segunda-feira, 31 de julho de 2017

A continuidade do trabalho de Nagelsmann à frente do Hoffenheim

Embora tenha mais de 100 anos de vida, o Hoffenheim é um clube que só ganhou notoriedade na última década. Para a difícil missão de se inserir no contexto mais competitivo do futebol alemão, a Bundesliga, Die Kraichgauer contrataram em 2006 a expertise do treinador Ralf Rangnick, que hoje comanda o departamento de futebol do RB Leipzig. Nos dois primeiros anos de trabalho, foram dois acessos consecutivos e, na campanha inicial na elite germânica honroso sétimo lugar. Eram tempos em que o clube contava com os brasileiros Carlos Eduardo e Luiz Gustavo. 



O comandante permaneceu na equipe até 2011 e, após sua saída, o time viveu instabilidade. Quase foi rebaixado em 2012/13 e em 2015/16, mas teve ano positivo em 2013/14 (em que se destacou Roberto Firmino). Para voltar ao rumo certo, foi feita aposta na efetivação do jovem Julian Nagelsmann, ex-treinador de seu time sub-19 (que conquistou o título nacional da categoria em 2013/14). A parceria deu certo, o técnico evitou o rebaixamento em 2016 e, já em 2016/17, conduziu-o à quarta posição. Com a negociação de duas peças fulcrais, precisará, contudo, reestruturar o time.

Antes do final da disputa do último Campeonato Alemão já estava acertada a negociação de Niklas Süle e Sebastian Rudy, ambos partindo para o poderoso Bayern de Munique. Jogadores regularmente convocados por Joachim Löw à Seleção Alemã, eram figuras fundamentais ao bom andamento do time. Confortável com a bola nos pés e duro na recuperação dessa, o primeiro era o mais confiável zagueiro da equipe e peça importante na construção inicial do jogo. Por outro lado, o segundo foi o capitão e, a despeito de sua versatilidade, era a referência do meio-campo, ditando o ritmo do time e coordenando suas ações. São peças de difícil reposição; foram os jogadores de linha que mais minutos disputaram em 2016/17.

Apesar disso, outras referências importantes seguem na equipe. No gol, ainda está presente a segurança de Oliver Baumann, na retaguarda o melhor parceiro de Süle, Benjamin Hübner, permanece firme e, na criação e ataque, foram mantidos o talentoso e criativo Kerem Demirbay, e os goleadores Andrej Kramaric e Sandro Wagner. A tendência é a manutenção do esquema tático com três zagueiros, que alternou entre 3-1-4-2 e o tradicional 3-5-2. A adaptação às ideias de jogo do jovem Nagelsmann, hoje com 30 anos, foi fundamental; o Hoffenheim foi o último time dentre todos os das principais ligas europeias e perder uma partida e não foi superado nenhuma vez em sua casa

As contratações feitas para substituir Süle e Rudy parecem ter sido pensadas com carinho e critério. Do West Ham, chegou Havard Nordtveit, ex-Borussia Mönchengladbach. Embora não tenha se sobressaído em Londres, em ano de profunda instabilidade dos Hammers, trata-se de um jogador capaz de produzir impacto positivo na equipe. O norueguês pode ocupar a vaga de ambos os negociados. No tempo em que defendeu os Potros, foi zagueiro e volante e também atuou muitas vezes em formação com três beques. Em relação à Rudy, é mais defensivo, razão pela qual, inicialmente, enxerga-se o jogador preenchendo a vaga de Süle.

“Ele tem características para jogar com zagueiro em defesas com três ou quatro homens, mas também pode jogar, em alto nível, como volante. Encontramos alguém que nos dá muitas opções”, disse Nagelsmann ao site oficial da Bundesliga.

Também se pode pensar dessa forma diante do fato de que as outras incorporações para a zaga, Justin Hoogma, ex-Heracles, e Kevin Akpoguma, que retorna de empréstimo, são jovens e têm pouca experiência. São, todavia, promissores e acumulam passagens pelas equipes de base de Holanda e Alemanha, respectivamente. Entretanto, no início não deverão ser titulares.

Além disso, vem do Werder Bremen um meio-campista que tem todas as credenciais necessárias para suprir a ausência de Rudy. O jovem austríaco Florian Grillitsch tem boa contribuição defensiva (no último ano teve média de dois desarmes e 2,2 interceptações por jogo) e em 2016/17 obteve percentual de aproveitamento de passes semelhante ao de seu predecessor (80,6% de acerto para o antecessor e 79,7% para o sucessor). Além disso, vem de duas completas como titular dos Werderaner e tem ganhado terreno na seleção de seu país.

É importante perceber também que o clube não se limitou a repor suas baixas. Por empréstimo, incorporou um jovem cujo talento pode ser determinante para uma boa temporada do time: Serge Gnabry. Usualmente ponta esquerda, que também pode ser adaptado ao ofício de meia-atacante, o alemão, de 22 anos, vem de ano excelente vestindo a camisa do Bremen. Em 2016/17, em 27 jogos, marcou 11 gols. Não foi à toa que o Bayern de Munique o contratou. Sua chegada ajuda a dar profundidade ao jovem (média de 24,6 anos) e pequeno elenco da equipe - foram utilizados apenas 23 atletas no último ano. Além dele, chegaram ao clube também o jovem lateral esquerdo Nico Schulz, ex-Gladbach e que tem extensa passagem pelas seleções de base da Alemanha, e o meia-atacante austríaco Robert Zulj, vindo do Greuther Fürth.

O site oficial da Bundesliga já projeta a provável escalação do time, que tem: Baumann; Nordtveit, Vogt, Hübner; Grillitsch; Kaderabek, Demirbay, Gnabry, Zuber; Kramaric e Wagner.

O mais importante, contudo, é a continuidade do trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2016. O Hoffenheim segue apostando em jogadores que se encaixam na forma como se planeja. Assim, os conceitos de Nagelsmann podem ser absorvidos com maior naturalidade e os resultados no campo tendem a melhorar. Da tentativa frustrada de ser jogador de futebol à eleição de melhor treinador da Bundesliga na temporada 2016/17, o técnico consolida uma ideia de jogo muito própria.

“Eu o considero muito, porque ele transformou o Hoffenheim completamente. Ele é muito capaz, tem empatia e uma boa conexão com os jogadores”, disse Joachim Löw, treinador da Nationalelf, ao site oficial da Bundesliga. 

Embora aposte em formações com três zagueiros, o treinador gosta de ter a bola e, à moda alemã, atacar com rapidez e eficiência. Para isso, montou uma defesa sólida e capaz de dar início às jogadas a partir da recuperação de bola, um meio-campo que a passa bem e tem profundidade pelos lados, e conta com atacantes com faro de gol apurado. Nada disso seria possível, todavia, se o time não fosse coletivamente coeso. 

Com linhas de marcação próximas e trabalho constante na pressão ao jogador que maneja a bola, o time busca a recuperação rápida da pelota e a chegada, ainda mais veloz, ao ataque. Tudo em bloco. Outra situação corriqueira é a ligação direta de sua retaguarda, composta por zagueiros aptos aos passes longos, ao atacante Sandro Wagner, que, com 1,94m, faz bem as tarefas de pivô.

Por esses motivos, o Hoffenheim se confirma um dos times para se acompanhar em 2017/18. O planejamento foi bem feito e o caminho traçado indica a possibilidade de evolução do modelo de jogo aplicado. No entanto, será necessário o encaixe e adaptação dos jogadores recém-chegados.

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