quarta-feira, 12 de abril de 2017

O rito de passagem de Paulo Dybala

Em diversos contextos da vida em sociedade existem ritos de passagem. Seja por critérios religiosos, socioculturais ou até mesmo biológicos, o ser humano está condicionado a passar por eles; e no mundo do futebol não é diferente. Na última terça-feira (11), o argentino Paulo Dybala deu um passo adiante na escalada de sua carreira como futebolista: se já doutrinava na Itália, com dezenas de gols, assistências e lances da mais pura genialidade, passou a o fazer também na Europa, diante da presença de um certo Lionel Messi, de quem já foi apontado como provável sucessor na Seleção Argentina.


Aos 23 anos, o atual dono da eterna camisa 21 da Juventus (recentemente envergada por figuras da estirpe de Zinedine Zidane e Andrea Pirlo) brilhou quando sua equipe mais precisou. Diante da grandiosidade das estrelas de Neymar, Messi e Luis Suárez, atualmente as maiores referências do Barcelona, coube ao jovem meia-atacante Bianconeri a missão de se afirmar como o maior astro do Sistema Solar particular que se configurou no Juventus Stadium. Tudo isso ocorreu na partida de ida das quartas de finais da UEFA Champions League.

Em seu primeiro ato, com a confiança dos grandes, posicionou-se na área do Barça e pediu a Juan Cuadrado que lhe passasse a bola; parecia antever o que se seguiria. Com frieza e precisão cirúrgica colocou o esférico entre Andrés Iniesta e Gerard Piqué e correu para o abraço, o placar estava inaugurado e em Turim era a dona da casa quem ditava o ritmo das ações.

Pouco tempo depois, Dybala voltou a se movimentar com inteligência e outro sul-americano o encontrou. Dessa vez na entrada da área, o argentino recebeu bola do brasileiro Alex Sandro, vinda da linha de fundo, e, sem dó, fuzilou o goleiro alemão Marc-André Ter Stegen: 2x0.

Equipe de tantos craques – basta que se mencione a presença recente de estrelas do porte de Zidane, Alessandro Del Piero, Pavel Nedved, Zlatan Ibrahimovic ou Pirlo – a Juventus viu de perto uma de suas maiores esperanças dar passo importante na busca por um espaço no rol dos ídolos da história da equipe. Dybala chamou a responsabilidade contra aquele que é considerado um dos três melhores times do mundo; isso é o que os grandes craques fazem.

"O Messi é o Messi, aquele que joga no Barça, eu sou o Paulo”, disse Dybala após a vitória contra o Barça, 3x0 (o zagueiro Giorgio Chiellini completou o placar).

Se já havia disputado treze partidas de UEFA Champions League e balançado as redes três vezes (contra Bayern de Munique, Dínamo Zagreb e Porto), o argentino ainda não vivera o prazeroso sabor de colocar a Vecchia Signora em posição tão favorável em uma partida eliminatória da competição de clubes mais badalada do planeta. E é por isso que cabe falar em rito de passagem. Do talento do canhotinho já não se podia duvidar, só não era possível determinar se o atleta era mais um jogador de ótima qualidade ou se tinha o que é preciso para se tornar um craque.

Na noite da terça-feira, 11 de abril de 2017, Paulo Dybala atestou, para todos os fins, que pode ingressar no rol dos maiores jogadores do mundo em atividade atualmente; com seu talento, foi decisivo em circunstância especial e deixou o patamar do potencial para o da realidade. No decadente futebol italiano já era assim, faltava-lhe no entanto uma grande atuação na competição europeia. Não falta mais.



O garoto criado no modesto Instituto, de Córdoba, evoluiu, mostrou ser capaz de jogar em alto nível contra qualquer equipe. De sua mágica perna esquerda saíram tentos que o torcedor da Juventus vai demorar a esquecer. Aliás, falando na claque Bianconeri, esta parece estar próxima de ter mais um motivo para comemorar: após a partida, o argentino confirmou que deve renovar seu contrato com a Juve.

"Estou muito feliz na Juventus. A minha renovação está muito próxima, as pessoas gostam muito de mim e vou dar mais alegrias aos adeptos", confirmou.

Caminhando pela estrada dos grandes, Dybala é hoje a estrela individual mais evidente no elenco da Juventus. Seus gols e assistências não permitem que se pense diferente. Embora seja ainda muito jovem, entendeu o peso inerente ao ato de carregar o manto alvinegro de sua equipe e assumiu protagonismo. Contra o Barcelona foi bestial, mostrou-se capaz e pronto para trocar de patamar na hierarquia dos maiores.

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