sábado, 2 de setembro de 2017

No Swansea, Renato Sanches terá boa oportunidade de se recuperar

Quando despontou no Benfica, o meio-campista Renato Sanches causou frenesi imediato. Com porte físico já avantajado, confiança em seu jogo, muita capacidade atlética e técnica, o português parecia um atleta raro; um exemplar daquela estirpe que já sai das categorias de base pronto para atuar no mais alto nível. No entanto, bastou a mudança para o Bayern de Munique, o mau desempenho em algumas ocasiões e a constante reserva para colocar em xeque o futuro do garoto. Diante desse cenário, o empréstimo ao Swansea City pode soar como uma derrota, mas é muito mais uma oportunidade.



Os Swans sofreram baques importantes na janela de transferências recentemente encerrada. Perderam duas de suas mais vitais referências, atletas que mesmo presentes na temporada passada não evitaram a luta contra o rebaixamento, ainda que tenham sido fundamentais para evitar o descenso. Gylfi Sigurdsson e Fernando Llorente rumaram para Everton e Tottenham, respectivamente. Deixaram, contudo, cofres cheios no País de Gales. Chegaram, pois, Sam Clucas, ex-Hull City, o talentoso Roque Mesa, vindo do Las Palmas e o atacante Wilfried Bony voltou. 

Eis o contexto em que Sanches chega à Premier League. E, embora o português desembarque no clube por empréstimo sem opção de compra, o clube galês não poupou esforços para assegurar sua chegada; pagou cerca de €8,5 milhões por um ano de empréstimo, apenas. Ou seja, tem o volante em alta conta. Por esse motivo, a partida para o desafio no Campeonato Inglês deve ser vista como uma chance de recuperar o tempo perdido na temporada 2016/17 e, quem sabe, retornar ao próprio Bayern, com fôlego e confiança renovados.

Depois de iniciar a temporada utilizando o clássico sistema tático 4-3-3, o treinador Paul Clement deu indícios de que afirmará seu time no 3-5-2. Isso pouco muda em termos de adaptação para Renato, uma vez que tanto uma alternativa como a outra mantêm a presença de três meio-campistas. O desafio é conseguir se adaptar com rapidez. Mesa, por exemplo, vem tendo dificuldades para encaixar seu jogo de muitos passes e conservação da posse de bola, em um contexto de maior intensidade do que o do futebol espanhol; no momento ainda é reserva.

Renato Sanches, por suas próprias características, tende a ter menos dificuldades, em razão da voluntariedade de seu jogo, com movimentação incansável e aptidão para o jogo mais bruto. Capaz de fazer de tudo um pouco no meio (o que muito bem demonstrou com a camisa do Benfica), precisa, porém, recuperar a confiança em seu potencial. Se a ascensão nos Encarnados foi meteórica, seu escanteamento na Baviera também o foi. As oportunidades não foram muitas e não foram devidamente aproveitadas.

Um contexto diferente, em um clube de modestas pretensões que vê muito valor em seu novo contratado, é o refúgio perfeito para o jovem que, repise-se tem apenas 20 anos. Indo bem, tem o retorno ao Bayern em seu horizonte, mas, ainda mais importante do que isso, volta a ganhar espaço no mercado. Certo é que o diamante bruto do Benfica não desaprendeu a jogar futebol em uma temporada. Pode, é bem verdade, ter sentido a pressão da mudança de contexto e ter sido avaliado com exagero quando de seu aparecimento, mas não se trata de um jogador ruim ou comum.

No Liberty Stadium, o português disputa posição com os citados Clucas e Mesa, além dos remanescentes da temporada anterior: Leon Britton, Leroy Fer, Tom Carroll, e Sung-Yong Ki. Vale fazer menção ao fato de que Clement foi auxiliar técnico de Carlo Ancelotti por seis meses no Bayern de Munique e, portanto, sabe bem o que pode esperar de Renato Sanches e o que precisa fazer para o ajudar a desenvolver seu potencial.

“Tendo se mudado do Benfica para o Bayern de Munique, ele não jogou tanto quanto gostaria. Mas sua mudança para o Swansea e a Premier League o dará uma experiência positiva de desenvolvimento [...] Como jogador, ele é dinâmico, um meio-campista central poderoso que acredito tem todos os atributos para se encaixar à Premier League”, disse seu novo treinador ao site oficial do Swansea City.

Em algum lugar, nas profundezas do interior de Renato Sanches, o eleito Golden Boy de 2016 ainda deve habitar. Embora não tenha ido bem em sua primeira oportunidade no futebol alemão, não pode ser visto como um desperdício ou erro de avaliação. Precisa de tempo e continuidade. Por essas razões, o movimento para um clube modesto como o Swansea City, em uma liga tão prestigiada como é a Premier League, é uma ótima oportunidade de o português relançar sua carreira.

Um comentário :

  1. O historico recente do Swansea com jogadores apagados é extraordinário, jogadores como Sigurdsson, Michu, Jonjo Shelvey, Wilfred Bony ( q retornou depois de péssima passagem pelo Chelsea), enfim todos esses jogadores jogaram muito no Swansea, e na minha opinião a melhor escolha pro Renato Sanches

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