segunda-feira, 10 de julho de 2017

A lógica da contratação de Iborra pelo Leicester City

A temporada 2016/17 teve a incômoda sensação de ressaca para o Leicester City. Os ilustres e improváveis campeões ingleses do ano anterior perderam o importante N’Golo Kanté e sofreram para se reagrupar. A situação só começou a melhorar a partir da contratação do jovem volante Wilfred Ndidi, nigeriano de 19 anos. É evidente que os Foxes buscam coisa melhor para a campanha 2017/18, cujo início se avizinha. Nesse sentido a contratação de Vicente Iborra, ex-Sevilla, pode indicar um pouco do que pretende o clube inglês.



Volante de bons recursos técnicos e muita competitividade, o espanhol ganhou o carinho do torcedor Rojiblanco por sua capacidade de luta, entrega e liderança. Não foi sempre titular; o que não o impediu de ser uma das peças mais influentes da equipe, sobretudo no período em que essa foi comandada por Unai Emery. Características psicológicas à parte, na cancha o jogador sempre demonstrou uma abordagem agressiva e dominante. A busca incessante pelo preenchimento de espaços e a disputa pela recuperação da bola marcam seu estilo.

Alto (1,95m) e fisicamente imponente, mostrou-se importante na recuperação da famigerada “segunda bola” e também teve relevância na bola aérea ofensiva, anotando ocasionalmente alguns gols. É claro, nem tudo são flores. Iborra não é um jogador rápido e não é especialmente primaz no passe. Entretanto, encaixa-se na ideia de jogo proposta pelo Leicester. Por quê?

Um dos pecados de Claudio Ranieri, ex-treinador dos Foxes, foi a crença cega na manutenção do esquema tático que o levou ao título inglês após a perda do jogador mais importante da equipe – ao menos do ponto de vista coletivo. Sem Kanté, o time pereceu. O 4-4-2 de 2015/16 passou a ser ruim, porque o meio-campo perdeu capacidade de recuperação de bola, concedendo, pois, mais espaços e, consequentemente, permitindo que a defesa ficasse mais exposta e sofresse mais gols. Tal insistência ocasionou a falta de bons resultados e levou à demissão do italiano.

Efetivado Craig Shakespeare (foto), o antigo auxiliar, em alguns turnos foi tentado um maior povoamento da zona central, com a utilização de atletas como Andy King, Daniel Amartey, ou simplesmente recuando o japonês Shinji Okazaki. Faltaram-lhe, porém, alternativas capazes de desempenhar o papel desejado pelo inglês, na busca pela garantia de maior consistência. É por isso que a contratação de Iborra faz tanto sentido. O espanhol não chega para substituir Ndidi ou Danny Drinkwater, devendo atuar junto a eles.

Acostumado a jogar em um meio-campo composto por três peças, Iborra não deve ter problemas para se adaptar à nova realidade, mesmo porque seu conjunto de qualidades, em tese, se combina à forte marcação de Ndidi e o bom passe de Drinkwater. No Sevilla, o meio-campista foi volante, meia-central e armador, adaptou-se sempre às diferentes cobranças a que foi submetido. É, assim, contratação que promete ter muita utilidade.

É evidente que, como qualquer negócio, a vinda Iborra ao King Power Stadium pode não ter o resultado esperado. Porém, é difícil que não o alcance. O espanhol é experiente (29 anos) e vencedor (foi importantíssimo no tricampeonato da Europa League conquistado pelo Sevilla). Além disso, conhece as dificuldades de atuar em uma equipe que não figura no rol de favoritos a nada, uma vez que foi formado e se destacou no Levante.

O Leicester é um importante e ambicioso projeto. Estou muito interessado no caminho desse clube. Joguei aqui pelo Sevilla na Champions League e a atmosfera do estádio com os torcedores foi muito boa [...] Sou um jogador de equipe. Sou competitivo e ambicioso em objetivos coletivos. Sou um bom companheiro de equipe [...] A Premier League é mais física do que La Liga. O campeonato espanhol é mais tático do que aqui”, disse o jogador em sua apresentação ao clube britânico.

Outro ponto que convém tecer nota é o fato de que a contratação pode também acrescentar alguns gols em favor do time. Vicente, ótimo finalizador, anotou muitos tentos na sua estadia no estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Deixa o clube andaluz com 172 jogos disputados e 30 gols marcados. Na última temporada, chegou a fazer um hat-trick contra o Celta de Vigo. Ademais, voltando ao campo moral, Iborra foi muitas vezes capitão, o que demonstra ainda melhor sua condição de agregador, em face do elenco.

Diante disso, é antinatural não avaliar positivamente a contratação. O jogador tem as condições técnicas e características de estilo para conquistar a titularidade e ajudar o Leicester a, novamente, sonhar grande. Com a contratação do espanhol, os Foxes dão importante passo no sentido de buscar o equilíbrio perdido no último ano.

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