quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Há espaço para Javier Pastore em um PSG cada vez mais estelar?

A principal notícia da janela de transferências europeias ainda aberta é a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain. Não há como fugir disso. O brasileiro chega ao Parc des Princes para mudar o clube de patamar e conta, evidentemente, como parceiros de altíssimo nível. Foi com esse cenário desenhado que surgiu outra notícia: o talentoso, mas muitas vezes lesionado e pouco utilizado, Javier Pastore aceitou render a camisa 10 ao craque recém-chegado, voltando a envergar a 27. O curioso é que, mesmo tendo atuado pouco em 2016/17, não tem sua saída especulada, ao contrário de outros jogadores badalados, como Julian Draxler. Ainda há espaço para o argentino no time parisiense?



Talento que não se discute

Basta um toque na bola para que se note a categoria emanada do pé direito do argentino. Desde os 19 anos tal realidade tem sido percebida. O desempenho revelado no Torneo Clausura, nos idos de 2009, testemunhava o aparecimento de mais um craque argentino, um jogador destinado a vestir a camisa Albiceleste e desfilar talento pelas canchas mais bonitas do planeta bola. Sob a batuta de Ángel Cappa, foi o mais brilhante astro de um Huracán que jogava bonito, causando admiração de todos na Argentina e que, por muito pouco não conquistou o título. Tais credenciais o levaram ao Palermo e à Copa do Mundo de 2010.



Na Sicília, seu desenvolvimento seguiu na mesma toadaCom a parceria de Edinson Cavani e do baixinho Fabrizio Micolli (o “Romário da Sicília”), marcou três gols e criou cinco assistências no primeiro Campeonato Italiano que disputou, em 2009/10. No segundo, a marca subiu para onze tentos e os mesmos cinco passes para gols. As constantes convocações e o desempenho demonstrado levaram o Paris Saint-Germain, que há pouco tempo recebera o impulso econômico do emir do Catar, Nasser Al-Khelaifi, a desembolsar aproximadamente €40 milhões pela contratação do argentino.

Naquele momento, o meia se tornava a contratação mais cara da história do PSG; aos 22 anos, afirmava-se uma das maiores esperanças de um futuro de glórias pelos parisienses e se confirmava um talento com enorme margem para evolução.

Uma história de títulos… e de lesões

Se os milhões já começavam ali a ser gastos, o peso dos nomes contratados ainda não possuía a dimensão vista na atualidade. Demoraria ainda uma temporada para que desembarcassem no clube Zlatan Ibrahimovic e Thiago Silva, mas naquele momento chegavam jogadores que teriam importância ímpar para o desenvolvimento do clube, como foi o caso de Blaise Matuidi e, na metade da temporada, de Maxwell e Thiago Motta.

Não havia dúvidas, contudo de que a contratação fundamental para o sucesso daquela temporada era a de Pastore. Ao lado do brasileiro Nenê, foi o protagonista de um ano em que o clube não conseguiu colocar fim ao jejum que perdurava desde 1994. O surpreendente Montpellier venceu a Ligue 1 naquela campanha.

Desde então, o argentino participou da conquista de quatro títulos da Ligue 1, outros quatros da Copa da Liga Francesa e três da Copa da França. Não obstante, a cada temporada, o meia foi atuando menos e exercendo menos influência no jogo parisiense. Inúmeras lesões foram tomando o espaço do jogador. Na temporada 2016/17, atuou em apenas 23 partidas (12 como reserva) e, pior do que isso, em 1.151 minutos, ou 50 por jogo.

Diante disso — e da presença de atletas da estirpe de Neymar, Draxler, Ángel Di María, Lucas, Gonçalo Guedes, Adrien Rabiot e, até mesmo, de Hatem Ben Arfa —, ainda é possível encaixar Pastore no time de Unai Emery? Sim, como confirmou o treinador em entrevista coletiva:

“Conversei muito com Pastore, ele é um jogador importante. Mas a primeira coisa é a consistência nos treinos e partidas, ele está pronto. Passou dois anos com muitas lesões. Ele não estava preparado para ajudar o time quando queríamos e quando precisamos dele. Esse ano é diferente [...] No fim das contas, quando ele veio aqui hoje, com seu talento individual e habilidade para ajudar o time, todos pudemos ver que ele é importante quando está no campo”, falou após a goleada contra o Toulouse.

O desafio é encontrar um lugar para o argentino

Desde a chegada de Neymar ao Parc des Princes, muito tem sido especulado a respeito da continuidade de alguns de seus parceiros que compõem o setor ofensivo do clube da capital francesa. As saídas de Draxler e Lucas preenchem manchetes de jornais europeus, o que é natural por dois motivos: 1) o aumento da concorrência pela titularidade, com a certeza de que Neymar estará sempre no onze inicial; e 2) os absurdos valores empregados na contratação do brasileiro.

Ainda assim, pouco se fala sobre Pastore, que parece ter sido esquecido nos últimos dois anos. A verdade é que o jogador começou muito bem a temporada 2017/18, já tendo disputado quatro partidas e marcado dois tentos. Por esse motivo, criou-se um questionamento pertinente: jogando bem, o argentino tende a retomar seu espaço na equipe, mas qual a melhor forma de o encaixar? Ao que tudo indica, no meio-campo, como criador de jogadas.

Vamos aos fatos: considerando que Emery tentará usar o 4-2-3-1 como seu esquema tático básico, algo que vem com o comandante desde os tempos de Sevilla, a ponta esquerda é de Neymar e a posição de centroavante de Edinson Cavani. Na direita, a tendência é a manutenção de Di María, que também tem forte concorrência. Com isso, sobra um espaço que o treinador sofreu para ocupar na última temporada. 

Sem um articulador confiável, o espanhol optou, na maior parte das partidas por um 4-3-3, com a utilização de três volantes, escalando habitualmente três de suas quatro opções mais comuns: Motta, Matuidi, Marco Verrati e Rabiot. Nem Draxler e nem Ben Arfa, possíveis alternativas para o setor ganharam tal espaço. Saudável, Pastore oferece essa alternativa; permite que Emery volte a utilizar seu esquema tático preferido, como era na Andaluzia, com a proteção de Grzegorz Krychowiak e Steven N’Zonzi e a criação de jogadas por parte de Ever Banega.

Embora tenha sido esquecido nos últimos tempos, Pastore tem muita qualidade técnica. Passa a bola com precisão, é criativo, capaz de se aproximar dos atacantes e de marcar gols. Embora não seja bom marcador, ocupa bem os espaços e é capaz de ajudar na recomposição defensiva. Melhorando sua forma física e deixando para trás as lesões, é, sim, possível ver o argentino atuando com frequência no PSG, mesmo em um contexto a cada dia mais estelar.

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