segunda-feira, 13 de março de 2017

O renascimento de Pablo Piatti no Espanyol

Baixinho, rápido, habilidoso e dono de importante aptidão para marcar gols e criar assistências; com essa coleção de adjetivos, poderíamos descrever um grande número de jogadores, sobretudo argentinos. Não obstante, o jogador de que falamos não se trata de nenhum dos melhores Hermanos, mas de uma figura que tem feito temporada brilhante no Campeonato Espanhol: Pablo Piatti.


Formado no Estudiantes, Piatti ganhou destaque no futebol ainda muito cedo. Sua estreia, promovida por Diego Simeone, aconteceu ainda em 2006, contra o Newell’s Old Boys, e desde o início ficou claro que se tratava de um jogador com estrela e potencial. Em meio a jogadores como Juan Sebastián Verón, José Sosa ou Mariano Pavone, ingressou no time e marcou já em sua estreia, aos 17 anos. Ao final da temporada, Los Pincharratas venceram o torneio, curiosamente o único título da carreira profissional de Piatti.

Sua trajetória no clube de La Plata foi rápida, mas intensa. O jogador viveu período extremamente frutífero para o time, que se consagraria em 2009, com o título da Copa Libertadores da América. Porém, já sem Piatti, que em 2008 se transferiu para o Almería, aos 19 anos.

Em todo o período em que representou os Rojiblancos, o baixinho (1,63m) foi o principal destaque do time – dentre os jogadores de linha, uma vez que, no gol, havia a importante presença do brasileiro Diego Alves. Contudo, em 2010/11, nada do que Piatti e Diego tenham feito foi suficiente para evitar o descenso do Almería à segunda divisão e ambos os atletas foram vendidos ao Valencia. O momento do argentino era tão bom, que ganhou convocação em junho de 2011, estreando pela Albiceleste em seu único jogo por seu país.

Apesar disso, enquanto se poderia esperar que o argentino, então com 22 anos, viesse a desabrochar e jogar futebol de primeira qualidade, o que se viu foram performances irregulares e papel secundário, embora tenha sido regularmente titular. Em sua primeira temporada, disputou 47 partidas, marcou seis gols e criou cinco assistências, a mais regular pelo clube.

Em 2012/13, uma sequência de lesões afastou-o da maior parte da campanha de Los Che – foram apenas 19 partidas na temporada, com um gol e quatro assistências. Essa foi a tônica dos anos que se seguiram: poucos jogos, muitas lesões, alguns tentos e passes para gols. Para se ter ideia melhor dessa situação, tem-se que em 2014/15, o jogador atuou em 30 jogos e, dentre esses, foi substituído em 20 ocasiões.

Derradeiramente, em 2015/16, sua última temporada pelo Valencia, confirmou-se um reserva. Ainda assombrado por lesões, o jogador esteve presente em 37 jogos, entrando no decorrer de 18 e sendo substituído em outros 13. Seu saldo final no clube revelou um total de 162 partidas, 23 gols e 30 assistências e a evolução que se esperava, com sua afirmação no cenário europeu, não aconteceu. Com isso, fez-se necessário um tempo distante do Estádio Mestalla.

Um empréstimo ao Espanyol acabou sendo a saída para que Pablo Piatti tentasse reerguer sua trajetória. Atuando em equipe com pretensões mais modestas, o jogador tem conseguido relançar sua carreira, ajudando o clube a ficar confortável no meio da tabela do Campeonato Espanhol e, ironicamente, observando o Valencia fazer temporada muito fraca e instável (trabalhando hoje com seu terceiro técnico no ano).

Contando com a confiança do treinador Quique Flores, que armou time sólido – só perdeu mais que Real Madrid, Barcelona, Sevilla, Atlético de Madrid e Villarreal –, Piatti tem sido o grande destaque individual do Espanyol e um dos maiores de toda a temporada espanhola. Atuando normalmente pelo flanco esquerdo do ataque Perico, tem tido liberdade para avançar pelo flanco e se colocar em condições de fazer cruzamentos e fazer incursões pelo meio-campo, chegando à área adversária para finalizar. Seus números são muito sólidos.

Já tendo balançado as redes nove vezes, tem taxa de conversão de passes chave em gols muito alta; das 28 ocasiões de gol que criou, nove foram aproveitadas. Diante disso, o que se tem é que Piatti participou diretamente de 46% dos gols que anotou o Espanyol; com o time atuando sobretudo em contragolpes, essa eficiência é fundamental. Em La Liga, apenas Toni Kroos e Luis Suárez têm mais assistências que o argentino, que também é o nono que mais tentos anotou no certame.

É bom que se diga que Piatti não ficou totalmente livre de lesões na temporada, mas tem sido preservado por seu treinador e, com isso, conseguindo atuar com maior regularidade. Seis foram os jogos que precisou se ausentar em razão de problemas de ordem médica e, dentre os 22 que já disputou, foi substituído em 12 ocasiões. Apesar disso, não ficou no banco de reservas sequer por uma partida.

A maior prova do desprestígio com o qual Piatti convivia no Valencia é o fato de que, mesmo tendo contrato com o clube até 2019, foi emprestado ao Espanyol com cláusula de compra de apenas €1,3 milhões, que deve ser exercida pela equipe catalã ao final da temporada.

“Estou muito contente e feliz de estar aqui e o transmiti à direção. No momento, não penso nisso [permanência do Espanyol], é prematuro, mas tomara que eu possa seguir aqui, nesse grande clube. É a verdade, tudo vai bem e quero seguir aqui. Estou contente com o clube, a torcida e os companheiros, esses são motivos suficientes para seguir nesse clube”, disse Piatti em dezembro último ao periódico SuperDeporte.

Diante disso, a tendência é que o argentino realmente permaneça e não retorne ao Valencia. Entretanto, diante de seu ótimo desempenho, uma transferência para outra equipe que não o Espanyol não deve ser descartada. Piatti tem impressionado positivamente em sentido contrário ao que mostrou no Valencia, pela consistência de seu jogo e afirmação de protagonismo.

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