segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Uma temporada para Emre Can se afirmar

Desde que despontou para o futebol, o polivalente meio-campista alemão Emre Can é visto como alguém destinado a ter um futuro brilhante dentro das quatro linhas. Contudo, se percebia sem dificuldades que o atleta teria que ser trabalhado com cuidado para conseguir desenvolver, ao máximo, seu potencial técnico. Imponente presença física, incansável e dono de compreensão tática rara, o meio-campista inicia a temporada 2017/18 da melhor forma possível, com gols e belas atuações. No entanto, não são seus tentos que mais chamam a atenção, mas a influência que tem exercido durante as partidas.



Desde os tempos em que comandava o Borussia Dortmund, o treinador Jürgen Klopp aposta suas fichas em times capazes de causar danos aos adversários por meio de forte pressão na recuperação da bola e velozes contragolpes.

Embora Philippe Coutinho pareça cada vez mais distante do Liverpool, o comandante encontra esse exato cenário em Anfield Road. A adição de Mohamed Salah e a recuperação de Sadio Mané lhe entregam tudo o que precisa para pegar os rivais com as calças curtas. Porém, a bola só chega aos ponteiros com condições de aniquilar o oponente quando o trabalho do meio-campo é bem executado.  Por isso, Can tem sido fundamental, mostrando em seu jogo a maturidade que tanto lhe é cobrada.

Em seus primeiros jogos da temporada atual, o alemão foi muito influente nas ações dos Reds. Tendo em Jordan Henderson o eixo do meio, com o holandês Georginio Wijnaldum posicionado mais à esquerda, Can vem se encontrando em posição semelhante à deste, mas à direita. Se em 2014/15 sofreu lesão importante já no início da temporada, a qual dificultou sua adaptação e acabou por transformá-lo em opção para a zaga; em 2015/16 retornou ao meio, mas voltou a ter problemas físicos ao final da temporada – começando a campanha de 2016/17 em dificuldades –, o ano de 2017/18 se inicia prometedor para o jovem.



Aos 23 anos, o meio-campo parece estar encontrando o balanço entre força e técnica. Nos dois primeiros jogos da Premier League, fez 2,5 desarmes e 1,5 interceptações, em média. Acertou 84,4% de seus passes, algo que sempre lhe foi muito cobrado – valendo fazer menção ao fato de ter lançado média de 3,5 bolas longas por encontro, toques de maior complexidade e que demandam refino técnico. Manteve, pois, sua aptidão para o jogo bruto na recuperação da bola e melhorou a capacidade de circular a bola.

Não é à toa que o jogador tem sido comparado a um de seus compatriotas, Sami Khedira. Embora o experiente campeão mundial não viva seu melhor momento, foram sua agressividade e qualidade técnica que lhe possibilitaram ter a bela carreira que tem.

“Emre [Can] está em um bom caminho. Ele realmente melhorou em muitas partes e é um jogador importante para nós. Ele pode jogar em diferentes posições”, disse Klopp em meados de agosto, em entrevista coletiva.

Pairam dúvidas, não obstante, sobre qual caminho o treinador Jürgen Klopp escolherá quando tiver Adam Lallana, lesionado, novamente à disposição. Atleta de características totalmente distintas daquelas que definem Emre Can, o inglês viveu ótimos momentos na última temporada e também conta com a confiança do técnico alemão. Em termos práticos, tal situação não tende a atrapalhar a continuidade de Can, uma vez que Lallana pode atuar em outras faixas do campo. Será, igualmente, necessário dar rodagem ao elenco no curso do ano, sobretudo em temporada em que o clube retorna à disputa da UEFA Champions League.

Aliás, é bom que se diga, ademais, que na Seleção Alemã o jogador também vive momento importante. Outrora improvisado pelas laterais, foi chamado por Joachim Löw para integrar a equipe alternativa que disputou (e venceu) a Copa das Confederações de 2017 e atuou em todas as partidas, sempre como meio-campista. Diante da concorrência de Sebastian Rudy e Leon Goretzka, só conseguiu a titularidade nos jogos contra Chile e Camarões, ainda na fase de grupos. Entretanto, mostrou seu valor e voltou a ser chamado na primeira convocação após o certame mencionado. Nas partidas contra República Tcheca e Noruega, válidas pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, disputará posição com Goretzka, Khedira, Toni Kroos e Rudy.

Aos 23 anos, Can chegou a ter saída do Liverpool especulada, mas ao que tudo indica, ainda terá Anfield Road como casa em 2017/18. Começando a temporada com a titularidade e destaque, pode, enfim, provar que a aposta em seu futebol feita pelos Reds em 2014 foi acertada e que errou o Bayern de Munique – clube que o criou –, ao permitir sua precoce saída para o Bayer Leverkusen, sua última equipe na Alemanha. As chances para isso têm sido dadas e devidamente aproveitadas.

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