sexta-feira, 19 de maio de 2017

Löw premia bom desempenho: a merecida convocação de Lars Stindl

Na presente edição da Bundesliga, muitas foram as campanhas inesperadas. É fantástico que, ao término de mais uma temporada, vejamos equipes como RB Leipzig, Hoffenheim, Hertha Berlin e Freiburg na prateleira de cima. Ao mesmo tempo, é triste ver outras, tradicionais, como Bayer Leverkusen, Borussia Mönchengladbach ou Schalke 04 sem grandes pretensões. Não obstante, isso não quer dizer que tais equipes não tenham tido destaques individuais; do Gladbach, chega à Seleção Alemã o versátil Lars Stindl, com todos os méritos.



No início da temporada, o clube da Renânia do Norte-Vestfália, perdeu aquela que talvez fosse a mais importante de suas peças. Vendeu ao Arsenal seu organizador: Granit Xhaka. O time também perdeu a referência do experiente Martin Stranzl, antigo detentor da capitania da equipe. Aos 28 anos, Stindl herdou de Stranzl a responsabilidade de comandar moralmente o time e de Xhaka a de ser sua grande referência técnica. Individualmente, saiu-se bem.

As expectativas eram altas no que concernia aos Potros. Após alcançarem a quarta colocação na Bundesliga 2015/16, disputaram os Playoffs da UEFA Champions League e chegaram à fase de grupos. Não obstante, tiveram o azar enorme de o dividirem com Barcelona, Manchester City e Celtic. Como era de se imaginar, viram catalães e mancunianos avançar. No entanto, Stindl se fez notar, marcando nas duas partidas contra os escoceses.

Em solo nacional, a campanha do Gladbach foi recheada de altos e baixos e a verdade é que o time mostrou muita fraqueza quando teve pela frente as equipes do topo da tabela. Nem por isso seu capitão deixou de balançar as redes. Já na 1ª rodada da Bundesliga, em partida contra o Bayer Leverkusen, Stindl fez o gol da vitória de sua equipe. 

Faltando uma partida para o fim do campeonato, o jogador pode dizer que foi às redes 11 vezes em 29 jogos, valendo destacar importante sequência entre as rodadas 28 e 31, em que marcou em quatro encontros seguidos, contra Colônia, Hoffenheim, Borussia Dortmund e Mainz 05.

Na competição, é provável que sua mais memorável partida tenha sido o encontro contra o Leverkusen, no segundo turno. Jonathan Tah e Chicharito haviam aberto vantagem de dois gols para o Bayer. Eis que Stindl apareceu. Em seis minutos (entre o 52 e o 58), empatou o jogo. Aos 71, viu Raffael garantir a vitória dos Fohlen

É justo mencionar, também, que o jogador teve participação importante na Europa League. Os Potros terminaram a fase de grupos da Champions League em terceiro lugar e, automaticamente, passaram a disputar a citada competição. 

Na primeira fase eliminatória, Stindl fez aquele que pode ser considerado seu melhor jogo na temporada. Contra a Fiorentina, foi às redes três vezes e carimbou o passaporte de sua equipe às oitavas de finais do certame. Na sequência, todavia, não evitou que dois empates e uma diferença de gols favorável ao Schalke 04 impusessem mais uma eliminação ao Gladbach (valendo a referência ao fato de que, lesionado, não pode disputar a partida decisiva).

É ainda pertinente dizer que Stindl fez ótima participação na Copa da Alemanha, da qual seu time só foi eliminado na marca penal. Na segunda fase, anotou o gol da vitória contra o Stuttgart, e, na quarta, abriu o placar para eliminar o Hamburgo.

“Essa [a Copa das Confederações] poderá ser uma boa oportunidade para observarmos Lars [Stindl] por um período mais longo. Não é preciso dizer que ele é um bom jogador - técnico e muito perigoso em frente ao gol”, disse Joachim Löw ao periódico Die Welt.

Se o Borussia Mönchengladbach não conseguiu viver uma temporada vitoriosa, nada disso se pode dizer com relação a seu capitão e referência. Individualmente, foi fantástico. No total, marcou 18 vezes e construiu sete assistências. Com isso, justamente, ganhou um chamado à Nationalelf. Na Copa das Confederações, competição em que o treinador Joachim Löw fará testes, terá a oportunidade de vestir uma camisa que envergou pela última vez em 2009, representando o escalão sub-21.

Pouco após a eliminação da Fiorentina, entrevistado pela assessoria de imprensa da Federação Alemã de Futebol, revelou não pensar em convocação:

“Não, isso [a convocação para a Copa das Confederações] não é algo em que tenho pensado muito. Estamos jogando muitas competições agora e tenho tido muita diversão com o elenco. Por isso, não tenho pensado em muitas outras coisas que não o futebol, estou feliz que vencemos hoje, ainda estamos na Europa League”, disse.

Entretanto, não é sem critério que o jogador foi convocado. Para além de seu desempenho recente vir sendo fulgurante, suas capacidades enquanto futebolista o credenciam a, apresentando boas performances, permanecer como alternativa para Löw.

É fato que a Seleção Alemã tem ao menos um grande problema no momento: não consegue definir quem será sua referência ofensiva e, tampouco, decidir qual o estilo do jogador que será designado para exercer tal função. Na temporada, Stindl foi de tudo um pouco. É bem verdade que, na maior parte das vezes, atuou mais avançado, como referência. Contudo, não se pode desconsiderar o fato de que muitas vezes foi segundo atacante, ou, ainda, meia. Mesmo quando atua mais adiantado não se torna o chamado “jogador alvo”; circula por todo setor ofensivo, atacando espaços, criando oportunidades e auxiliando seus companheiros na criação.

Fala-se nele como um Raumdeuter, que nada mais é do que um jogador ofensivo “faz tudo”. O expoente maior desse tipo de atleta é ninguém menos que Thomas Müller, atleta que, ao contrário de Stindl, vive má fase. Caso mantenha a forma demonstrada no Gladbach, não há qualquer razão para não consideramos, com seriedade, sua manutenção na Seleção Alemã. 2016/17 deixou a qualidade do camisa 13 acima de qualquer suspeita. Löw enxergou, pois, uma oportunidade e premiou o bom desempenho de Lars.

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