quarta-feira, 19 de julho de 2017

A herança é maldita, mas Nélson Semedo pode solucionar problema do Barça

Há poucos dias, o Barcelona acertou a aquisição do lateral direito português Nélson Semedo, ex-Benfica. Aos 23 anos, o garoto chega para suprir uma carência de peso no elenco catalão. Desde a saída de Daniel Alves, ninguém foi capaz de desempenhar, com qualidade, as obrigações ínsitas à função. Não se fala nem na hipótese de se procurar alguém capaz de emular o brasileiro, mas na de se conseguir ter ao menos segurança pelo setor. O curioso é que o Barça vivera complicações também no período que antecedeu a chegada de Dani. Esse é o contexto da chegada de Nelsinho ao Camp Nou.



Nem Sergi Roberto, nem Aleix Vidal; tampouco Douglas ou Martín Montoya. Nenhum desses jogadores foi capaz de substituir Dani Alves. Inseguros atrás, pouco incisivos à frente e, mais importante, incapazes de forjar um pacto de gols e assistências com Lionel Messi, os jogadores em quem o Barcelona apostou para a lateral direita nos últimos tempos decepcionaram.

Ainda que em menor grau, essa também foi a realidade percebida antes da passagem do excêntrico brasileiro. Gianluca Zambrotta e Belletti também não conseguiram tomar conta da posição e, muito menos, improvisos como o do zagueiro Oleguer bastaram. Nos últimos 10-15 anos, a ala direita dos Culés teve apenas um dono, um senhor absoluto: Dani. E não existe qualquer possibilidade de dúvida quanto a isso. Se os títulos e gols já não cumprissem tal papel, o fato de se tratar do jogador que mais vezes assistiu Messi atesta tal realidade (isso em um time que teve Xavi e ainda tem Andrés Iniesta).

Assim, não há possibilidade de se fazer análise diferente: Semedo chega ao Barça cercado de expectativa. Os mais de €30 milhões despendidos pelo clube, somados ao peso da lacuna deixada por Alves não permitem que se pense a realidade de outra forma. Também não se trata de pessimismo. O fato é que o português terá que superar um fardo que é pesado para se destacar com a camisa Blaugrana. A despeito disso, tem tudo para ser exitoso. Por quê?

Pergunte para qualquer pessoa que acompanha minimamente o Barcelona quais foram as características que consagraram Daniel Alves como um dos principais laterais direitos da história do Barcelona, senão o maior deles. A resposta será sempre uma: “sua veia ofensiva e capacidade de interação com Messi”. Essa é uma realidade que não se discute. E assim foi porque o brasileiro demonstrou impressionante técnica para propor tabelas, finalizar jogadas e fazer cruzamentos, e capacidade física para fazer isso diversas vezes por jogo. 

Essas são justamente as características que Semedo mais demonstrou nas duas temporadas recentes em que defendeu o Benfica, a despeito de uma lesão grave que o afastou dos gramados em boa parte da temporada 2015/16. No último ano, em 31 jogos, o jogador construiu seis assistências e outras 27 oportunidades de gols, em partidas válidas pelo Campeonato Português. 

Embora ainda seja visto como um jogador com potencial a ser desenvolvido, trata-se de atleta voluntarioso e capaz de proporcionar a Messi nova parceria de sucesso. Essa conclusão decorre do fato de que o jovem demonstra facilidade para conduzir as jogadas até a linha de fundo, permitindo que o ponta que atua pelo setor tenha mais espaço e menos marcação para adentrar às defesas rivais. Assim sendo, o jogo do Barça pelo lado direito tende a se fortalecer, porque, com Semedo, o craque argentino ganha, em tese, a tranquilidade de poder partir para o meio sem deixar a ponta abandonada.

É de se notar, contudo, que defensivamente Semedo não é exemplo de marcador. Porém, Dani também não era. Nesse momento, o principal é somente evitar que a lateral direita siga sendo vista como a maior fragilidade do time. Vale ressaltar que o português até vai bem no um contra um, como denota sua média de três desarmes por jogo na última temporada e os números absolutos de 93 acertos de 103 tentativas. São os espaços concedidos que demandam maior cuidado. Dificilmente, o Barcelona poderia ter encontrado substituto com características tão parecidas com as de Dani.

“Semedo é muito bom jogador. É um jovem que tem feito um bom trabalho e vamos ver como se adapta ao Barcelona”, disse o ex-capitão do Barça, Carles Puyol, à rádio COPE.

É também bom que se diga que não existiam tantas opções no mercado de transferências à disposição dos catalães. Héctor Bellerín vem de temporada fraca pelo Arsenal e Kyle Walker custou aos cofres do Manchester City quase o dobro do valor gasto com a contratação de Semedo. A necessidade do clube também não lhe permitia o luxo de esperar outra temporada.

O contexto da chegada do jovem é duro. Há carência difícil de ser suprida em seu setor e o Barcelona vem de uma temporada em que caiu nas quartas de finais da UEFA Champions League e perdeu o Campeonato Espanhol para o Real Madrid, ainda que tenha vencido a Copa del Rey e a Supercopa de España. Apesar disso, não há razões para se pensar, desde já, que o português não possui as qualidades necessárias para ser bem-sucedido.

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