quarta-feira, 17 de maio de 2017

A procura do equilíbrio atleticano

Nos últimos anos, desde os tempos em que Cuca foi o treinador do Atlético Mineiro, o clube afirmou um estilo de jogo muito próprio e peculiar. Baseado no que seus jogadores ofereciam, era muito veloz, direto e ofensivo, consagrando aquilo que ficou conhecido como “Galo Doido”. Com o tempo, entretanto, peças foram sendo trocadas e adaptações passaram a ser feitas. A despeito disso, ao final de um ano de 2016 fraco, ficou claro que o time não poderia mais viver de adaptações; era necessário o implemento de um novo modelo. Para cumprir a missão, desembarcou na Cidade do Galo o jovem treinador Roger Machado.



Como missão imediata, o técnico gaúcho precisava impedir que seguisse se repetindo o grande espaçamento entre os setores defensivo e ofensivo que foi visto no ano anterior. O time marcava muitos gols, mas os sofria aos montes, também. Por isso, de cara, lançou mão do esquema tático 4-1-4-1, postando Rafael Carioca imediatamente à frente da defesa e outro linha de meio lhe dando resguardo adiante. Vale ressaltar que falamos em um momento em que já não se tinha como alternativas para a contenção Leandro Donizete e Jr. Urso e ainda não haviam chegado Elias e Adílson.

A opção não foi um fracasso completo, mas deixou o time engessado, com muito toque de bola até a intermediária e pouca ligação com o ataque. Yago e Danilo, as peças utilizadas à frente de Carioca nem foram tão mal, individualmente, mas não deram ao coletivo o contributo esperado. Chegou Elias e foi mantida a insistência com tal fórmula. Embora tenha havido evolução do ponto de vista técnico, taticamente o desempenho do time permaneceu aquém do esperado e Danilo, em especial, passou a demonstrar certa insegurança.

Mudou-se, pois. Elias foi recuado e passou a atuar ao lado de Rafael Carioca, auxiliando-o na saída de bola e fortalecendo a proteção à zaga e às laterais. O time melhorou, mas, com isso, voltou-se a perder qualidade na transição defesa-ataque. Foram necessárias atuações muito abaixo da plenitude das capacidades do elenco em algumas partidas para que se chegasse à formação que, finalmente, passou a potencializar o desempenho dos atletas alvinegros.

Adílson (foto) ingressou no meio-campo, postando-se à frente da zaga, avançando ligeiramente Rafael Carioca e lançando Elias à função que melhor desempenha, como terceiro homem de meio-campo - por vezes, até mesmo aberto pela direita. Enfim, o time se formatou. Durante as situações que o jogo apresenta, modula-se entre os esquemas 4-1-4-1, 4-4-1-1,  ou, ainda, 4-4-2 (sobretudo na fase defensiva), em ocasiões em que Robinho se aproxima de Fred, no comando do ataque.

Ao mesmo tempo, com a alteração, ganhou-se em combatividade no meio-campo, os laterais passaram a ter maior liberdade para avançar - sobretudo Marcos Rocha -, a transição entre meio e ataque evoluiu (com Elias atuando em altíssimo nível) e o time passou a transmitir a confiança que o torcedor pedia.

De mais a mais, o estilo de jogo não é difícil de se desmistificar: privilegia o passe curto e pelo chão (o que tem demandado muito esforço de adaptação de jogadores como Leonardo Silva e Rocha), com muita movimentação, intensidade e pegada, tendo como objetivo final alcançar o artilheiro Fred, que vive forma fantástica, tendo marcado 17 gols em 19 partidas.

No momento, o jogo atleticano se baseia em controle e reação. Ainda que possa entregar, muitas vezes, a bola ao adversário, projeta sua linhas de marcação compactas e o impede de jogar, neutralizando-o. Por sua vez, no ato de recuperação da bola, avança suas linhas, sempre com muitos jogadores, e cria situações de perigo.

Há que se ressaltar ainda a importância que duas peças possuem no elenco: Juan Cazares e Rafael Moura (foto). 

Do talento do equatoriano não se duvida, o que ainda não é suficiente para afastar algumas críticas (muitas vezes justas) com relação a seu alheamento ao jogo. No entanto, o jogador é o único que possui a qualidade necessária para mudar, por completo, a circunstância de um jogo. Por isso, em alguns turnos é alternativa utilizada, normalmente na vaga de Robinho, pela diferente movimentação, drible, qualidade na construção de oportunidades e aproximação do gol adversário. Em muitas ocasiões, o camisa 10 é o responsável pela criação de um "fato novo", desconstruindo a estratégia adversária.

Lado outro, o He-Man tem revelado qualidades diferentes no Galo. O centroavante tem sido utilizado em muitas ocasiões próximo à Fred, mas sem ser a referência, circulando, dando mais espaços para seu parceiro e sendo decisivo. A recordação do atacante como um “poste” ficou no passado - ao menos quando atua com Fred. Se sua qualidade técnica é inferior a de seus companheiros de frente, tem compensado com enorme dedicação tática e entrega física.

Hoje, o Galo é isso, um time competitivo. Com linhas mais próximas, consciência coletiva e talento individual, vem evoluindo. Ainda não chegou ao ponto ideal, mas dá mostras de que os erros que aparecem são identificados e trabalhados. Além disso, possui peças capazes de mudar as partidas, o que mantém certa margem para novidades. Roger Machado vai, aos poucos, entendendo o que seus comandados lhe oferecem de melhor e, assim, o alvinegro vai se mantendo no rol de clubes que postularão as primeiras posições do Campeonato Brasileiro.

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