terça-feira, 27 de junho de 2017

Talento precoce, Will Hughes finalmente chega à Premier League

Quem acompanha o futebol internacional de base certamente já se deparou com o nome de Will Hughes, representando as cores da Inglaterra. O mesmo se aplica àqueles que seguem de perto à Championship, segunda divisão da Terra da Rainha. Meio-campista elegante, de movimentos inteligentes e muita aptidão para o passe — tanto curto quanto longo —, foi criado no Derby County, que apostou em seu futebol ainda muito cedo. Diante desse quadro, há muito se aguardava sua contratação por uma equipe da Premier League, o que só ocorreu agora. A partir de 2017/18, o jogador de 22 anos defenderá as cores do Watford.



A notícia foi recebida com surpresa. Durante muito tempo, esperava-se que, quando deixasse os Rams, Hughes firmasse por algum dos clubes de maior sucesso no país, o que não ocorreu. Em que pese o fato de o Watford vir para sua terceira campanha seguida na divisão inglesa de elite, historicamente os Hornets têm passagens muito longas pela segundona. Quem joga, ou já jogou, jogos como Football Manager, franquia que apresenta impressionante acuidade quando avalia o potencial técnico de jogadores jovens, também deve estar vendo com estranheza a mudança de ares pela qual passará o garoto.

O fato é que, a despeito da juventude, o inglês representou o Derby County em seis temporadas. Sua estreia ocorreu em novembro de 2011. Na oportunidade, tinha apenas 16 anos. Durante o curso daquela campanha, só voltou a atuar em duas ocasiões. Mal sabia que outros cinco anos de titularidade absoluta viriam. Aos 17 anos garantiu sua cadeira cativa no time, o que foi sua realidade até hoje, muitas vezes pelo centro do campo e, em outros turnos, pelo lado esquerdo.

Seu período no clube foi, no entanto, sofrido. Em 2013/14, esse chegou a estar muito próximo do acesso à Premier League. Então, terminou a Championship em terceiro lugar, mas, nos playoffs, viu o Queens Park Rangers se superiorizar. Naquele ano, o time teve, inclusive, o melhor ataque do certame.

Em 2014/15, o Derby ficou em oitavo lugar, mas apenas um ponto atrás do Ipswich Town, classificado para os playoffs. No ano seguinte (o mais difícil de sua trajetória, marcado por uma grave lesão em seu joelho), terminou na quinta colocação e voltou a disputar as duras partidas decisivas, acompanhando o triunfo do Hull City.

Já na última temporada, 2016/17, não foi tão bem, terminando na nona posição, 13 pontos atrás do Top 6. Não é fácil, sobretudo para um jogador jovem e de conhecido potencial, bater na trave tantas vezes consecutivas. Alguma hora, a necessidade de chegar à primeira divisão falaria mais alto do que o desejo de o fazer vestindo a alva camisa dos Rams.

Não obstante, isso poderia ter acontecido muito antes. Ao final da temporada 2013/14, Hughes era pretendido por muitos clubes, dentre os quais Manchester United e Liverpool, que, conforme reportou o Express em julho de 2014, teria preferência em eventual negociação. Contudo, renovou seu contrato com o Derby County, o qual teria vigência até o término da temporada 2017/18 e que foi novamente renovado no início de 2017.

Durante todo esse tempo, foi também presença constante nas equipes de base da Inglaterra. Primeiro, atuou no escalão sub-17 (seis partidas e um gol), saltando, imediatamente, para o time sub-21 (21 partidas e dois tentos). O meio-campista chegou a tal estágio com apenas 17 anos (o segundo mais jovem a o fazer, atrás de Theo Walcott), o que, novamente, reafirma a dimensão do futuro projetado para a carreira do atleta. Só deixou de ser chamado quando sofreu a comentada lesão no joelho. Embora tenha ficado afastado da disputa das eliminatórias para a Euro Sub-21 de 2017, uma vez que a Inglaterra se classificou, Hughes foi convocado para a mesma.

O histórico positivo no Derby County e nas seleções inglesas de base pode propiciar um questionamento: por que Will não optou por uma transferência anteriormente e qual a razão da escolha pelo Watford? É impossível chegar à conclusões certeiras, mas se pode especular. Hughes sempre demonstrou muito compromisso com os Rams. É bem possível que tenha permanecido por tanto tempo por duas razões: 1) para poder ter mais tempo de jogo e amadurecer enquanto atleta, o que seria mais difícil caso se mudasse para um gigante do país; 2) em razão de sua intenção de ascender à Premier League com o clube.


O Watford parece simplesmente ter aparecido na hora certa. Hughes vestiu a camisa do Derby em 189 ocasiões, distribuídas por seis temporadas, e não conseguiu levar o clube à elite. Diante desse quadro, é natural considerar que a necessidade de chegar ao nível mais alto não poderia ficar sendo postergada indefinidamente.

É aí que entram os Hornets. Embora não se trate de um time que luta por títulos, em Vicarage Road o garoto tem consciência de que poderá ser titular, jogando a Premier League. No estágio em que sua carreira se encontra, isso é fundamental. Desenvolvendo seu futebol, é natural que os maiores clubes do país voltem a o considerar uma opção. Entretanto, Hugues terá que se provar, sendo o Watford uma boa alternativa.

“Todo jogador inglês quer jogar a Premier League. Tendo atuado na Championship por tanto tempo, eu tentei muito conseguir a promoção, mas a chance de vir a Premier League era muito boa para recusar. Estou muito empolgado, é um novo capítulo em minha vida”, disse o atleta ao site oficial do clube.

Além disso, existe a expectativa de trabalhar com o português Marco Silva, que, conquanto não tenha conseguido evitar o rebaixamento do Hull City na temporada 2016/17, fez o clube melhorar consideravelmente e vem sendo muito elogiado pela crítica. Vale mencionar que o comandante é conhecido pelo bom trabalho que desempenha na evolução de jovens — foi ele, que, por exemplo, deu oportunidades mais concretas ao português João Mário, no Sporting CP. O estilo de jogo que procura aplicar também se coaduna com os predicados que Hughes oferece, com bola trabalhada no chão.

Além disso, sob o comando do jovem treinador lusitano, os Tigers jogaram habitualmente no esquema tático 4-2-3-1, que na fase defensiva podia também ser lido em 4-1-4-1. Isso permite, em tese, que o jovem possa atuar tanto na hipotética segunda linha, adiantando-se à terceira no momento da recuperação de bola, quanto já, de início, nesta. A se manter tal filosofia, Hughes poderia ser acomodado tanto como segundo homem de meio-campo, qualificando a saída de bola da equipe ou, ainda, mais avançado, com mais liberdade, mas, possivelmente, menos influência na construção de jogadas.

Seja como for, Will dá um salto de qualidade em sua carreira. O simples fato de atuar na Premier League é um desafio. A conhecida intensidade da competição colocará o jogo de gestão da bola e troca de passes do garoto à prova. Atuando em uma equipe que frequenta, habitualmente, o meio e o fim da tabela, terá que mostrar mais consistência, provando a todos que seu famigerado potencial é verdadeiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...