segunda-feira, 19 de junho de 2017

Victor Lindelöf, o novo xerife do Manchester United

Ao longo de sua carreira, o treinador José Mourinho comandou sólidas duplas de zagueiros. No Porto, teve Jorge Costa e Ricardo Carvalho; em seu primeiro estágio no Chelsea, o mesmo Carvalho e John Terry; na Inter, Walter Samuel e Lúcio; e, no Real Madrid, Sergio Ramos e Pepe. A despeito disso, desembarcou em um Manchester United que, desde as saídas de Rio Ferdinand e Nemanja Vidic, sofre com problemas na zaga. Buscando mudar tal panorama, não foi econômico, gastou logo £32 milhões em Eric Bailly e, agora, mais £30 milhões na contratação de Victor Lindelöf, ex-Benfica.



Antes de mais nada, é preciso ressaltar que as opções que Mou dispõe atualmente não são desprezíveis. No entanto, não são suficientes para um dos maiores clubes do planeta. Em especial, destaca-se o citado marfinense Bailly, contratado na última temporada, junto ao Villarreal. Veloz, bom nos desarmes e antecipações, muito provavelmente será o escolhido para compor a titularidade com Lindelöf. Chris Smalling, Phil Jones, Marcos Rojo e Daley Blind devem permanecer como alternativas.

Diante disso, é preciso destacar as razões que conduzem à conclusão de que o beque sueco, de apenas 22 anos, chega com status de titular.

Desde o início de sua carreira, Lindelöf é trabalhado com cuidado, considerado um diamante bruto. Seu primeiro grande destaque ocorreu na disputa da Euro Sub-21 de 2015. Na oportunidade, foi um paredão. Sua nação foi finalista contra Portugal e era notoriamente menos talentosa que a equipe lusitana.

Atuando como lateral direito, mas com atribuições eminentemente defensivas, foi um dos responsáveis por parar o talentoso ataque da Seleção das Quinas. Tratava-se de uma geração que alinhava figuras como Bernardo Silva, João Mário, William Carvalho, Raphaël Guerreiro e Ivan Cavaleiro. No tempo regular e na prorrogação, o zero não saiu do placar e a partida foi para os pênaltis. Na hora da decisão, Lindelöf converteu a quinta e derradeira cobrança. Foi campeão. Logo, conquistou seu espaço no Benfica.

Com a pesada camisa dos Encarnados, afirmou-se em momento difícil. Vivia-se período de transição. O treinador Jorge Jesus deixara a equipe, tendo sido substituído pelo jovem Rui Vitória. Contratado junto ao Vitória de Guimarães, viu-se sem alternativas para a retaguarda. Lisandro López e Luisão perderam quase toda a temporada 2015/16, lesionados. Não havia outra alternativa senão a aposta no jovem sueco.

Sua estreia oficial pelo Benfica já acontecera em 2013, mas Lindelöf atuara em apenas três partidas sob a tutela de Jesus. Antes, também representara o modesto Västerås, de seu país, tendo ganhado suas primeiras oportunidades como titular ainda com 16 anos.

Voltando ao Benfica – e suas dificuldades na temporada 2015/16 –, o fato é que o clube lisboeta só perdeu duas vezes tendo o jovem em campo: contra Porto, na 22ª rodada do Campeonato Português, e Bayern Münich, na quartas-de-final da UEFA Champions League. Conquistou, pois, o campeonato nacional e a Taça da Liga.

A temporada 2016/17 seguiu na mesma toada. Com o retorno do capitão Luisão, o garoto passou a fazer dupla com o brasileiro e foi titular durante toda a campanha. Foi muito sólido, compondo, pois, a melhor defesa do Campeonato Português. O Benfica concedeu apenas 18 gols, em 34 partidas no certame. De forma pouco usual, marcou um gol solitário no ano, justamente contra o rival Sporting CP e em cobrança de falta. Voltou a ser campeão português, somando, ademais, a conquista da Taça de Portugal (no início da temporada, já havia conquistado a Supertaça).

Lindelöf nunca teve problemas com adaptação a cenários pouco amistosos. Da estreia como profissional aos 16 anos, ao aproveitamento habitual no Benfica diante de necessidades, demonstrou sempre confiança e personalidade. Apareceu bem em momentos importantes. Isso é exatamente o que o Manchester United precisa: segurança. O beque sueco falha pouco. Talvez por essas razões tenha ganhado o apelido de Iceman – homem de gelo.

Fisicamente imponente, raramente é batido em situações de mano a mano, superiorizando-se, também, na bola aérea. Sua calma quanto tem a bola nos pés igualmente impressiona. Está longe de ser afobado. Considerando apenas o Campeonato Português, em 2016/17 obteve sucesso em 47% de seus desarmes, 59% das disputas aéreas e 90% dos passes.


“Victor [Lindelöf] é um jovem jogador muito talentoso, que possui um grande futuro. A última temporada mostrou que necessitávamos de mais opções no elenco e Victor é o primeiro desta janela. Tenho certeza que o grupo o receberá bem”, disse José Mourinho ao site oficial do Manchester United.

Apesar de cara, a contratação é pertinente. É sempre arriscado fazer comparações, mas Lindelöf chega ao Manchester United para ajudar o clube a voltar a viver dias de glória, tempos como aqueles em que contava com os mencionados Ferdinand e Vidic. Seu estilo, tranquilo e técnico, completa o de Bailly, mais agressivo. José Mourinho ganha um jogador jovem, firme e talentoso. Renova, portanto, sua esperança de montar mais uma dupla de zaga histórica.

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