quarta-feira, 24 de maio de 2017

Dzeko e Salah: protagonistas do mais eficiente ataque da Roma

O Campeonato Italiano já conhece sua campeã. Pela sexta vez consecutiva, a Juventus levou o troféu a Turim - no entanto, sem conseguir ser tão superior quanto em outras temporadas. Muito disso se deve à brilhante campanha de uma dupla de atacantes que só não tem feito chover. Vivendo o ano mais goleador de suas carreiras, o bósnio Edin Dzeko e o egípcio Mohamed Salah têm feito de tudo um pouco, alcançando marcas históricas: nunca a Roma havia marcado tantos gols em uma edição do Italiano e, pela equipe, nunca alguém balançado as redes tantas vezes no mesmo torneio quanto Dzeko.



Desde que a divisão de elite do futebol da Velha Bota passou a ser disputada por 20 equipes, o máximo de gols que os Giallorossi haviam anotado fora registrado na temporada 2015/16, ocasião em que foram às redes 83 vezes. Além disso, cabia a Francesco Totti o recorde individual de gols feitos em uma só campanha: em 2006/07, o eterno ídolo do clube da capital marcou 26 vezes. Ambos os recordes foram quebrados.

Referência no ataque da Roma na atual temporada, aos 31 anos Edin Dzeko vive o melhor momento de sua carreira; nunca antes havia conseguido ser tão prolífico. Em 36 partidas, marcou, até o momento (resta uma rodada por disputar), 28 vezes, liderando a artilharia do certame - perseguido de perto por Dries Mertens (27), do Napoli, e Andrea Belotti (25), do Torino. 

Curiosamente, nessa campanha o bósnio também se destaca como assistente. O camisa 9 repete sua melhor marca da carreira, com sete passes para gols, algo que só conseguira no já distante ano de 2009/10, quando montou bela parceria com o brasileiro Grafite, no Wolfsburg.

“Ele é um cara sensível, sente o peso da responsabilidade. Quando as coisas não estavam indo bem, ele estava chateado e trabalhou muito, como resultado. Então ele começou, novamente, a mostrar às pessoas o que pode fazer [...] Ele é um grande jogador e se puder encontrar o equilíbrio ideal, se tornará um jogador excepcional”, disse o treinador Luciano Spalletti, em fevereiro, ao site oficial da Roma.



Por outro lado, em oposição à robustez física de Dzeko, a leveza e velocidade de Mohamed Salah também tem sido vital para os planos da equipe treinada por Spalletti. O jogador, contratado pelo Chelsea junto ao Basel em 2014 e com passagem pela Fiorentina, parece ter, finalmente, alcançado seu maior nível técnico. Sua temporada anterior (2015/16) já havia sido muito boa, mas a que se aproxima de seu fim se mostra substancialmente melhor.

Em 2016/17, Salah também alcançou seus melhores números de toda a carreira. Aos 24 anos, em 30 partidas jogadas no Italiano, foi às redes 15 vezes e criou 11 assistências (liderando tal estatística, ao lado do napolitano José Callejón). Juntos, bósnio e egípcio alcançaram enorme entrosamento. Salah assistiu Dzeko sete vezes. O oposto ocorreu em três turnos. Ou seja: juntos, os atacantes participaram diretamente de 58% dos 87 gols da Roma no Campeonato Italiano. É pouco?

Contratados em baixa, por quantias razoáveis, abaixo de sua valorização de mercado, os atletas foram os maiores destaques individuais de uma equipe que mostrou bom nível. Na temporada, Dzeko conseguiu ainda a proeza de anotar dois hat-tricks (ambos na Europa League). Salah não fica muito atrás, tendo sido o autor de três tentos em partida contra o Bologna.

“Penso que Momo [Salah] é um grande jogador. Para mim, quando Momo está lá, é mais fácil jogar, sei que ele é o cara que irá sempre correr nos espaços e sempre tenho a opção de jogar com ele nos espaços”, disse Dzeko no início de maio, também ao site oficial da Roma

No total, o centroavante bósnio balançou as redes em impressionantes 38 ocasiões (em 50 partidas); já o ponta egípcio totaliza 19 tentos, em 40 jogos. Tal recorde poderia ter sido ainda maior, caso o atleta não tivesse se ausentado no início de 2017, para a disputa da Copa Africana de Nações. São impressionantes os números dos jogadores. Mais interessante que isso é notar a afinidade existente na diferença de seus estilos. 

Poderoso pelo ar, bom no pivô e um finalizador clínico, Dzeko tem se mostrado um ótimo exemplar do tradicional centroavante. Por outro lado, insinuante, driblador e velocíssimo, Salah é o que em outros tempos chamaríamos de segundo atacante, porém hoje acaba atuando mais próximo das pontas. Suas diferenças os completam; durante as partidas os atletas se procuram.



A despeito dos números assombrosos, Dzeko e Salah não conseguiram levar a Roma a nenhum título. Também por isso têm saída do clube especulada. Enquanto o camisa 9 é analisado por equipes como o Milan, o 11 tem sido ligado a uma transferência ao Liverpool, retornando, pois, à Premier League. É impossível não imaginar o quão devastador seria o efeito da possível saída de ambos. 

No entanto, isso é assunto para a janela de transferências. No momento, recomenda-se apenas acompanhar o último jogo da Roma na temporada e lembrar o quão poderoso foi o ano da mais prolífica dupla de ataque do futebol italiano em 2016/17.

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