sexta-feira, 28 de abril de 2017

Isco precisa do protagonismo que não tem no Real Madrid

Considerando todo o plantel do Real Madrid, é fácil escalar o time considerado ideal para o treinador Zinedine Zidane. Nele cabem Toni Kroos, Luka Modric e Casemiro na meia-cancha; e Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e Karim Benzema no ataque. Contudo, no elenco Merengue a qualidade vai além do onze inicial. Qual equipe do mundo possui um meio-campista reserva que mesmo possuindo esse estatuto já anotou 10 gols e criou seis assistências na temporada? O atleta em questão é Isco, possivelmente o reserva mais efetivo do futebol mundial.



No atual Campeonato Espanhol, o talentoso e versátil meia tem 1.466 minutos disputados, apenas. São 27 as partidas em que esteve em campo, o que nos faz concluir que o jogador tem média de apenas 54 minutos disputados por jogo. Apesar disso, é indiscutível o fato de que vive excelente fase. A maturidade de seu jogo impressiona, assim como sua versatilidade. Meia ofensivo de raiz, vai bem quando precisa construir o jogo mais recuado e também não tem decepcionado quando é chamado a atuar pelos flancos.

Sua situação no elenco é, todavia, peculiar. Há outros jogadores reservas que também vivem momento bom, mas nenhum deles passa pela mesma circunstância que o espanhol. Pode-se dizer que o momento de jogadores como Marco Asensio ou Álvaro Morata é ótimo; de fato é. Também é possível arguir a importância de um jogador da utilidade de Lucas Vázquez. Contudo, a relação desses com o clube muito se diferencia da vivida por Isco.

Aos 25 anos, o espanhol foi protagonista no Málaga e já está em sua quarta temporada vestindo o manto alvo do Real Madrid. Nunca foi titular absoluto, muitas vezes recebeu críticas, mas sempre demonstrou ter a técnica necessária para ser grande. Embora tenha vivido certa instabilidade em alguns momentos, nunca se pôde duvidar de suas habilidades.

Comparativamente, conquanto seja muito bom, Morata nunca demonstrou possuir a qualidade necessária para ser o protagonista de uma grande equipe. Por sua vez, Asensio ainda está em processo de amadurecimento e pode se beneficiar muito das benesses de atuar com grandes craques. Além disso, embora seja útil, Vázquez claramente não possui a técnica necessária para figurar em patamar mais elevado. De fato, além de Isco, o único jogador do elenco Merengue que teria a técnica para liderar uma equipe de porte respeitável é James Rodríguez, mas, diferentemente de espanhol, o colombiano faz temporada discreta.

Desde o título da Euro Sub-21, em 2013, ocasião em que dividiu os louros, dentre outros, com Thiago Alcântara e Koke, sabe-se de seu indiscutível potencial. No entanto, não parece que seu status mudará no clube madrileno e para o tamanho da qualidade do jogador, ser um reserva de luxo é pouco, muito pouco.

Pelos predicados que possui e o desempenho que tem mostrado, Isco precisa assumir as rédeas do meio-campo de alguma grande equipe; necessita ser titular. Após quase quatro temporadas, está muito claro que, para mudar de patamar, o espanhol precisa respirar novos ares. Embora atue em quase todas as partidas do time de Zidane, não consegue se desvincular do fato de que é reserva. E, como não poderia ser diferente, tal realidade também se reflete no âmbito da Seleção Espanhola. Seu talento tem sido, em alguma medida, desperdiçado.

São muitos os clubes europeus de primeira linha em que Isco conseguiria mais minutos. A vida no Real, com suas pressões, títulos, êxitos e decepções, certamente, faz do jogador um atleta preparado para atuar em qualquer outra agremiação. Vivendo a melhor temporada de sua carreira desde que trocou Málaga por Madrid, o jogador mostra, finalmente, que seu talento é grande demais para a pequenez da reserva – mesmo sendo a reserva em questão a do Real Madrid.

Todas as estatísticas de sua temporada apontam nesse sentido. Tanto em La Liga quanto na UEFA Champions League, o espanhol tem índice de acerto de passes de 90%. No campeonato nacional tem ainda 29 ocasiões de gol criadas e três dobletes marcados, contra Betis, Granada e Sporting Gijón – este com um gol decisivo aos 90 minutos.

É bom que se diga também que no clube da capital hispânica, Isco sofre com o fato de não conseguir se encaixar com perfeição no esquema praticado por Zidane. Embora consiga se adaptar bem às ideias do francês, as vagas de Modric e Kroos o impõem função mais defensiva do que aquela que lhe é característica. Semelhantemente, as posições de Ronaldo e Bale demandam também adaptação por parte do espanhol.

Na última partida do Real, contra o Deportivo La Coruña, Isco voltou a ser imenso, com um gol e uma assistência. Diante de tal desempenho, ganhou elogios:

“A atuação de Isco foi fenomenal. Fez coisas em campo que nem todos podem fazer. O público o reconheceu e fico muito feliz com isso”, disse Zidane em entrevista coletiva.

Dito isso, não há como não reconhecer a grandeza do futebol que Isco vem jogando. Sua habilidade no controle e na distribuição da bola impressionam, assim como sua capacidade para se aproximar do ataque e marcar gols. O espanhol é um meia completo e tem tudo – habilidade, qualidade técnica e experiência – para alcançar um protagonismo que dificilmente será possível atuando no Real Madrid.

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