sexta-feira, 21 de abril de 2017

O bom futebol de Wilfried Zaha merece nossa atenção

No universo do futebol, o ano de 2013 ficará eternizado como o último de Sir Alex Ferguson no comando do Manchester United. Pouco antes de se aposentar, o comandante assegurou a contratação de um jovem de 20 anos que há quase três temporadas se destacava com a camisa do Crystal Palace e que representava, então, a Seleção Inglesa Sub-21. Wilfried Zaha desembarcou em Old Trafford logo após a saída de Fergie e jamais foi treinado pelo escocês. Como ocorreu com o clube no período, o jovem atacante viveu tempos difíceis, ganhou rótulos e precisou retornar aos Eagles para renascer.



É difícil explicar o que aconteceu com o atleta no tempo em que permaneceu em Manchester. Terminando brilhantemente a temporada 2012/13, com o prêmio de melhor jogador da final dos Play-offs da Championship, Zaha estava em evidência. Sofrera o pênalti que decidira a citada peleja e, mesmo já negociado, levara seu clube à Premier League. Parecia construir um sonho, que se concretizaria quando de fato pisasse em Old Trafford, palco conhecido como o Teatro dos Sonhos.

Tudo caminhava nesse sentido. Logo no primeiro jogo da temporada dos Red Devils, a final da Community Shield, competição que põe frente a frente os campeões da Premier League e da FA Cup, Zaha foi titular, aberto pelo flanco direito do ataque de um Manchester United comandado por outro escocês, David Moyes. O título veio, mas o novo contratado não foi bem na partida e seu projetado sucesso não veio.

Entre empréstimos ao Cardiff e ao próprio Crystal Palace, só voltou a vestir a camisa do clube mancuniano em mais três oportunidades, duas pela Premier League e uma pela League Cup. 

Pelo United, que dispendeu cerca de £12 milhões para contar com seu futebol, jogou apenas 166 minutos. À época, tal situação não fazia qualquer sentido e, com isso, vieram os conhecidos rumores da imprensa inglesa, denegrindo a imagem do garoto. Se não fez sucesso em Old Trafford, de duas razões ao menos uma, com certeza, era capaz de explicar tal situação, disseram os críticos. Ou Zaha tinha problemas disciplinares ou tinha dormido com a filha de David Moyes, situação que o jogador esclareceu posteriormente.

Entrevistado pelo Daily Mail, em outubro de 2015, falou abertamente sobre seu tempo no Manchester United:

“Ou eu havia dormido com a filha de David Moyes ou eu tinha má atitude. Esses foram os dois rumores que permaneceram comigo até minha a saída [...] Até hoje, se qualquer um me vê pensa ‘Wilfried Zaha, indisciplina’. Não entendo o porquê [...] Eu fui ok na pré-temporada, ganhei um prêmio de melhor em campo, mas, logo que Moyes chegou, disse que eu não estava preparado para a Premier League [...] Eu não entendi isso. Eu nunca recebi uma verdadeira resposta”, relatou.

O fato é que a passagem de Zaha pelo maior vencedor da história da Premier League durou muito pouco. Após um breve empréstimo ao Cardiff, que acabou com o rebaixamento do clube galês, o jovem retornou, também por empréstimo, ao Crystal Palace. Passados seis meses, foi recontratado em definitivo pelos Eagles.

De volta a Selhurst Park, Wilfried reencontrou aos poucos o bom futebol, mas até a presente temporada não justificara o tamanho da fama que havia levado o United a contratá-lo. Em 2014/15 (31 jogos), marcou apenas quatro gols e ofereceu duas assistências. Em 2015/16 (34 jogos), seu desempenho foi ainda pior: dois gols e uma assistência. Seu talento estava lá, porém ofuscado pela qualidade das performances de outros jogadores, com a do congolês Yannick Bolasie.

Contudo, o jogador, ainda muito jovem (hoje tem 24 anos), deu a volta por cima. Em 2016/17 é o vice-artilheiro da equipe e um dos maiores assistentes de todo o futebol europeu. Em 29 partidas de Premier League, foi escolhido o melhor em campo cinco ocasiões, anotando seis tentos e provendo nove assistências. A velocidade com a qual tem driblado, conduzido a bola e superado seus marcadores vem causando assombro.

Se seu clube tem situação estável na luta contra o rebaixamento, muito disso se deve a solidez de suas performances. Individualmente, quem mais agradece é o centroavante belga Christian Benteke, que converteu três dos nove passes para gols criados por Zaha.


“Ele é tão chutado quanto [Eden] Hazard [...] Como um jogador, é um elogio quando os outros não conseguem lidar com sua habilidade e precisam, persistentemente, cometer faltas em você”, disse o treinador do Crystal Palace, Sam Allarcyce.

Foi diante desse contexto, inclusive, que o atacante decidiu trocar de nacionalidade. Costa-marfinense de nascimento, havia se mudado para a Inglaterra aos quatro anos e, como dito, representara o país nas categorias de base. Entretanto, após ter disputado apenas dois amistosos pelo English Team, requereu junto à FIFA a mudança de nacionalidade, para que pudesse envergar o manto de seu país natal, o que foi atendido.

Logo, foi chamado à disputa da Copa Africana de Nações de 2017. Em sua estreia por seu novo selecionado, amistoso contra a Suécia, assistiu o atacante Giovanni Sio, no gol que selou a vitória marfinense. Desde então, disputou todos os jogos de seu país e, em especial, brilhou em amistoso contra a Rússia, marcando seu primeiro gol e fazendo sofrer o setor defensivo adversário.


Zaha superou as dificuldades de seu tempo no Manchester United, voltou a jogar excelente futebol e já aparece nas listas de interesse de vários clubes, dentre os quais Manchester City e Tottenham. Seu momento é espetacular e merece toda a nossa atenção. Aos 24 anos, o atacante vai se livrando das amarras de velhos rótulos e voltando a ser lembrado pelo que realmente importa: seu desempenho dentro das quatro linhas.

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