cada vez mais maduro e, no período, ganhou seus primeiros chamados à Seleção Brasileira principal (àquela altura representava o time sub-23 que se preparava para a disputa dos Jogos Olímpicos Rio 2016).

Até o momento, Fabinho tem apenas quatro partidas disputadas pela Canarinho, todas como lateral direito, e apesar de ter participado de todo o período pré-olímpico, não foi liberado pelo Monaco para participar das Olimpíadas, o que o manteve distante dos olhares do público brasileiro.

Não obstante, não há mais como ignorar o que o polivalente brasileiro vem jogando. Fabinho vive hoje momento espetacular. Com o Monaco classificado às quartas de finais da UEFA Champions League, liderando a Ligue 1 e seguindo vivo na disputa da Copa da França e da Copa da Liga, o brasileiro vai vivendo temporada dos sonhos, como volante, é importante afirmar. Seu desempenho individual também aponta nesse sentido – tem 43 partidas disputadas, 10 gols marcados e cinco assistências.

“O segredo é que estamos jogando ofensivamente, com pressão muito forte na bola e com uma transição com muita velocidade e muita gente (...) Pelo momento do Monaco e por estar jogando bem, com versatilidade para jogar de lateral e de volante, espero voltar à Seleção com o Tite”, disse o atleta em entrevista à Folha de S. Paulo, em 02 de março deste ano.

Afirmado na meia-cancha, o jogador tem demonstrado ser capaz de conduzir o time. Com boa saída de bola, apresenta média de 85% de aproveitamento de passes na Ligue 1 e de 87% na UEFA Champions League; e tenta 3,1 desarmes e 1,7 interceptações por partida no Campeonato Nacional, tendo 3,6 e 2,3 como marcas respectivas na disputa continental.

Fabinho se tornou um jogador completo e decisivo, prova disso é sua participação em três gols do clube nas Oitavas de Finais da Champions (um gol e duas assistências). Aos 23 anos, apresenta a maturidade de um veterano, tem na multifuncionalidade um diferencial e vive momento estupendo. Ainda que não seja um absurdo a falta de oportunidades na Seleção Brasileira, tem ficado cada vez mais claro que seu destino é envergar a Canarinho por anos a fio. Sempre precoce e destemido, o lateral/volante é uma das principais referências de um Monaco que encanta pelo futebol ofensivo e vive grande momento.

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