sábado, 12 de agosto de 2017

O desafio de Richarlison é grande, mas tem sentido e motivos para dar certo

Ele era um dos destaques do heróico Fluminense de 2017, um time com poucos recursos financeiros, muita juventude e um treinador experiente e tarimbado. Ainda assim, nada mais do que um garoto de 20 anos. O atacante Richarlison apostou alto ao aceitar se mudar para o Watford, clube inglês de modestas pretensões e que por pouco escapou do rebaixamento na Premier League 2016/17. Há razões, no entanto, para pensar que o jogador formado no América Mineiro pode ser bem-sucedido na Inglaterra.



O planejamento do Watford para a temporada que acaba de se iniciar começou com a contratação do treinador português Marco Silva. Reconhecido pelo trabalho desenvolvido no Estoril e tendo boa participação na tentativa de salvamento do Hull City, no último ano (apesar da evolução, o rebaixamento acabou sendo inevitável), o jovem, de 40 anos, chegou tido em alta conta.

Esse é o primeiro indício de que o caminho escolhido por Richarlison pode lhe render bons frutos. Silva tem o português como língua mãe e especial apreço pelo desenvolvimento de equipes jovens. Conhece as dificuldades relativas à adaptação dos atletas e, nem por isso, deixa de lhes conceder oportunidades. O comandante é lembrado, dentre outras razões, por ter sido o responsável pela afirmação do meia João Mário, quando treinou o Sporting CP.

“Desde que começamos [o trabalho], observamos e analisamos jogadores que podem jogar nos lados. Ele [Richarlison] joga em três posições no ataque e é um jovem, mas realmente um jogador talentoso. Ele tem as características que penso que precisamos”, disse Marco Silva ao site oficial do Watford.

Não é apenas o técnico dos Hornets que pode ser fundamental para a adaptação de Richarlison ao time. A presença do experiente goleiro Gomes, desde 2008 na Inglaterra (exceto por um breve período de seis meses em que defendeu o Hoffenheim), pode ser de grande ajuda. Aos 36 anos, também surgiu no futebol mineiro e passou por escalão inferior ao principal na Seleção Brasileira. Embora já fosse Campeão Brasileiro, partiu para a Europa ainda jovem, aos 23 anos. 13 após, certamente tem o que compartilhar com seu novo companheiro.

De forma mais ampla, o clube também tem apostado na contratação de jovens apostas. Além de Richarlison, chegaram peças como Will Hughes e Nathaniel Chalobah, jogadores da Seleção Inglesa Sub-21. Muito disso, deve-se ao fato de que a equipe que o português encontrou estava envelhecida. Mesmo com as incorporações citadas, o Watford ainda é o terceiro clube com a maior média de idade da Premier League. Em julho, Marco Silva já havia comentado ao site oficial dos Hornets, que escolhera o clube “pelo futuro” e pela “ambição de crescimento”. 

A presença de jogadores experientes, por outro lado, diminui a pressão sob os ombros dos garotos. As referências da equipe são justamente os atletas mais rodados, como Gomes, os atacantes Troy Deeney e Stefano Okaka e o zagueiro Younès Kaboul. Richarlison ingressa em um contexto de pressão inferior àquela que enfrentaria caso tivesse partido para um clube de pretensões maiores.

Como ressaltado por Marco Silva, no campo, o brasileiro deve, a princípio, ser utilizado pelas pontas, abusando de sua explosão física, além da boa capacidade de finalização. Diante da forte concorrência que enfrenta, dificilmente ganhará oportunidades como referência. Deeney, Okaka e o também recém-chegado Andre Gray são especialistas da função e largam na frente por uma posição no comando do ataque do Watford.

Inserido no atual Eldorado do futebol europeu, a Premier League, Richarlison jogará já aos 20 anos no mais alto nível. Enfrentará grandes craques e poderá se desenvolver. Evoluindo e se dando bem em seu novo clube, vê um brilhante caminho pela frente.

Tudo parece indicar que, brevemente, o atacante ganhará a titularidade da equipe. 

Já na primeira rodada do Campeonato Inglês, entrou pouco após o retorno das equipes, passado o intervalo. Atuando pela ponta esquerda, viveu a primeira amostra do que seu futuro lhe reserva. Não foi propriamente bem na partida, mas não se escondeu. Em 41 minutos, chutou duas vezes ao gol do Liverpool, participando da jogada do gol que selou o resultado final, empate por três a três. Na ocasião, finalizou bola sem ângulo após escanteio, obrigou o goleiro Simon Mignolet a fazer defesa e a bola sobrou para o zagueiro Miguel Britos equalizar o placar.

Desde seus primeiros minutos em campo representando os Hornets, Richarlison mostrou aos torcedores presentes no estádio Vicarage Road, o que se pode esperar dele: muita luta, força e entrega. Envergando a camisa 11, promete dar continuidade a sua evolução. Há motivos para pensar que a escolha pelo Watford em detrimento de outros clubes que tiveram seus nomes ligados à contratação do atacante brasileiro, como por exemplo Ajax e Chelsea, foi boa; Difícil e desafiadora, pois o objetivo da equipe é apenas permanecer na primeira divisão, mas acertada.

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