quarta-feira, 10 de maio de 2017

Times de que Gostamos: Liverpool 2004-2005

Após rememorar o Mallorca da temporada 2002-2003, campeão da Copa del Rey e que tinha em Samuel Eto’o sua grande referência, lembro o time do Liverpool de 2004-2005, que protagonizou a final da UEFA Champions League conhecida como o “Milagre de Istambul”.


Em pé: Traoré, Xabi Alonso, Hyypiä, Dudek, Carragher, Kewell;
Agachados: Finnan, Baros, Luis García, Gerrard, Riise.

Time: Liverpool

Período: 2004-2005

Time base: Dudek; Finnan, Carragher, Hyypiä, Traoré; Luis García, Alonso, Gerrard, Riise; Kewell (Hamann) e Baros. Téc.: Rafa Benítez

Conquista: UEFA Champions League

Quando a temporada 2004/05 chegou, já haviam se passado mais de 20 anos desde o último título da UEFA Champions League conquistado pelo Liverpool. Por sua vez, o jejum de títulos ingleses também era grande, alcançando os 15 anos. Nesse contexto, algumas vitórias nas copas inglesas (FA Cup e League Cup) e um título da UEFA Cup amenizavam a realidade vivida pelos Reds. No entanto, a pressão pela conquista de um título de maior expressão existia e não era pequena.

A esperança veio da Espanha

Contra ela, o clube apostou suas fichas no treinador Rafa Benítez (foto), contratado junto ao Valencia.

“Espanholizando” o elenco, o comandante promoveu modificações profundas no time inglês. Junto a ele, desembarcaram em Anfield Road jogadores importantes, como foram os casos dos decisivos Luis García e Xabi Alonso, vindos de Barcelona e Real Sociedad, respectivamente. Chegaram também outros espanhóis, casos de Josemi e Antonio Núñez (na metade da temporada ainda seria contratado o atacante Fernando Morientes). Além da legião hispânica, o clube trouxe o bom atacante Djibril Cissé e, na janela de transferências de inverno, o goleiro Scott Carson e o beque argentino, ex-comandado de Rafa, Mauricio Pellegrino.

Entretanto, a missão do treinador espanhol era dura. Além do jejum de títulos importantes, o Liverpool acabara de vender sua maior estrela: o inglês Michael Owen se tornara mais um Galáctico, firmando com o Real Madrid.

O estilo de jogo

Como fizera no Valencia, Rafa Benítez chegou ao Liverpool tentando impor um jogo técnico e criativo, com força e velocidade pelos flancos e toque de bola no centro do campo. Por isso, pedira a contratação de Xabi Alonso, jogador que se tornaria o termômetro da equipe, seu controlador. Sua equipe não tinha grandes diferenciais técnicos, contudo contava com aquela que foi, possivelmente, a versão mais ofensiva e decisiva de Steven Gerrard. 

Aliás, falando em poder de decisão, o treinador tinha em Luis García uma peça que, em muitas ocasiões, abusando de sua individualidade, resolveu partidas.

Sua defesa era segura e sólida, mas também não tinha nada de muito especial. Jamie Carragher e Sami Hyypiä eram, não obstante, jogadores extremamente identificados como clube e de forte caráter. Para eles, desistir nunca foi uma opção. Os outros componentes do setor eram apenas regulares: os laterais Steve Finnan e Djimi Traoré, e o goleiro Jerzy Dudek, de quem ainda falaremos. Quando precisava reforçar sua retaguarda, Rafa tinha a alternativa do experiente volante alemão Dieter Hamann, jogador importantíssimo.

Com um canhão na perna esquerda, o norueguês John Arne Riise era importante alternativa pela meia esquerda, enquanto, mais próximo do gol, Harry Kewell era quem concentrava o jogo do time, fazendo a ligação entre mais centrais, ponteiros e o atacante de referência, usualmente Milan Baros, mas em algumas ocasiões Djibril Cissé. Tratava-se de um bom time, contudo, tecnicamente inferior ao das grandes esquadras que enfrentaria (e venceria, com todos os méritos). 

A campanha na UEFA Champions League

Embora tenha conseguido dar a sua cara ao Liverpool, Benítez não trouxe impacto imediato a Anfield Road. Seu início de trajetória foi apenas regular. Nas primeiras 10 rodadas da Premier League, os Reds somaram cinco vitórias, três derrotas e dois empates e na Fase de Grupos da UEFA Champions League jogaram apenas para o gasto. Antes, vale dizer, o clube teve que disputar eliminatória para conseguir acesso à Fase de Grupos. No primeiro encontro venceu o austríaco Grazer AK por 2x0, placar que foi fundamental, uma vez que o clube perdeu na volta, por 1x0.

A estreia no Grupo A da competição continental foi com vitória, contra o Monaco, mas logo veio derrota decepcionante contra o Olympiacos (1x0, com assistência de Rivaldo). Após, um empate e uma vitória magros contra o Deportivo La Coruña mantiveram a situação do clube inglês absolutamente perigosa e com fortes emoções. Estas só ficariam mais fortes, quando, ao visitar o Principado, o clube viu o argentino Javier Saviola lhe impor mais uma derrota magra.

E não é que o flerte com a desclassificação chegou a ser bem real? Em casa, contra o Olympiacos, o Liverpool viu Rivaldo abrir o placar para os gregos, de falta. Contudo, no segundo tempo, acordou e virou, com gols de Florent Sinama-Pongolle, Neil Mellor e Gerrard. Com a segunda colocação, atrás do Monaco, que havia sido finalista na edição anterior, os ingleses avançaram aos mata-matas.

Os primeiros sinais de que o clube poderia fazer um trabalho melhor na competição europeia vieram já nas oitavas de finais. Sorteado para pegar o Bayer Leverkusen, que possuía um ataque forte, composto pelo brasileiro França e o búlgaro Dimitar Berbatov, os Reds venceram as duas partidas convincentemente. Ambos os encontros terminaram 3x1 e, nas duas ocasiões, os ingleses abriram vantagem por três gols, antes de sofrerem o tento de honra do clube alemão. A aludida fase foi bem mais tranquila do que a primeira. As dificuldades, contudo, aumentariam.
Nas quartas de finais, o adversário do Liverpool foi a Juventus, que seria campeã italiana naquela temporada. Do lado italiano, o time treinado por Fabio Capello tinha muitas estrelas, figuras da estirpe de Fabio Cannavaro, Gianluigi Buffon, Pavel Nedved ou Alessandro Del Piero. Desde o início, ficara claro que avançaria quem menos errasse.

Os Reds foram econômicos, mas alcançaram seu objetivo. Na primeira partida, em Anfield Road, venceram pela margem mínima, 2x1, gols de Hyypiä e Luis García. Na volta, o 0x0 garantiu o avanço do clube às semifinais. Ainda sem favoritismo, o clube inglês começava a dar mostras de que poderia conquistar o título, mas teria que fazer o que não fizera na temporada ainda.

Após eliminar a Vecchia Signora, o Liverpool ficou frente a frente com o Chelsea, treinado por José Mourinho e que seria campeão inglês na temporada em questão. Quando chegou o momento de os clubes se enfrentarem pela competição continental, já haviam jogado três vezes na temporada e o recorde apontava prevalência londrina. Na Premier League, os Blues haviam vencido duas vezes (ambas por 1x0). A outra partida entre Liverpool e Chelsea fora a final da FA Cup, conquistada também pelo clube da capital (3x2).

No duelo dos treinadores ibéricos recém-chegados à Inglaterra, Mourinho vinha levando a melhor. Entretanto, com controvérsia, tal situação se findou. Em Stamford Bridge, o zero não saiu do placar, e na volta, em Anfield, os Reds venceram, por 1x0. Porém, a bola finalizada por Luis García aos quatro minutos da primeira etapa não teria entrado. Validado, contudo, o gol devolveu ao Liverpool a possibilidade de alcançar uma glória de peso. Para isso, no entanto, teria que vencer o poderosíssimo Milan.

O “Milagre de Istambul”

Reafirmado no contexto do futebol europeu após bater Bayer Leverkusen, Juventus e Chelsea, o Liverpool que chegou à final da UEFA Champions League já não era encarado como azarão. A despeito disso, não era possível deixar de apontar o Milan como favorito à conquista. Comandado pelos gols da dupla formada por Hernán Crespo e Andriy Shevchenko, pela técnica e velocidade de Kaká e a solidez de sua incrível defesa, o clube chegara com tudo a Istambul.

O que não se podia esperar era o massacre que a esquadra italiana imporia à inglesa no primeiro tempo. Com muita liberdade, Kaká comandou uma vitória arrasadora por 3x0, com gols de Paolo Maldini e Crespo (2x). Não parecia que os Reds teriam qualquer chance de conquistar a vitória: eis que entrou em ação a “mão do treinador”.

Inesperadamente, o espanhol sacou o lesionado Finnan, seu lateral direito, e ao invés de o trocar por Josemi, da mesma posição, lançou a campo o experiente volante Hamann. O 4-4-1-1 inicial se transformou em 3-4-2-1 e Kaká ganhou uma sombra. O jogo virou e em seis minutos (entre o minuto 54 e o 60) o Liverpool conquistou o empate, com tentos de Gerrard, Vladimir Smicer (que entrara ainda no primeiro tempo na vaga de Kewell, lesionado) e Alonso. Com a confiança renovada os ingleses mantiveram o resultado e, cansados, os times não conseguiram evitar o drama dos pênaltis.

Foi então que a estrela de Dudek apareceu. Quando a marca da cal foi determinada como artifício que decidiria a partida, o goleiro agarrou as cobranças de Andrea Pirlo e Shevchenko e se tornou mais um herói da noite turca que ficou conhecida como “Milagre de Istambul”. Serginho, brasileiro que havia entrado no decorrer da partida, também desperdiçou sua cobrança, mas chutou na trave.

O vitorioso elenco

Como já mencionado, a meta da equipe era defendida pelo polonês Jerzy Dudek. O arqueiro fora contratado em 2001, junto ao Feyenoord, e chegara com o cartaz de melhor jogador do Campeonato Holandês de 2000. O herói da noite turca de futebol mais importante da história do futebol europeu era um bom goleiro. Seguro, fazia seu trabalho sem alarde. Como dificilmente seria diferente, falhou algumas vezes durante sua trajetória, nada que o faça ser menos lembrado por seus feitos positivos.

Durante a temporada em foco, os Reds chegaram a contratar o jovem Scott Carson, então titular da Seleção Inglesa Sub-21, ao Leeds United, mas esse nunca se firmou no clube. Em 2005/06, Dudek viu o Liverpool contratar o espanhol Pepe Reina e passou à reserva e, em 2007, deixou o clube, partindo para o Real Madrid. Ao todo, defendeu a honra de Anfield Road em 179 partidas, conquistando 73 clean sheets.

Pela lateral direita, atuou um dos jogadores mais dedicados da equipe, o qual, por essa qualidade, conquistou espaço especial no coração do torcedor do Liverpool. O irlandês Steve Finnan não era alguém que tivesse muita categoria, mas era incansável, encarnava o espírito do clube. Durante sua longa passagem pela equipe, sofreu com muitas lesões, porém foi muito importante. Em 217 jogos, só marcou uma vez. Nem a contratação do espanhol Josemi junto ao Málaga foi capaz de diminuir seu espaço.

Por sua vez, a faixa canhota contava com a presença o malinês Djimi Traoré. Contratado em 1999, após se destacar na segunda divisão francesa, era zagueiro de origem, mas, diante do fato de que o clube possuía pelo flanco esquerdo a potência de John Arne Riise, foi tida como ato de sabedoria a adaptação do jogador à lateral esquerda, para aumentar a proteção pelo setor. Embora nunca tenha conquistado muito espaço no período em que teve contrato com o time, em 2004-2005 foi o titular da posição. A alternativa a ele era Stephen Warnock, jogador de vocação mais ofensiva.

Na zaga, a titularidade de uma dupla de ídolos era indiscutível. Criado no clube, Jamie Carragher (foto, à esquerda) era uma das grandes referências do torcedor dos Reds. Conquanto não fosse muito alto (1,83m), marcava como um carrapato, tinha senso de posicionamento privilegiado e nunca deixava de lutar pelo time. Jogador de um time só, representou o Liverpool entre 1996 e 2013, conseguindo a impressionante marca de 737 jogos. Seu parceiro era o finlandês Sami Hyypiä (foto, à direita) considerado pelo próprio clube um dos maiores beques de sua história. Grandalhão (1,93m) era fortíssimo no jogo aéreo, muito firme e sério. Disputou um total de 464 jogos pelo time e marcou importantes 35 tentos. A dupla possuía enorme entrosamento e se mostrou fundamental para os êxitos do clube, como os empates sem gols contra Juventus e Chelsea. Ambos foram capitães da equipe em muitos momentos.

À frente, no meio-campo, o Liverpool alinhava uma dupla de meio-campistas de extremo talento. Ainda jovens, Xabi Alonso e Steven Gerrard (foto) viviam grande momento. Mestre dos passes e da organização, o primeiro chegara da Real Sociedad para mudar por completo o modo como o clube atuava. Dono de impressionante controle de bola e postura elegante, já em sua primeira temporada pelo clube, foi fundamental. Stevie, por seu turno, era de tudo um pouco. Capitão, era a referência moral mais importante e vivia momento técnico especial. Atacava e defendia o tempo todo, passava bem, corria muito, marcava gols e orientava seus companheiros. Confirmava-se ali um dos maiores ídolos da história do clube; como Carragher, jogador de um só time, pelo qual jogou 710 vezes e marcou 186 gols. 

Quando precisava de um jogador de marcação mais forte - como na final da UEFA Champions League - o treinador Rafa Benítez tinha como alternativa o já citado Dieter Hamann. Volante alto, de forte marcação, cuja especialidade eram os desarmes, era titular absoluto antes da chegada de Alonso e foi outro atleta que conquistou o profundo carinho do torcedor dos Reds. Sempre calmo, bem composto e imperturbável, ajudou a dar equilíbrio a equipe em vários momentos.

Com papel mais ofensivo, pelo flanco esquerdo Riise era um jogador versátil e importante para a equipe. Seus arroubos ofensivos em velocidade foram muitas vezes importantes; e a bomba que possuía na perna canhota tirou o time de apuros em muitas ocasiões. Seu estilo sempre muito ligado ao lado físico do jogo e sua entrega impressionavam. Como perfeito contraponto, pela faixa direita, o espanhol Luis García desfilava um futebol gracioso e leve, com a marca do futebol catalão. Decisivo, habilidoso e rápido, foi fundamental para a conquista da UEFA Champions League, com cinco gols. 

Mais próximo do ataque, atuava o australiano Harry Kewell, jogador cujo talento estava acima de quaisquer dúvidas, mas que sofreu muito com lesões. Dono de uma perna canhota indomável, driblava com muita qualidade e se movimentava muito, sempre formando parceria importante com o centroavante. Este, na maior parte das vezes foi o tcheco Milan Baros (foto). Rápido, lutador e dotado de bom fato de gol, o atacante, que, curiosamente, usava a camisa 5, foi importante, mas nunca fundamental. 

Como alternativa útil, Rafa Benítez contou o também tcheco, mas já experiente Vladimir Smicer, meia versátil que podia atuar por ambos os flancos e pela faixa central do meio-campo ofensivo. O jogador só não foi mais utilizado no período por ter sofrido lesão grave no joelho. Outro jogador muito utilizado foi o controverso atacante francês Djibril Cissé. Velocíssimo, provavelmente teria participado de mais partidas durante a temporada, não fosse o infortúnio de uma fratura na perna, em outubro de 2004.

Ficha técnica de algumas partidas importantes nesse período:

Fase de Grupos da UEFA Champions League: Liverpool 2x0 Monaco

Estádio Anfield, Liverpool

Árbitro: Terje Hauge

Público 33.517

Gols: ‘22 Cissé e ‘84 Baros (Liverpool)

Liverpool: Dudek; Finnan, Carrager, Hyypiä, Josemi; Luis García (Biscan), Alonso, Gerrard, Riise; Kewell (Warnock), Cissé (Baros). Téc.: Rafa Benítez

Monaco: Roma; Maicon, Squillaci, Rodríguez, Givet (El-Fakiri), Evra (Camara); Diego Pérez (Juan), Farnerud, Zikos; Kallon e Adebayor. Téc.: Didier Deschamps

Quartas de finais da UEFA Champions League: Liverpool 2x1 Juventus

Estádio Anfield, Liverpool

Árbitro: Frank De Bleeckere

Público 45.000

Gols: ‘10 Hyypiä e ‘25 Luis García (Liverpool); ‘63 Cannavaro (Juventus)

Liverpool: Carson; Finnan, Carragher, Hyypiä, Traoré; Luis García, Gerrard, Biscan, Riise; Le Tallec (Smicer) e Baros (Núñez). Téc.: Rafa Benítez

Juventus: Buffon; Thuram, Zebina (Montero), Cannavaro, Zambrotta; Camoranesi, Emerson, Blasi (Pessotto), Nedved; Del Piero (Trezeguet) e Ibrahimovic. Téc.: Fabio Capello

Semifinais da UEFA Champions League: Liverpool 1x0 Chelsea

Estádio Anfield, Liverpool

Árbitro: Lubos Michel

Público 41.216

Gol: ‘4 Luis García (Liverpool)

Liverpool: Dudek; Finnan, Carragher, Hyypiä, Traoré; Biscan, Hamann (Kewell), Gerrard, Riise; Luis García (Núñez), Baros (Cissé). Téc.: Rafa Benítez

Chelsea: Cech; Geremi (Huth), Ricardo Carvalho, Terry, Gallas; Makelele, Lampard, Tiago (Kezman); Joe Cole (Robben), Drogba, Gudjohnsen. Téc.: José Mourinho

Final da UEFA Champions League: Liverpool 3 (3) x 3 (2) Milan

Estádio Ataturk, Istambul

Árbitro: Manuel Mejuto González

Público 70.024

Gols: ‘1 Maldini, ‘39 e ‘44 Crespo (Milan); ‘54 Gerrard, ‘56 Smicer, ‘60 Alonso (Liverpool); Hamann, Cissé e Smicer marcaram seus pênaltis, Riise perdeu; Tomasson e Kaká marcaram seus pênaltis, Pirlo, Shevchenko e Serginho perderam.

Liverpool: Dudek; Finnan (Hamann), Carragher, Hyypiä, Traoré; Luis García, Alonso, Gerrard, Riise; Kewell (Smicer), Baros (Cissé). Téc.: Rafa Benítez

Milan: Dida; Cafu, Nesta, Stam, Maldini; Gattuso (Rui Costa), Pirlo, Seedorf (Serginho), Kaká; Shevchenko e Crespo (Tomasson). Téc.: Carlo Ancelotti

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...