sexta-feira, 5 de maio de 2017

Davy Klaassen, a jovem referência de um Ajax de garotos

Pode soar inadequado dizer que alguém jovem é referência em uma equipe de futebol composta por atletas de pouca idade; pode parecer até mesmo óbvio. Essa é a realidade vivida pelo Ajax. Um dos maiores times do planeta, por sua história de glórias e pela grandeza e classe dos vários craques que por lá passaram, o escrete de Amsterdã vive tempos de sono profundo, ainda muito poderoso na Holanda, contudo frágil continentalmente. 2016/17 pode representar o retorno dos Godenzonen aos pódios europeus. Com um time vívido, destemido e elétrico, pode conquistar a Europa League, tudo isso comandado por um raro talento: Davy Klaassen.



Como a peculiar história do clube aponta, seu sucesso sempre esteve ligado à qualidade de jogadores formados em casa. Foi assim nos mais vitoriosos tempos do time, quando o representante da capital neerlandesa gozava da sorte de acompanhar atletas da estirpe de Piet Keizer, Johan Cruyff, Johan Neeskens, dos irmãos De Boer, de Dennis Bergkamp, Clarence Seedorf ou Patrick Kluivert - para nomear apenas alguns. Mais recentemente, também foi assim, com o surgimento de Rafael van der Vaart e Wesley Sneijder e, hoje, essa permanece sendo a realidade do Ajax.

É bem verdade que o clube tem contratado jovens apostas de outras equipes, mas ainda é impressionante o percentual de jogadores formados na Ajax Youth Academy que integra seu elenco profissional. E esse é o contexto em que emerge a liderança de Klaassen, a mais importante referência do time, que tem média de 22,6 anos. Pode-se até questionar se o holandês é o jogador mais talentoso da esquadra. Todavia, está acima de qualquer suspeita a ascendência exercida pelo jogador de 24 anos sob seus companheiros.

Leia também: Times de que Gostamos: Ajax 1970-1973

Portador de uma faixa de capitão histórica, Davy chegou ao Ajax em 2004, aos 11 anos. Isso quer dizer que ainda conseguiu acompanhar de perto Sneijder, van der Vaart e Zlatan Ibrahimovic. Apesar disso, nunca antes havia presenciado seu time chegar tão longe em uma competição europeia quanto na atual temporada. 

Na UEFA Champions League, sempre a viu parar na Fase de Grupos ou mesmo nas fases que a antecedem; na Europa League (antes UEFA Cup), o máximo que o clube conseguira no período foram avanços às oitavas de finais. Como ninguém, Klaassen sabe o significado do momento atual do Ajax. Embora o título da Eredivisie esteja mais próximo de retornar ao seu grande rival, Feyenoord, 2016/17 pode marcar a volta do clube às glórias europeias, algo que, para uma equipe com o peso dos Godenzonen, não tem preço. O time está nas semifinais e, no jogo de ida, contra o Lyon, goleou-o por 4x1.

Esse é o cenário em que, da meia-cancha do clube, às vezes mais avançado e, noutros turnos, recuado, o camisa 10 orquestra o jogo de seu time. Sua capacidade para se colocar sempre à disposição de seus companheiros, como alternativa, e de marcar gols em momentos importantes tem sido fonte de inspiração para garotos que vivem momento especial, como são os casos de Kasper Dolberg, Justin Kluivert, Amin Younes, Matthjis de Ligt ou Jairo Riedewald. Embora não seja o jogador mais velho da equipe, Klaassen é quem a comanda.

Profissional desde 2011 e afirmado no elenco a partir de 2013, acompanhou também o clube renascer nacionalmente - o Ajax ficou sem conquistar a Eredivisie entre 2003/04 e 2011/12. Por isso, entende e encarna o espírito da equipe como poucos. Por essa razão, recusou em mais de uma ocasião uma transferência, ainda que tenha sido durante um bom tempo alvo de equipes como Arsenal, Manchester United e Napoli.

“Eu não planejo deixar o clube. Eu sou um verdadeiro homem do Ajax”, disse em abril de 2016 ao Goal.com.

Com isso, ao longo dos anos, vem forjando uma poderosa relação com o clube e o que o cerca. Por isso é seu capitão. No entanto, é claro que não se pode esquecer a importância de seu impacto dentro das quatro linhas.

Na atual temporada, Klaassen disputou, até o momento, 46 partidas, tendo anotado impressionantes 19 gols e 10 assistências. Tem, ainda, 66 ocasiões de gols criadas e 79% de aproveitamento em seus passes. É, também, o sexto jogador que mais desarmes efetua por partida no Ajax, o que deixa muito claro o quão completo é o meia. Ao todo, tem 176 partidas disputadas, 54 tentos marcados e 38 assistências providas pelo Ajax, números extremamente sólidos.
O jogador também tem sido importante na difícil reconstrução por que passa a Seleção Holandesa. Titular nas últimas sete partidas, balançou as redes duas vezes pela Laranja Mecânica.

É bom mencionar, ademais, que o jogador tem peculiar propensão para se destacar em momentos importantes. Na partida de ida das quartas de finais da presente edição da Europa League, o holandês marcou duas vezes contra o Schalke 04, encaminhando a classificação de seu time. Na temporada, também balançou as redes em um dos clássicos contra o PSV.

Já campeão da Eredivisie em algumas ocasiões, o camisa 10 vive a grande expectativa de conquistar um título continental e ajudar o Ajax a se recolocar em patamar mais elevado. Se vier, a láurea premiará um jogador que, a despeito das oportunidades que teve e tem, revela não ter qualquer interesse em deixar os Godenzonen, mantendo-se, a despeito de sua peculiar juventude, imponente referência para seus companheiros.

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