sexta-feira, 9 de junho de 2017

Valencia tenta se recuperar do jeito certo, contratando um bom técnico

A decepção foi a impressão final registrada nos rostos dos torcedores do Valencia no último ano. Investimentos foram feitos para a temporada 2016/17 e os resultados não se apresentam positivos, muito pelo contrário. A 12ª colocação em La Liga foi um alento para quem chegou a lutar contra o descenso. Contudo, tal situação é inaceitável; o clube possui o quinto elenco mais caro do futebol espanhol e, mesmo assim, foi tomado pela desorganização, evidenciada por meio das três trocas de comando no curso da campanha. Porém, fez a melhor aposta que pode para a disputa do campeonato que se aproxima: contratou com antecedência um novo técnico, que traz respeitável histórico recente: Marcelino Toral.



Mentor de um renascido Villarreal, que após viver anos ruins (chegou a cair para a segunda divisão), reergueu-se e voltou a lutar por posições mais altas na tabela do campeonato espanhol, o asturiano estava desempregado desde agosto de 2016. É justo que se diga que não foi o mau desempenho do Submarino Amarillo o responsável por tal ocorrência. Longe disso. Divergências com a diretoria do clube o levaram a tal desfecho.

Também é válido ressaltar que seu substituto, Fran Escribá, deu continuidade a seu trabalho, conduzindo o time à quinta colocação do certame, com a segunda melhor defesa (atrás apenas do ferrolho do Atlético de Madrid, de Diego Simeone).

Tal característica já havia sido percebida em anos anteriores. Em 2015/16, o Villarreal teve a quarta melhor retaguarda da Espanha sendo verificada a mesma situação em 2014/15, anos em que a equipe foi treinada por Marcelino. Defesa, aliás, é a maior das preocupações dos Che para a próxima temporada. 

O novo comandante terá que fundar organização em meio ao completo caos. O Valencia teve a sexta pior defesa do torneio de 2016/17 (com 65 tentos sofridos). Mais triste é perceber que, quando se observa as alternativas de que dispuseram os treinadores Pako Ayestarán, Voro (foto) e Cesare Prandelli, não se encontra um deserto de qualidade.

A despeito disso, o Valencia não conseguiu sequer se confirmar uma “bagunça organizada”, sendo melhor caracterizado apenas pela falta de ordem. Em tese, seu elenco possui qualificações inclusive superiores em valores individuais, em relação ao Villarreal. Todavia, sem comando se tornou apenas um desfile de nomes. O jogo coletivo, a coesão, não existiram na temporada última e, ato contínuo, as individualidades sucumbiram; os talentos promissores não desabrocharam e o time jogou apenas para não ser rebaixado.

Esse é o conturbado contexto que se apresenta a Marcelino Toral: o de uma equipe que possui bons valores, rica história e torcida exigente, mas vive completa desordem. Indiscutivelmente, será seu mais duro trabalho. Entretanto, também se confirma a chance de afirmar sua qualidade em patamar mais elevado.

É igualmente evidente o fato de que o comandante precisará de um mínimo de tranquilidade para começar a estruturar seu time e elenco. Aparentemente, a terá. Não fosse assim, o Valencia dificilmente o teria contratado já no início de maio (ou seja, antes do final da temporada) e por dois anos. Antes de mais nada, para que se alcance equilíbrio dentro das quatro linhas, é necessário ter a confiança e a segurança. Repise-se: é preciso ter a retaguarda de uma diretoria que trocou três vezes seu treinador na última temporada.
 
De plano, o técnico já teria pedido a contratação de dois zagueiros e um volante. Tudo isso é parte da reformulação que comandará, na construção de novo modelo de jogo. Foi nesse sentido que falou ao periódico Superdeporte, no final de maio último:

“Se queremos construir um Valencia vencedor e que esteja na parte de cima da tabela, não podemos sofrer 65 gols. É impossível com esses números. A única solução seria contratar Messi ou Cristiano [Ronaldo] para que façamos 120 gols, mas, como essa situação é inviável, o que temos que fazer é construir uma equipe em que a organização e o trabalho coletivo, não somente dos defensores e do goleiro, nos levem a ser um time equilibrado e competitivo”.

É precisamente essa mentalidade que justifica dizer que a chegada do comandante ao estádio Mestalla é positiva. Com ele, algumas liberdades de expressão técnica de determinados jogadores podem até ser suprimidas. Todavia, o momento do clube não pede um jogo de espetáculo. Clama, lado outro, por estabilidade. 

O Valencia buscou um treinador com o perfil que precisa. Trata-se de alguém capaz de pegar os tijolos que estão espalhados no pátio e, dando-lhes liga, construir uma fundação. Só a partir de então se pensará no próximo passo. Foi assim que fez no Villarreal, tirando-o da segunda divisão e o levando a ser, novamente, frequentador assíduo da parte de cima da tabela de La Liga. Espera-se que tal se repita em Valencia.

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