segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O início de temporada de Agüero é fantástico... não só pelos gols

Quando Pep Guardiola chegou ao Etihad Stadium com a missão de levar o Manchester City a outro patamar, rapidamente, viu-se nascer uma dúvida: qual seria o futuro do atacante argentino Sergio Agüero? No Barcelona, o treinador catalão apostara em Lionel Messi como referência e, no Bayern de Munique, tentou várias formações em seu primeiro ano, até se render ao faro de gol de Robert Lewandowski, que chegou em sua segunda temporada. Outro fato deu ainda mais ressonância à questão. Logo em agosto de 2016 os Citizens fecharam a contratação de Gabriel Jesus, craque de um Palmeiras que conquistaria o Brasileirão e promessa que assumiria a titularidade da Seleção Brasileira. Entretanto, o camisa 10 do City se reinventou e manteve seu espaço.



Nunca foi possível duvidar do talento do argentino para marcar gols, tanto por seus clubes quanto pela Albiceleste. Trata-se de um atleta que já superou a marca dos 300 tentos anotados em sua carreira; alguém que é idolatrado pelas torcidas de Independiente, Atlético de Madrid e Manchester City. Não é, por óbvio, um qualquer.

Ainda assim, não se sabia qual seria o futuro do atacante no início da passagem de Pep pelas terras mancunianas. Quando deixou seu goleador de fora de um jogo importante contra o Barça, pela UEFA Champions League, o treinador teve que falar sobre a questão em entrevista coletiva: “minha decisão foi deixar Agüero no banco [...] Se Sergio decidir deixar o Manchester City, será decisão dele”.

Havia certa tensão no ambiente. Deixado de lado em alguns momentos, Agüero viu a imprensa começar a falar muito a seu respeito. Em fevereiro, momento em que Gabriel Jesus já havia chegado ao clube e assumido certo protagonismo, Guardiola voltou a dizer que não conseguia garantir o futuro de seu goleador máximo. Relatou, então, que lhe dava muito valor, mas que não sabia nada sobre a permanência de Sergio para a temporada 2017/18. Enfim, contra muitos prognósticos, o artilheiro ficou e, no início promissor de ano dos Citizens, vem jogando o fino da bola.

Quando muitos garantiriam a impossibilidade de o técnico utilizar tal possibilidade, o catalão resolveu apostar em uma dupla de ataque, com Agüero e Jesus à frente, flutuando e encostando nos meias e pontas. Essa foi a realidade de quatro das primeiras seis partidas da Premier League e, somados os gols, a dupla sul-americana, quando unida, balançou as redes em sete oportunidades, quatro com o argentino e três com o brasileiro.

Além disso, o camisa 10 dos Citizens já colaborou com três assistências, duas delas justamente para seu companheiro de frente. Para se ter uma ideia mais precisa do que isso significa, basta que se recorra a seu recorde na temporada passada: em, 2016/17, considerando somente a Premier League, Sergio disputou 31 jogos e ofereceu apenas um trio de passes para gols.

Em entrevista coletiva concedida antes da vitória do City contra o Crystal Palace, Guardiola ofereceu uma visão dos fatos que confirmou duas realidades. Primeiramente, a grandeza do momento vivido por Agüero e, em segundo lugar, suas intenções iniciais a respeito do atacante:

“Ele sempre teve a capacidade para marcar gols. Seus pais lhe deram esse talento. Ele já o possuía antes, na Argentina e na Espanha. Ele vai morrer marcando gols, não há dúvidas disso [...] Quando cheguei, tentei o convencer a não ser somente um atacante que faz a conexão na área, mas a ajudar a recuperar a bola o mais rápido possível, para atacar o mais rápido possível e estar envolvido no processo de jogar futebol”.

De fato, são poucas as dúvidas de que um ano trabalhando com Guardiola tem feito de Agüero um atacante muito mais completo e quem mais ganha com isso é o próprio jogador. Além da capacidade para marcar gols que, como dito, nunca se discutiu, o argentino tem sido admirado pela solidariedade e inteligência.

Outro dado esclarecedor é a média de passes decisivos oferecidos pelo atacante. Na EPL de 2016/17, uma vez por jogo Sergio criava oportunidades. Em 2017/18, a média subiu para 2,3. Sua participação em todo o processo ofensivo do City cresceu absurdamente, sem que tivesse sido necessário perder o que o jogador já tinha de melhor.

Aos 29 anos, o atleta parece chegar ao ponto mais alto de sua carreira. Isso tudo pelo alargamento do leque de possibilidades que oferece a seu treinador e equipe. Gabriel Jesus veio para ser concorrência? A resposta atual é não, mas somente se conclui dessa forma porque Agüero se dispôs a mudar tendo em vista o maior benefício do coletivo. Isso, como consequência óbvia, o tornou um atleta individualmente mais completo.

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