terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sneijder chega ao Nice para ser a cereja do bolo

Há duas temporadas, o Nice vem surpreendendo na disputa da Ligue 1. Primeiro sob o comando de Claude Puel e, desde 2016/17, do suíço Lucien Favre, Les Aiglons têm conseguido terminar o Campeonato Francês em posições privilegiadas. É curioso perceber que a equipe apostou nesses anos na recuperação de jogadores controversos, porém experientes e com talento indiscutível: Hatem Ben Arfa e Mario Balotelli. O italiano segue por lá e será novamente companheiro de uma grande estrela, mas dessa vez se trata de alguém que não precisará ser recuperado: aos 33 anos, Wesley Sneijder chega ao clube buscando novos desafios.



Para muitos o melhor jogador do mundo em 2010, ano em que conquistou a UEFA Champions League pela Internazionale e conduziu a Holanda ao vice-campeonato Mundial, Sneijder desembarca na França após viver quatro anos e meio de profunda idolatria e alguns títulos com a camisa do Galatasaray. Em 175 partidas, anotou 46 tentos e proveu 44 assistências, marcou golaços e decidiu clássicos; foi brilhante. Chega ao Nice ainda com status de craque, longe de ser um ex-jogador em atividade.

O contexto de sua chegada é também muito positivo. A terceira colocação na última Ligue 1, após a troca de um comando que vinha de quatro anos de evolução, revelou organização por parte da esquadra, que teve muitos destaques individuais — até mesmo Balotelli. O curioso é notar que Sneijder, que vestirá a camisa 10, vem para substituir seu substituto no Galatasaray. Como? Isso mesmo. O empréstimo do marroquino Younès Belhanda, junto ao Dynamo Kyiv, venceu e o atleta foi na sequência vendido ao clube turco. Em 2016/17 foi o principal meia ofensivo do time francês, pelo qual marcou três tentos e criou seis assistências, em 31 jogos de Ligue 1.

Não obstante, se Belhanda saiu, o restante dos ótimos meio-campistas do time permancem até agora (a janela de transferências só se encerra ao final de agosto). Sneijder encontra terreno fértil para se acomodar na equipe. 

Os voluntariosos Wylan Cyprien e Jean Michaël Seri, esteios do setor, ainda estão no estádio Allianz Riviera, reformulado para receber a disputa da última edição da Euro. Em 2016/17, o primeiro anotou nove gols e o segundo sete, o que ajuda a entender de que tipo de jogador se fala — são volantes de muito boa saída para o ataque, bom passe e que se infiltram com facilidade nas defesas adversárias. Quem também segue no clube é o jovem francês Vincent Koziello, que aos 20 anos assumiu a tarefa de substituir Cyprien quando este sofreu lesão e terminou a temporada como titular. Não há dúvidas de que Sneijder chega a um clube em que terá liberdade para criar e companheiros de qualidade com quem dialogar.

À frente, também foram mantidos jogadores importantes, casos do meia Valentin Eysseric e do atacante Alassane Plèa, atletas versáteis e criativos, capazes de dividir com o holandês as responsabilidades no setor de criação. Do meio-campo adiante, o time do Nice se confirma muito técnico e, certamente, tal característica pesou no momento em que Sneijder decidiu firmar pela equipe e partir para o sul da França.

Aliás, deve ser feito um alerta para quem pensa que o holandês está acabado: em 2016/17 foi simplesmente o líder de assistências da Liga Turca, com 15 passes para gols em 28 partidas. Foi também o atleta que, em média, mais passes chave ofertou por partida, 2,7. Não há margem para dúvidas: Sneijder chega para dar o toque final a um time já muito organizado e estruturado, vem para ser seu líder técnico.



Elenco também se fortalece com mais experiência e juventude

O time, que viu o zagueiro Paul Baysse partir para o Málaga, o empréstimo do lateral direito português Ricardo Pereira, junto ao Porto, vencer e está próximo de vender o lateral esquerdo Dalbert à Internazionale, já havia marcado sua presença no mercado, antes de oficializar a chegada de seu novo camisa 10. Sem custos, chegou do Lyon o experiente e polivalente ala Cristophe Jallet, que, aos 33 anos, oferece muitas soluções a Lucien Favre. Contudo, o negócio mais interessante (Sneijder à parte) foi a chegada do talentoso ponteiro direito Allan Saint-Maximin.

Aos 20 anos, o atleta da Seleção Francesa Sub-20 fez o caminho inverso no que concerne ao Monaco: deixou o principado para ganhar mais oportunidades; na temporada 2016/17 havia sido emprestado ao Bastia. Contratado por €5 milhões pelos monegascos em 2015, vindo do Saint-Étienne, chega ao nice pelo dobro: €10 milhões. Les Aiglons apostam pesado no atleta, que encantou pela velocidade, destreza na condução de bola e habilidade para se livrar de seus marcadores. É um diamante a ser lapidado.

O caminho que o Nice traça é interessante e se mostra sólido. Há equilíbrio entre jogadores experientes (além de Sneijder, o brasileiro Dante e Balotelli já venceram a UEFA Champions League) e jovens em forte evolução. Se na maior parte do tempo Lucien Favre fez trabalho interessantíssimo no comando do Borussia Mönchengladbach, seu último clube antes de chegar à França, isso se repete.

Em um contexto de chegada de Neymar ao Paris Saint-Germain, é praticamente impossível imaginar o clube do sul da França lutando pelo título. Contudo, considerando que equipes como Monaco, Olympique de Marseille, Lille e Lyon passam por reconstrução, é possível, sim, imaginar o Nice brigando por posições na parte de cima da tabela, repetindo os bons desempenhos dos últimos anos. A chegada de Sneijder consigna tal realidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...