segunda-feira, 10 de abril de 2017

A consolidação de Heung-Min Son

Em sua segunda temporada com a camisa do Tottenham, o sul-coreano Heung-Min Son tem mostrado ao torcedor dos Spurs qualidades técnicas e poder de decisão. Tal situação, anteriormente vista na Bundesliga em Hamburgo e Leverkusen, não esteve presente na primeira campanha do atleta em White Hart Lane e o jogador ficou perto de ser negociado no início do ano corrente; para o bem de todos os envolvidos, Son permaneceu e hoje se confirma alternativa importante para o treinador Mauricio Pochettino.



No que concerne à continuidade do sul-coreano no clube inglês, é evidente a influência do comandante dos Spurs. Após fracassar nos Jogos Olímpicos Rio 2016, tendo atuação especialmente criticada na partida em que seu selecionado foi eliminado por Honduras, Son desejava desesperadamente dar uma guinada em sua carreira, o que em sua visão passava por uma mudança de ares.

Embora tenha disputado 42 jogos em sua primeira temporada no Tottenham, o atacante esteve em campo em 2.001 minutos, apenas, tendo, pois, média de apenas 47 minutos disputados a cada encontro. Para um investimento de €30 milhões, tal marca se revelou extremamente inconsistente. Em um universo em que pouquíssimos jogadores asiáticos obtêm sucesso, a Premier League, rapidamente cresceu a dúvida sobre a capacidade de Son de se adaptar ao futebol britânico e acerca da validade daquele dispendioso negócio.

2016/17 veio a confirmar que os Spurs estavam certos ao apostar na estrela sul-coreana. Outrora um jogador de boas marcas com o Bayer Leverkusen – importante também para o marketing da equipe, tendo sido fundamental para a chegada do patrocínio da LG ao clube –, Son mostra hoje que pode atuar em qualquer liga do mundo. Não é que seja um craque, longe disso, mas revela capacidade de se adaptar a diferentes exigências técnicas, físicas e de posicionamento.

A importância do jogador para o Tottenham se revelou justamente quando o clube esteve sem alternativas senão lançar mão de seu camisa 7. Em dois períodos em que Harry Kane foi ausência, lesionado, Son teve boa prestação.

Leia mais: A singularidade do Tottenham de Pochettino

Sua forma tem sido consistente durante toda a temporada. Com um total de 18 gols e quatro assistências, faz sua campanha mais goleadora da carreira. Outro dado que demonstra a qualidade de seu desempenho foi o recebimento do prêmio de melhor jogador da Premier League do mês de setembro, em que foi às redes quatro vezes.

Determinação é algo que faz parte da trajetória do jogador e pode ser descrita também como uma das explicações para sua evolução.

“Aos 16, foi muito difícil [a mudança para a Alemanha]. Quando vim para a Europa, não conhecia nenhum amigo. Ninguém veio a mim. Algumas vezes senti saudades da Coreia, mas eu queria jogar futebol profissional na Europa. Essa era minha meta e eu vim para alcançar meu objetivo (...) Após as Olímpiadas [Rio 2016], fiquei muito triste (...) mas pensei ‘agora tenho que focar na temporada’, disse ao Sky Sports, em novembro de 2016.

A dedicação de Son ao Tottenham e a renovada aposta de Pochettino em seu talentoso e versátil atacante vêm se pagando. Son atuou pela ponta esquerda, pela direita e como referência nessa temporada e foi bem na maior parte das partidas.

Se não possui o faro de gol de Harry Kane, ou a visão de jogo de Christian Eriksen, o sul-coreano conseguiu se adaptar ao time, sempre com muitos deslocamentos. Por isso, na falta do goleador inglês, atuou à frente, sem ser, contudo, uma referência e um finalizador nato; o camisa 7 se destacou pela criação de espaços e intensa movimentação.

O crescimento de Son no time do Tottenham foi tanto que escanteou o holandês Vincent Janssen, atacante contratado justamente para servir de sombra à Kane e substituí-lo em suas ausências.

“Após um ano e um verão, ele [Son] é uma pessoa diferente. Ele está mais maduro, conhece o campeonato e agora se adaptou fantasticamente. Quando um jogador de frente marca gols, é fácil para ele se encaixar”, disse o treinador Mauricio Pochettino em entrevista coletiva concedida em setembro de 2016.

Como seu compatriota Park Ji-Sung, ex-jogador do Manchester United e coreano de maior sucesso da história do futebol europeu, Son encontrou seu espaço na Premier League e embora reforce os rótulos aplicados a boa parte dos jogadores do leste da Ásia (descritos como disciplinados taticamente, velozes, frágeis fisicamente e com habilidade na condução da bola), comprova mais uma vez que quando se encontra atletas de qualidade, seja qual for sua nacionalidade, não há razão pela qual não apostar em seu futebol.

Embora tenha precisado de uma temporada para se encaixar, Heung-Min Son encontrou tudo o que precisava no Tottenham e tem o recompensado por isso. A capacidade de Pochettino para lapidar jogadores e a confiança que entrega aos mais jovens, certamente, são chave para a evolução do sul-coreano, hoje uma espécie de 12º jogador do time.

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