sexta-feira, 21 de julho de 2017

Andreas Christensen e a chance de surpreender

Tem sido expediente recorrente no Chelsea a contratação e formação de jogadores com potencial técnico a explorar. A despeito disso, o pouco aproveitamento desses se transformou em tema de recorrentes discussões. Nas últimas temporadas, os Blues chegaram a ter mais de 30 atletas emprestados a outras equipes: jovens, em sua maioria. Essa foi a realidade vivida pelo dinamarquês Andreas Christensen — nos últimos dois anos, representou as cores do Borussia Mönchengladbach. Porém, o defensor foi trazido de volta à Stamford Bridge, após duas ótimas temporadas, e aguarda sua chance.



Treinado pelo italiano Antonio Conte, o clube londrino conquistou o título da Premier League 2016/17 com sobras. Ainda assim, foi necessário um período de adaptações e mudanças. O esquema tático com três zagueiros, que se confirmaria tendência ao final da competição, só apareceu na 7ª rodada do certame e, curiosamente, contou com mais uma metamorfose do espanhol César Azpilicueta, lateral direito de origem e esquerdo em tempos recentes.

“Beneficiado” pelo fato de não disputar competições europeias, o clube não sofreu tanto com a escassez de opções (interminável, John Terry foi a única durante a temporada completa, tendo Kurt Zouma retornado de lesão na segunda metade e Nathan Aké voltado de empréstimo). Ainda assim, ficou claro que reforços seriam necessários para a temporada 2017/18, que se encaminha e tem o Chelsea novamente na disputa da UEFA Champions League.

O fato é que, mesmo possuindo Terry, Zouma e Aké como alternativas, Conte fundou sua defesa nas figuras de David Luiz, Gary Cahill e Azpilicueta, possivelmente em razão do avançar da idade do primeiro, do recondicionamento físico do segundo e da inexperiência do terceiro.

Buscando evitar a sobrecarga de seu trio, mesmo porque Terry se mudou para o Aston Villa, Aké para o Bournemouth e vem sendo especulado o empréstimo de Zouma, o clube buscou na Roma o zagueiro alemão Antonio Rüdiger, recentemente campeão da Copa das Confederações. Reintegrou, ademais, Christensen, beque que foi muito bem nos anos que passou na Alemanha.

É preciso considerar que não é provável que a composição defensiva titular do Chelsea se altere no primeiro momento, mas é interessante observar algumas razões que permitem pensar no jovem retornado como uma aposta sólida.

Aos 21 anos, Christensen pode dizer que já vestiu três camisas de peso: a do Brondby (terceiro maior vencedor do Campeonato Dinamarquês), do próprio Chelsea e do M’Gladbach. Além disso, já foi zagueiro, lateral direito e volante. Também se deve considerar que, nos últimos anos, foi muitas vezes utilizado em esquema semelhante ao atualmente empregado pelos Blues, com linha defensiva composta por três beques.

Convém notar que, na última campanha, em especial, o desempenho do jovem foi excelente, tão bom que em alguns critérios supera o do trio londrino. Nas 31 partidas de Bundesliga que disputou em 2016/17, acumulou as médias de 1,5 desarmes, 2,3 interceptações, 2,7 vitórias no jogo aéreo e 3,9 rebatidas por partida — além de um percentual respeitável de 91,5% de aproveitamento nos passes.



Tais números nos permitem tirar algumas conclusões. Do número considerável de interceptações, rebatidas e superioridade no jogo aéreo, conclui-se que o dinamarquês revelou bom tempo de bola. Por outro lado, o excelente índice de acerto de passes pode indicar duas coisas: 1) o jogador tem qualidade para sair jogando; e 2) opta, em grande partida das ocasiões, pelo movimento mais simples, características importantes de um zagueiro.

Em termos psicológicos, Christensen também chama atenção pela maturidade: sempre atuou em categorias superiores às indicadas para sua idade. Para se ter melhor noção disso, basta que se diga que aos 17 anos já representava a Seleção Dinamarquesa Sub-21 e, aos 19, estreou pela equipe principal, que já defendeu 11 vezes. Quando foi emprestado ao Gladbach, o treinador do Chelsea de então, José Mourinho, já se dera conta de que estava diante de um jogador que não aceitaria a reserva por muito tempo, retardando sua evolução.

Diante dessa realidade, o zagueiro retornou ao clube com uma missão: surpreender Antonio Conte. Com tantas qualidades em evidência e tendo sido titular nas duas temporadas em que permaneceu na Alemanha, fez por merecer a oportunidade, mas tem agora outro nível de desafio. Representar o atual campeão inglês não é tarefa simples e exigirá o máximo de suas aptidões. Considerando o entrosamento alcançado por Cahill, Luiz e Azpi, além, evidentemente, da conexão com laterais e volantes, o dinamarquês terá que remar muito para alcançar a titularidade. Todavia, já provou que tem as qualidades necessárias.

Certo é que, sem jogar, o jogador não permanecerá no Chelsea. Como não quis ficar Aké e, igualmente, não deseja Zouma. Sua sorte está lançada; a chance pleiteada conquistada. Christensen faz a pré-temporada com o clube e, considerando o que tem mostrado recentemente, depende apenas de mostrar o seu melhor para obter mais chances em Stamford Bridge.

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