quarta-feira, 26 de julho de 2017

Podemos esperar uma Juventus diferente em 2017/18

Impiedosa na Itália e competitiva no nível continental, a Juventus vive, indiscutivelmente, um momento positivo em sua trajetória. Hexacampeã nacional e vice da UEFA Champions League, consolidou-se, novamente, no grupo das melhores do planeta. Recentemente marcada pela imponência de seu setor defensivo, vive momento de indefinição às vésperas do início da temporada 2017/18. Por um lado, reforçou seu ataque, por outro, perdeu referências, motivos que permitem imaginar um cenário diferente no próximo ano.



A equipe que terminou a campanha de 2016/17 tinha contornos claros. O setor defensivo contou com Gianluigi Buffon, Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci, Giorgio Chiellini e Alex Sandro; o meio-campo com Miralem Pjanic e Sami Khedira (ou Claudio Marchisio), os quais foram auxiliados pelos ponteiros Dani Alves e Mario Mandzukic e deram suporte à dupla de ataque argentina, formada por Paulo Dybala e Gonzalo Higuaín.

Pois bem. Duas das principais engrenagens da equipe deixaram Turim: Dani e Bonucci; um dos jogadores mais decisivos da reta final da temporada Bianconeri e um dos melhores defensores em atividade no mundo. São baixas consideráveis e cuja reposição não é simples. Por mais que tenha atuado na faixa direita do meio-campo muitas vezes, o brasileiro era um lateral e, portanto, cumpria papel defensivo com maior competência do que o outro jogador utilizado na função e mais acostumado a ela, Juan Cuadrado. Na equipe, Alves nunca foi um ponta “puro”. Além disso, há poucos zagueiros capazes de suprir a saída de Bonucci, ainda que a troca seja simples.

A despeito de todas essas considerações, é o mercado da Juve que permite, com maior clareza, desconfiar que o time passará por mudanças em sua forma de jogar. De início, destacam-se as chegadas de dois pontas agressivos e impiedosos no ataque. Douglas Costa e Federico Bernardeschi não chegam ao time para a reserva. O brasileiro optou por deixar o Bayern de Munique justamente por esse motivo, ao passo que o italiano vive momento crucial em sua carreira, tendo se consolidado o melhor jogador da Fiorentina e ganhado espaço na Squadra Azzurra.

A entrada de tais peças deve ocasionar sensíveis mudanças na forma como joga a equipe alvinegra. Embora seja mais lembrado por seu histórico como centroavante, Mario Mandzukic foi brilhantemente readaptado à ponta esquerda em 2016/17. Ganhou destaque não só por suas capacidades ofensivas, mas também pela forma como assimilou as tarefas de marcação pelo flanco, tanto na pressão sem bola quanto nos duelos aéreos e recuperação de bola; hoje, Douglas e Bernardeschi não possuem tais capacidades.

Sem Dani e, possivelmente, com a perda de posição de Mandzukic (no amistoso contra o Barcelona, foi usado como centroavante), o equilíbrio entre defesa e ataque, que foi tão bem-sucedido no último ano, precisará ser novamente buscado. A influência dos pontas e de Paulo Dybala, a principal estrela ofensiva do time, no jogo defensivo terá que ser cuidadosamente trabalhada, para que seja possível acomodar toda essa ofensividade.

Com a contratação do lateral Mattia De Sciglio fica ainda mais óbvia a preocupação do treinador Massimiliano Allegri com o equilíbrio de seu time. Nele, a Juventus buscou um lateral com características contrárias às de Daniel Alves. Trata-se de alguém muito mais ligado à retaguarda e que, atrás, forma consistentemente a linha de quatro defensores.

A Juve versão 2017/18 deverá ter muito mais força ofensiva pelos flancos. Dybala ganha novos e talentosos interlocutores e Higuaín novos alimentadores. Não há dúvidas de que, entrosado, o ataque Bianconeri poderá fazer grandes estragos. 

No entanto, existe um peso no setor defensivo ainda difícil de ser mensurado. E essa dificuldade também se justifica no fato de que não se sabe como o treinador italiano adaptará suas novas peças. Exemplo: quando chegou, Pjanic era visto como um meia armador clássico que dificilmente se amoldaria a um estilo de marcação pressão, atuando mais recuado. Allegri extraiu o melhor do bósnio, que surpreendeu a todos, formando um doble-pivote, com Khedira. 

Tudo isso passa por um conceito fundamental e que é a grande marca desses vitoriosos anos da Vecchia Signora: compactação; a recomposição defensiva com linhas próximas e encerramento de espaços, o famoso park the bus de José Mourinho. No entanto, no último ano, a equipe turinesa conseguiu executar tal proposta sem que fosse necessário abrir mão da presença de jogadores de bom trato da bola. O desafio agora é ainda mais impactante, considerando a incorporação de jogadores ainda menos adaptados à colaboração defensiva.

É evidente que esses argumentos não passam de conjecturas. Todavia, são baseados em fatos e permitem reflexões. Allegri tem se mostrado, temporada após temporada, um técnico mais competente, não sendo recomendável duvidar de suas capacidade para inspirar consciência coletiva no talentoso time que vai se formando no Juventus Stadium.

Outra incorporação interessante feita pela equipe é a do volante uruguaio Rodrigo Bentancur, atleta que tende a conquistar, gradualmente, espaço na meia-cancha. Fala-se de um meio-campista híbrido, bom nos desarmes, mas que também faz a saída de bola com qualidade, sendo útil na transição da bola entre os blocos defensivo e ofensivo. De mais a mais, registra-se também a chegada do goleiro polonês Wojciech Szczesny, que vem para dar início a transição no gol alvinegro (há expectativa de que essa seja a última temporada de Buffon).

Ainda se espera a contratação de um zagueiro para compor o setor defensivo (especula-se a chegada do grego Kostas Manolas), que, certamente, sentirá a falta de Bonucci. Contudo, além da manutenção de Medhi Benatia, Chiellini e Barzagli, a Juventus tem expectativa na afirmação do jovem Daniele Rugani e já tem em seu horizonte o retorno de Mattia Caldara, que, ao menos em 2017/18, seguirá vestindo a camisa da Atalanta, emprestado.

Existem motivos para crer que a Vecchia Signora se remodelará plenamente, sem Dani e Bonucci. Porém, é difícil não pensar que será necessário um período de adaptações — aliás como também foi em 2015/16, ano em que o time perdera Arturo Vidal, Andrea Pirlo e Carlos Tévez.

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